Artigo dos CSP debate estigma entre travestis e mulheres transexuais

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*Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Ana Cruz (Unsplash)
 
Dia dos namorados (12/6) também é dia de recordar os desafios enfrentados por pessoas de orientações sexuais e identidades de gênero diversas. Antecipando o debate para o mês do Orgulho LGBT(QIAPN+), o Cadernos de Saúde Pública divulgou, na edição de maio, o artigo Estigma e resistência entre travestis e mulheres transexuais em Salvador, Bahia, Brasil.
 
 
Assinado por pesquisadores da Universidade do Estado da Bahia e da Universidade Federal da Bahia, o estudo tem como base narrativas produzidas por travestis e mulheres transexuais que vivem em Salvador (BA). O objetivo do trabalho foi compreender suas experiências de estigmatização, descrevendo acontecimentos, atores e contextos que marcaram suas trajetórias de vida.
 
No total, foram realizadas 19 entrevistas. De acordo com a pesquisa, as pessoas trans, ao transgredirem à matriz heterossexual compulsória - pautada pela coerência entre sexo, gênero e desejo - são consideradas "seres abjetos". Consequentemente, elas sofrem em sociedades heteronormativas, que são aquelas que normatizam a heterossexualidade como um dispositivo natural e compulsório.
 
Essa tentativa de controle normativo, então, traz grandes prejuízos desde o nível estrutural até as interações sociais cotidianas dessas pessoas. Nas relações sociais, isso é identificado em situações de discriminação, violência e exclusão. Esses efeitos são refletidos, inclusive, nos serviços de saúde.
 
O SUS e a transexualidade
 
Atendendo ao movimento LGBT(QIAPN+), o Sistema Único de Saúde (SUS) incluiu, em 2011, a Política Nacional de Saúde LGBT. Tal iniciativa garante o direito à saúde, sem distinção, para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
 
Porém, reconhecendo as necessidades de atendimento especializado para pessoas transexuais, foi instituído o Processo Transexualizador no SUS, em 2013, para “atender as pessoas que sofrem com a incompatibilidade de gênero, quando não há reconhecimento do próprio corpo em relação à identidade de gênero (masculino ou feminino)”, de acordo com o Ministério da Saúde.
 
No artigo da revista CSP, os autores lembram que a identidade transexual como uma “categoria psiquiátrica” foi utilizada, inicialmente, para viabilizar (e restringir) o processo de modificação corporal no SUS. Hoje, felizmente já há avanços neste cenário no Brasil – no entanto, ainda há percalços: batalhas contra a discriminação a serem travadas e perdas de direitos a serem combatidas. Vamos juntos!

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