'É a força do povo que pode mudar o Brasil'

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Nesta quarta-feira, dia 5 de setembro, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) recebeu o ativista João Pedro Stédile para a principal mesa da semana comemorativa de 64 anos da instituição. Ao discorrer sobre o tema "Avanços, retrocessos e caminhos: o que fazer?", o palestrante, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), defendeu que a análise da conjuntura política brasileira baseia-se na observação da luta de classes. "Vivemos num sistema capitalista, formado por sociedades antagônicas que se enfrentam diariamente na disputa por seus interesses corporativos", admitiu.
 
Ao final de sua palestra, concedeu entrevista ao Informe ENSP na qual ressaltou a parceria entre a academia e os movimentos sociais e enalteceu o papel do povo brasileiro para a mudança de rumo do país. Acompanhe a cobertura da mesa e das demais atividades comemorativas dos 64 anos da ENSP ao longo da semana no Portal da Escola.
 
Informe ENSP: o senhor é membro do Conselho Consultivo da Escola Nacional de Saúde Pública e foi peça fundamental na construção do Mestrado Profissional em Trabalho, Saúde, Ambiente e Movimentos Sociais, que fez parte da estratégia de implementação da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta (PNSIPCF). Comente a importância de a academia e os movimentos sociais caminharem lado a lado.
 
Stédile: Temos muito orgulho dessa parceria histórica com a Fiocruz não só pelo MST, mas também por outros movimentos populares do campo brasileiro. Essa parceria resultou em vários projetos já materializados, como o Dicionário da Educação do Campo, o Mestrado em Saúde e Meio Ambiente, a assessoria da Fiocruz no acompanhamento da toxicologia dos alimentos pelo uso dos agrotóxicos, ou seja, estamos muito satisfeitos e lamentamos que a crise econômica e o governo golpista tenham reduzido tantos recursos para saúde pública e para a Fiocruz – o que limitou a possibilidade de expansão desses projetos.
 
Informe ENSP: Há uma grande necessidade de capacitação dos profissionais do campo, não é mesmo?
 
Stédile: O conhecimento adquirido possibilitaria o desenvolvimento de várias turmas de mestrado, uma vez que já temos a formatação do currículo, do tempo necessário para formação. Necessitamos de formação para os médicos populares em toxicologia que só a Fiocruz pode fazer, e a ideia é expandir cursos para o Nordeste, Centro-Oeste, Sul. Esperamos que nessas eleições o povo brasileiro derrote os golpistas. No ano que vem, desejamos uma nova visão de saúde pública; que os recursos do povo, recolhidos na forma de impostos, voltem prioritariamente para a saúde, educação e geração de emprego.
 
Informe ENSP: Durante a palestra o senhor afirmou que a crise econômica e a crise social geraram um volume enorme de desempregados e inibiram a participação da massa brasileira na reivindicação pelos seus direitos. Comente a importância do engajamento do povo nessa causa. 
 
Stédile: A democracia é a vontade da maioria; e a vontade da maioria, nesse momento, tem que se expressar nas próximas eleições. O povo precisa entender que sua força política vem do voto, ocasião em que ele escolhe seu representante, mas sua potência também está na participação política, na mobilização das ruas, nas praças, aqui dentro da Escola, na Fiocruz. Enfim, o povo deve entender que, na política, a participação ocorre no dia a dia, em todos os temas que envolvem seus interesses na sociedade. Tem que participar dos conselhos, fazer mobilização. Todos estamos indignados com a tragédia do Museu Nacional. Teremos uma passeata programada para 7 de setembro e o povo tem que estar lá. É essa força que pode mudar o Brasil.
 

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