Programa de Pós-Graduação da ENSP promove debate; confira entrevista com as chapas

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O Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública (PPG-SP) – acadêmico e profissional – da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) realiza amanhã, dia 20, às 13h30, na sala 410, o debate com os candidatos as chapas e representantes docentes. 
 
Confira as entrevistas com os candidatos à coordenação do programa  – acadêmico e profissional. 
 
Perguntas à Chapa “Construção Coletiva, Integração e Ética” (Programa de Pós-Graduação Acadêmico):
 
Informe ENSP: Quais são os principais aspectos da proposta de sua chapa?
 
Marly Marques da Cruz: O próprio nome da chapa já traz os principais pilares da proposta de coordenação do programa, “Construção coletiva, integração e ética”. Nosso intuito foi de construir uma proposta alinhada com esses três eixos, por considerá-los fundamentais para sustentar o cotidiano da gestão do programa. 
 
O programa é extremamente desafiador, um dos mais antigos e o maior em saúde pública no Brasil. É importante considerar que não sendo pela condição coletiva, enfrentaremos desafios maiores. Queremos uma gestão coletiva mais integrada, que possa ajudar frente aos principais desafios de ordem política, econômica, técnica, a serem enfrentados no contexto atual de desinvestimento e desmonte da educação e formação em saúde pública no Brasil. Mas também a somar esforços para dar conta de todas as demandas e exigências que a coordenação de um programa diversificado requer. 
 
Joviana Quintes Avanci: Na proposta encaminhada, levantamos alguns pontos que nortearão essa nova gestão de pos-graduação, cujas questões vão desde cotidianas, a pensar a educação pública, até como as questões relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das nossas propostas é destacar tudo o que envolva o SUS, sabidamente ameaçado, e, por ser um programa de saúde pública, é necessário tocar e fortalecer o que é primordial do Sistema Único de Saúde.
 
Marly Marques da Cruz: Daí pensar numa formação mais consistente, mais crítica, que esteja voltada para essas questões referidas ao fortalecimento do SUS. 
 
No eixo da ética, consideramos a necessidade de reconhecer as singularidades e diversidades contidas no próprio programa que envolve mestrado, doutorado, docentes permanentes, colaboradores, visitantes; abrange toda a estrutura administrativa em sua totalidade. Estamos falando da necessidade de considerar essa diversidade, com propostas mais adequadas e formas de educação mais dialógicas, integrando os diferentes atores que atuam na constituição do programa. 
 
Outro ponto importante da proposta, é o apoio aos docentes e discentes para a garantia de estudos relevantes e de uma produção condizente as áreas prioritárias de formação e pesquisa em saúde pública. Hoje, o programa tem nota 6, o que representa uma excelência, e se faz necessário manter a nota, não só para a manutenção do recurso da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal (Capes), mas, sobretudo, para continuar integrando esforços em ter um programa atento às questões sociais e políticas mais amplas a que devemos centrar nossa produção do conhecimento em saúde. 
 
Informe ENSP: Quais são os maiores desafios do Programa de Pós-Graduação Acadêmico?
 
Marly Marques da Cruz: O primeiro desafio é o cenário político muito delicado e conturbado. Muitos cortes de recursos, principalmente no setor da Educação e da Saúde. Como nós temos um programa muito amplo e diverso, os recursos são necessários para mantê-lo. Garantimos bolsa para os alunos, asseguramos os professores em banca, professores convidados, teremos que participar de fóruns de coordenadores, realização de oficinas de artigos e de reflexão com pontos relacionados à própria pós; tudo a partir dessa contribuição. Isso pode propiciar uma redução em nossas atividades e também do debate acadêmico e pedagógico.
 
Outra dificuldade está relacionada às discussões acerca da Reforma da Previdência. Isso tem levado muitos professores a pensar na aposentadoria – quando se olha a quantidade de professores na lista é assustador. O impacto disso é enorme. Por mais que tenhamos a intenção de um programa mais inclusivo, com colaboração de todos os docentes, não podemos fugir dos critérios estabelecidos; portanto, não podemos trazer todos os professores – com esse possível esvaziamento. 
 
