Pesquisador do Cesteh comenta sobre os males dos agrotóxicos

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Dia 11 de janeiro foi celebrado o Controle da Poluição por Agrotóxico. Mas diante da atual conjuntura, não tem motivos para comemorar! Ao longo de 2019, vários agrotóxicos foram liberados no Brasil, somando 474 produtos (dados do dia 28 de dezembro de 2019). Esses números tiveram um crescimento progressivo desde o ano de 2015, expondo, ainda mais, as pessoas, alimentos e meio ambientes a essas substâncias. 
 
Para falar mais a respeito deste tema, o coordenador do Centro de Estudos da Saúde e Ecologia Humana (Cesteh/Ensp/Fiocruz) Luiz Cláudio Meirelles fez um panorama sobre alguns pontos importantes do uso desenfreado de agrotóxicos no país. “Não vimos novos produtos com perfil toxicológico melhor e nem no ponto de vista da produção agrícola melhorou”, comentou.
 
Não existe dose segura
 
Das dúvidas mais comuns sobre o tema, muito se pergunta se existe uma dose segura para o uso ou exposição aos agrotóxicos. Para o coordenador isso não existe porque, segundo ele, uma pequena dose pode desencadear doenças crônicas. “ É um efeito ao longo prazo. Não importa a “dose” usada, a longo prazo a pessoa pode ter a doença”, explicou ele, alegando que mesmo que se tenham feito pesquisas, uma dose “ideal” nunca é encontrada já que qualquer quantidade expõe a pessoa a risco.
 
Saúde Pública
 
Para o pesquisador, o que deve ser feito ao ponto de saúde pública é reduzir a exposição ao máximo e proibir todas as substâncias que tenham características de produzir câncer, mutação, danos neurológicos. “ Todas essas substâncias devem ser substituídas para as que não tenham esses efeitos”, sugeriu o pesquisador, já que tudo isso expõe ainda mais a população. 
 
Trabalhador e população são afetados
 
O mais afetado pelo produto é o trabalhador, tanto pela exposição aguda, como pela exposição crônica, diz Cláudio. Mas, toda a população está exposta, já que o agrotóxico chega através de alimentos, da água entre outros meios.  “ O trabalhador é o foco central, ele está mais sujeito aos perigos do agrotóxico, por estar mais em contato. Porém, a população também é atingida devido a via alimentar, via respiratória, via água, enfatizou ele.
 
“O PL do Veneno”
 
Outro ponto negativo comentado pelo pesquisador é o Projeto de Lei 6299/02. O PL, que foi construída pela bancada ruralista, com parte do representante da agricultura e indústria do agrotóxico prejudica ainda mais o controle dessa poluição. O pesquisador alega que tanto o meio ambiente como a saúde foram deixado de lado pelo PL. “Nada que veio de emenda do posto ambiental e da saúde entraram no PL. Eles questionam que a burocracia atrapalha no crescimento do país. Não atrapalha! Na verdade, é nesse processo que se proíbe produtos cancerígenos, ou seja, os que prejudicam à saúde do trabalhador”, ressalta ele, alertando que não houve novas tecnologias para justificar a liberação desses produtos, já que todos os produtos liberados foram moléculas velhas, já proibidas em outros países. 
 
E o ano não começou muito bem. Na última sexta-feira (10), um dia antes da comemoração da data, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, exonerou uma servidora do Ibama Mariza Zerbetto que era responsável pelo controle e avaliação dos impactos de produtos químicos sobre o meio ambiente. Para a Folha de São Paulo a servidora alegou ter sido pega de surpresa com a publicação no Diário Oficial. Mariza era responsável pelas autorizações, licenças para uso, comercialização, importação e exportação de diversas substâncias químicas. 
 

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