'Radis' divulga nova forma de prevenção ao HIV já disponível no SUS

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Unidades de saúde do país distribuíram em meados de janeiro os primeiros comprimidos para profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP). São Paulo começou a disponibilizar em 18 de janeiro. Segundo o Ministério da Saúde, a PrEP já pode ser buscada em 36 serviços do SUS em 22 cidades brasileiras de 10 estados e do Distrito Federal. O Brasil, então, passa a ser o primeiro país da América Latina a oferecer esse novo método de prevenção à infecção pelo HIV em um sistema público de saúde. Recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2012, a PrEP é vendida na rede privada nos Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Escócia e Peru. Na França e na África do Sul, está disponível na rede pública.
 
“Ao distribuir os comprimidos e acompanhar clinicamente todas as pessoas com maior vulnerabilidade à infecção, independentemente de sua condição financeira, o sistema de saúde brasileiro se torna pioneiro e pode influenciar positivamente os demais países da região”, afirma à Radis Valdiléa Veloso, diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que coordenou estudos de implementação dessa tecnologia no Brasil.
 
“Há estudos na França que mostram que a PrEP tem sido capaz de impactar na queda dos números de novas infecções. Temos certeza que no Brasil não será diferente”, avaliou a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde (DIAHV), Adele Benzaken, no lançamento do serviço em São Paulo.
 
Ele consiste do uso diário de uma pílula que contém dois medicamentos antirretrovirais, tenofovir e entricitabina, para impedir que o HIV infecte o organismo antes de a pessoa ter contato com o vírus. A PrEP não substituiu a camisinha; se inclui como mais uma opção no leque de alternativas da chamada “prevenção combinada”, juntamente com preservativos, testagem, tratamento e Profilaxia Pós-Exposição (PEP) — medicamentos para barrar a infecção logo após a exposição sexual ocasional de risco.
 
A PrEP é indicada para populações mais vulneráveis ao HIV — gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, trabalhadores/as do sexo e casais sorodiferentes — e que também tenham maior chance de entrar em contato com o vírus, por não usarem preservativos nas relações sexuais e estarem mais expostas ao risco de infecção. O medicamento pode ter efeito colateral leve, como dores de cabeça, náuseas e inchaço.
 
O usuário do SUS que se encaixa nos critérios deve comparecer a uma unidade de referência de seu município, onde passará por avaliação de elegibilidade, incluindo a realização de teste rápido de HIV. A PrEP protege após 7 dias de uso para relação anal e 20 dias de uso para relação vaginal. Além de distribuir a pílula, o SUS vai acompanhar quem faz uso desse método de profilaxia. Após o início do tratamento, haverá retorno num período de 30 dias e, depois, a cada três meses.
 
Essa matéria foi publicada pela revista Radis de número 186 em março de 2018

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