Sofremos também com as questões relacionadas à violência urbana. Temos visto como professores, alunos e funcionários têm ficado tensos e abalados com essa situação. Ainda não sabemos bem como lidar, pois esse fato nos coloca numa condição de grande vulnerabilidade, mas precisamos discutir e debater mais, para além de nosso plano de contingência. Muitas vezes, somos cobrados na condição de responsáveis, quanto a essas pessoas que se deslocam, principalmente porque não recebemos alunos apenas do Brasil, mas também de fora. 
 
Para além disso, há dificuldades internas, como as condições das salas de aula, que, as vezes, não têm um número suficiente para todas as disciplinas, as defesas, e, daí, temos que fazer uma articulação com as unidades de fora para conseguir salas. 
 
Marly Marques da Cruz: Nos últimos anos, a Capes vem valorizando a produção docente e discente, sobretudo a produção conjunta. Isso foi, ao longo do tempo, ganhando maior valor no processo de avaliação. Contudo, precisamos participar de perto do debate que envolve a avaliação da pós-graduação no Brasil. Os critérios ainda estão muito centrados na produção acadêmica, produzindo grandes desigualdades.
 
Para além disso, está entre as nossas propostas implementar a avaliação dos egressos, para sabermos melhor sobre repercussão da formação que foi dada aos alunos formados no programa. Temos que saber se o conjunto que envolve disciplinas, orientações, estágio em docência está, de fato, produzindo um efeito favorável para a sociedade. Isso conta a favor do programa, pois servirá para a correção de possíveis lacunas. 
 
Perguntas a Chapa “Unidade para o Ensino” (Programa de Pós-Graduação Profissional):
 
Informe ENSP: Quais são os principais pontos da proposta de sua chapa?
 
Elyne Montenegro Engstrom: Em nossa carta compromisso e proposta de programa, elencamos algumas linhas de atuação e propostas que norteariam nossas ações,e  é ótimo que possamos debatê-las. Uma delas é, certamente, atuar de forma a manter a qualidade do Programa Profissional, com estratégias que vão desde a qualidade de nossos cursos, a formação dos alunos, respeitando-se as especificidades de cada curso. Dentro dessa linha da qualidade, outras propostas seriam buscar maior equilíbrio entre demanda e oferta de cursos nas áreas de competência da ENSP, fortalecendo a parceria com as organizações da área do SUS e da área de Ciência e Tecnologia e de setores do Judiciário, realizar avaliação dos cursos e egressos, por exemplo. Dialogar com as instâncias de avaliação externa do programa também é necessário, com participação ativa nos debates em instâncias pertinentes (Fórum de Coordenadores de Saúde Coletiva, Capes), levando nosso posicionamento crítico quanto aos limites das regras atuais de avaliação dos programas stricto sensu e proposição de alternativas construídas coletivamente. Temos experiência para isso, podemos ser protagonistas. Na perspectiva de consolidar a governança, como já dito, é prioridade fortalecer a gestão coletiva e transparência, a relação democrática com docentes, discentes e gestores e instituições, fortalecendo a articulação institucional interna e externamente.
 
Informe ENSP: Quais são os maiores desafios do Programa de Pós-Graduação Profissional?
 
Elyne Montenegro Engstrom: Um dos desafios iniciais é justamente essa estruturação do programa, sedimentando a expertise de vários cursos – com trajetórias reconhecidas na saúde pública. Temos 774 egressos ao longo desses 16 anos, o maior programa de mestrado profissional em saúde coletiva do país –, mas nossa governança ainda é frágil. Temos que avançar internamente na construção de nossas instâncias coletivas (Comissão de Pós-Graduação, nossas áreas de concentração, plenárias), na implementação do Regimento Interno, no entendimento de seu escopo, em aspectos operacionais. Construir uma certa identidade coletiva entre os cursos, aspectos estruturantes, como concepção de currículos e conteúdos básicos, metodologias de ensino-aprendizagem, apoio aos cursos, seus coordenadores e docentes são desafios que sedimentam o programa e nos permitem pensar em outras iniciativas de ensino, como o doutorado profissional. Certamente, precisamos ampliar as parcerias institucionais, tanto com articulação no âmbito da Fiocruz, como com outras instituições comprometidas com a democracia e a justiça social, que hoje podem ser interlocutores que amplifiquem e revigorem nossos propósitos de formação profissional.

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