Estratégias e práticas de formação em Saúde na América Latina são temas de debate na ENSP

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Promover um intercâmbio de experiências, estratégias e desafios a respeito da formação em Saúde Pública na América Latina. Com essa premissa, pesquisadores e professores de instituições e centros formadores em Saúde latino-americanos se reuniram na ENSP, no dia 4 de dezembro, no III Colóquio Latino-Americano de Formação em Saúde Pública.
 
Um dos participantes da mesa, o professor da Escola Nacional de Saúde Pública de Cuba (Ensap) Lázaro Díaz discorreu sobre as estratégias e práticas exitosas da formação em Saúde no país caribenho. De acordo com ele, Cuba tem, como uma de suas principais estratégias de formação em Saúde, o estabelecimento de alianças estratégicas internacionais. Por isso, participa de diversas redes de instituições e universidades de ciências médicas.
 
Díaz contou que houve aprimoramento da formação em Saúde, no campo da graduação, com a criação de novas grades curriculares para carreiras em ciências médicas, além do aumento de disciplinas e elaboração de estratégias curriculares em Saúde Pública e Educação Ambiental. Na pós-graduação, segundo Díaz, foram redesenhados programas de estudo, criados grupos de desenvolvimento em áreas estratégicas e aplicado um sistema de Gestão da Qualidade.
 
 
Ainda dentro das recentes medidas adotadas por Cuba na formação em Saúde Pública, estão ações voltadas a professores. “Criamos uma nova metodologia para a identificação e desenvolvimento de características específicas e genéricas de docentes, elaboramos didáticas específicas para a formação em Saúde Pública, identificamos recursos e necessidades de aprendizagem para a formação desses profissionais e, ainda, criamos um grupo para a avaliação e certificação das competências acadêmicas desses docentes”, contou Díaz.
 
As estratégias e práticas de formação no Programa de Saúde Pública da ENSP
 
Coordenadora do Programa de Saúde Pública da ENSP (PPGSP), Marly Cruz traçou um breve histórico acerca da iniciativa, criada em 1977 e consolidada, ao longo dos anos, como um programa de grande magnitude, participação e cooperação na área da Saúde Coletiva. “Com o objetivo de capacitar profissionais em Saúde Pública para o sistema de ciência e tecnologia, o PPGSP vem exercendo, com responsabilidade, compromisso público e postura ético-política, o papel formador de docentes e pesquisadores para as diversas regiões do Brasil, países da América Latina e da África lusófona”, ressaltou.
 
 
Entre 1977 e 2019, o programa formou 1.632 alunos no mestrado e 732 no doutorado. Marly destacou, entre as estratégias do programa, a atenção às agendas e demandas global, nacional, regional e local, por meio de parcerias intersetoriais; a inserção dos discentes em grupos de pesquisa dos docentes; a captação de recursos financeiros e simbólicos; e a concentração de esforços nas cinco dimensões da avaliação multidisciplinar indicada pela Capes. 
 
Entre os desafios do programa, Marly destacou as mudanças aceleradas no contexto político-administrativo e o reflexo na produção acadêmica da pós-graduação; a multiplicidade de demandas acadêmicas e sociais por parte dos alunos oriundos de diferentes cidades, estados e países; a necessidade de ampliação do uso de metodologias ativas e de outros recursos audiovisuais em sala de aula; entre outros. 
 
A formação de trabalhadores em Saúde Pública na fronteira Brasil-Uruguai
 
O Programa de Formação de Trabalhadores em Saúde Pública na fronteira entre o Brasil e o Uruguai também esteve na pauta do III Colóquio Latino-Americano de Formação em Saúde Pública. O pesquisador da ENSP Frederico Peres e a pesquisadora da Universidade da República do Uruguai (Udelar) Marisa Buglioli falaram sobre a história da iniciativa. “O programa tem o objetivo de promover um espaço de diálogo entre trabalhadores da Saúde atuantes naquela região, visando à qualificação do trabalho regional e ao aprimoramento de ações de vigilância e promoção da saúde”, explicou Peres. 
 
 
Com o uso da chamada Abordagem Significativa, o programa contempla três áreas de aprendizado: Políticas e Planejamento em Saúde; Vigilância em Saúde; e Educação e Promoção da Saúde. Segundo Marisa, a iniciativa contribuiu para a identificação de necessidades na região. “Percebemos que são necessários cursos de mestrado e doutorado em Epidemiologia, pois não havia nenhum até 2018. Também identificamos a necessidade de apoio avançado na análise de dados e vigilância em saúde no Uruguai, além do fortalecimento acadêmico por meio da Udelar”, reforçou a pesquisadora.
 
Estratégias e práticas de formação em Saúde Pública no México e Costa Rica
 
A professora da Escola de Saúde Pública da Universidade da Costa Rica Ileana Vargas apresentou o Programa de Bacharelado e Licenciatura em Promoção da Saúde e o Projeto de Docência da universidade. “A partir do projeto, foram criadas as Centro Escolas, que se caracterizam em um cenário de construção e gestão de conhecimentos corresponsáveis por professores, alunos e tutores organizacionais, por meio de abordagens interdisciplinares, que visam fortalecer o ensino, a pesquisa e a ação social da unidade acadêmica”, explicou Ileana.
 
 
Já o professor da Universidade Nacional Autônoma do México Javier Santacruz ressaltou a importância do ensino em Saúde Pública e mostrou como a saúde pública está estrategicamente incorporada na grade curricular de estudantes de Medicina no México. “Se o ensino em Saúde Pública não for incorporado à pós-graduação e especialização, torna-se imprescindível a tarefa de educar os profissionais da área. É também indispensável que todo o futuro profissional de Saúde tenha a formação e os enfoques que somente a Saúde Pública está apta a proporcionar, para que, assim, possam se tornar melhores trabalhadores na área”, concluiu Santacruz.
 

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