Cesteh celebra 50 anos da 'Pedagogia do Oprimido' com Roda de Conversa

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O Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) celebrou, na sexta-feira, 29 de junho, os 50 anos de um dos mais conhecidos trabalhos do educador, pedagogo e filósofo, Paulo Freire: a obra 'Pedagogia do Oprimido'. Clássico da educação brasileira e patrimônio do povo latino-americano, o livro traz bases de reflexão a respeito de um tradicional e atual problema: a existência de opressores e oprimidos, e a permanência da desigualdade social em nossa realidade. Para celebrar a memória e trajetória da obra, o Cesteh/ENSP organizou uma Roda de Conversa que contou com a participação de alunos, professores e pesquisadores. Todos os presentes leram trechos do livro e, posteriormente, debateram sobre eles.

Aluno da disciplina Educação popular e construção partilhada de conhecimento em saúde, Sergio Ramos falou sobre o contexto em que a obra foi produzida. Segundo ele, um contexto revolucionário de lutas expressivas. Sergio citou, ainda, a questão do processo educativo como construção social. O pesquisador da ENSP e, atualmente. presidente da Comissão da Verdade de Petrópolis, Eduardo Stotz, falou sobre a instituição do terrorismo de Estado. Stotz mencionou que, no final deste ano, será entregue um relatório com histórias de repressão e resistência. O professor afirmou ser impossível organizar luta política sem o povo.

Aluna de mestrado da Escola, Elisabeth falou a respeito do acesso à educação. O também aluno de mestrado Davison citou os diferentes contextos dentro da Academia e questionou como as classes mais populares lá chegam. Para ele, é importante repensar o processo pedagógico. Presente à Roda de Conversa, a professora da rede pública, Willia, questionou aos presentes o que significa para os alunos estar dentro da Escola, espaço de transformação e conhecimento. Segundo ela, falta esperança com o próprio futuro. “Quando leio Paulo Freire reflito que o espaço da Escola deve gerar esperança para transformar a si mesmo e todos ao seu redor. A pergunta que nós educadores precisamos nos fazer é: Estamos esperançando essas pessoas?”.

Pesquisadora do Cesteh/ENSP, Maria Blandina Marques dos Santos, falou sobre a violência no território. Ela afirmou que a Fiocruz precisa se repensar, principalmente com ações efetivas contra a violência no território. Elisabeth, mestranda da ENSP, citou que precisamos de soluções para mudar a realidade. “Hoje, eu não sei se o que estamos fazendo vai transformar a realidade”, lamentou ela. A professora reforçou que a desigualdade está cada vez mais aparente. Dessa maneira, é preciso trabalhar de forma integrada, descentralizada e com alternativas comunitárias. O professor Eduardo Stotz alertou que existe uma emergência que é a defesa da vida. “Não se pode permitir que continue se atirando na nossa população."

A Roda contou com a presença de alunos, trabalhadores e professores, que participaram ativamente do debate. 

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