Chico Alencar fala nos 65 anos da ENSP sobre a crise na Educação brasileira

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O professor, escritor e ex-parlamentar Chico Alencar foi o convidado da semana de aniversário da ENSP para falar sobre a crise na Educação. Ele iniciou sua palestra lembrando do patrono da educação brasileira. “Impossível falar em Educação sem citar Paulo Freire num momento de desconstrução da sua obra.” A coordenação da mesa foi da vice-diretoria de Ensino da ENSP, Lucia Dupret.
 
Segundo Chico, a educação no país, até o começo do século XIX, foi restritiva, reflexo de uma sociedade excludente. “Educação nasce pra ser reprodução da sociedade patriarcal, machista, violenta, sempre condicionada à visão do dominador.”
 
Ele fez uma narrativa histórica sobre a educação no Brasil. Da Colônia, com o rigor da Pedagogia Jesuítica, passando pelo período de joanino com as primeiras escolas superiores; pelo Império, com os liceus provinciais, e ao fim desse período com 15 milhões de habitantes, sendo cerca de 15% alfabetizados, e entre os 700 mil escravos, 99% analfabetos; chegando à República, influenciada pelo Positivismo e caracterizada pelo ensino bacharelesco com objetivo de preparar representantes políticos e burocráticos da oligarquia. 
 
Chico seguiu explicando a Reforma Rivadávia Correa, de 1911, que traz a autonomia administrativa e didática para os estabelecimentos federais, de forma que o ingresso nas faculdades torna-se por concurso. Em 1930, é criado o Ministério da Educação e Saúde Pública, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Em 1931, com a Reforma Francisco Campos, o ensino fundamental passa a ter cinco anos e o complementar dois anos, equiparando todos os colégios secundários oficiais ao Pedro II. Em 1932, com o movimento Escola Nova, vêm a renovação e articulação com as realidades do mundo. Já em 1940 é criado o sistema S (Senai, Senac e Sesc). Nesse período, sete em cada 10 brasileiros não iam à escola. Com a Reforma Gustavo Capanema, em 1942, o ginásio passa a ter quatro anos e o colegial três anos.
 
Atualmente, lamenta o professor, há 56 milhões de estudantes no Brasil, 184 mil escolas, mas o analfabetismo funcional é grave, pois sete de cada 10 alunos que concluem o Ensino Fundamental não dominam a leitura, escrita, interpretação, nem as quatro operações matemáticas. Para Chico, o Brasil vive uma tragédia nesse momento de desmonte da área da Educação, por isso, ele recordou-se do antropólogo e ex-ministro Darcy Ribeiro: “A crise da Educação não é uma crise, é um projeto.”
 
Ao término de sua palestra, ele se auto intitulou um realista esperançoso, tal qual o escritor Ariano Suassuna. “Melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão”, recomendou Chico Alencar.
 

 

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