ENSP debateu necropolítica, retrocessos e resistências no campo

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Por Joyce Enzler
 
“O conceito de necropolítica atravessou a pesquisa sobre os agrotóxicos, porque, nesta etapa do capitalismo, o que interessa não é mais dominar a exploração de quem vive, é escolher quem vai morrer”, com essa declaração, o pesquisador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Marco Antônio Mitidiero Júnior deu início à palestra Os direitos dos povos dos campos: retrocessos e resistências, no evento em alusão ao mês do ambiente, em 25 de junho, na ENSP.
 
Na ocasião, o mediador da mesa, o professor do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), Ary Miranda, apresentou um panorama da macropolítica mundial e refletiu sobre os impasses ocasionados pelas políticas ambientais brasileiras no contexto neoliberal. Para Miranda, a reforma trabalhista agravou a exploração sobre os trabalhadores e ressuscitou componentes do capitalismo do século XIX.
 
Segundo Mitidiero, o rompimento da barragem de rejeitos, em Brumadinho, é um exemplo da necropolítica em prática. O Executivo da mineradora Vale S.A. diminuiu os investimentos em segurança para aumentar a rentabilidade da empresa. “Isso é uma violência contra todos nós; portanto, esses são os dados do nosso tempo e isso vem mostrando formas mais agressivas de reprodução do capital.”
 
Outro conceito abordado pelo professor foi a financeirização da vida, ou seja, capital improdutivo sem a mediação do trabalho. A financeirização é a atual etapa do capitalismo, em que os investimentos nos mercados financeiros são mais relevantes no sistema econômico mundial do que a aplicação na produção e aquisição de mão de obra, constituindo assim uma nova configuração no sistema econômico e político e criando mais desigualdades sociais.
 
Como tudo pode piorar, para Mitidiero, acontece, agora, uma novidade nesse processo: a financeirização da natureza, como a privatização da água, a mineração desenfreada, a venda de créditos de carbono, a exploração da energia solar e eólica. “Todas as dimensões da natureza serão submetidas à esfera do capital em uma escala jamais vista na história da humanidade.”
 
De acordo com Mitidiero, no Brasil, neste governo, a percepção da terra como ativo financeiro é acentuada. Em poucos meses, houve muitos ataques à legislação ambiental e às populações tradicionais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Nós estamos vivendo este momento de intensificação da lógica do capital econômico na apropriação e privatização dos recursos naturais.”
 
Ouça o podcast do pesquisador Marco Antônio Mitidiero Júnior sobre a necessidade do debate sobre essa conjuntura desfavorável à proteção do ambiente e aos direitos dos povos do campo:
 
 
Assista, abaixo, ao vídeo da palestra ou no Canal da ENSP
 
 

 

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