Pesquisa analisa acesso geográfico de pessoas com tuberculose às unidades de saúde

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*Por Irlan Peçanha 

As desigualdades sociais, existentes principalmente nos países pobres, têm favorecido a alta mortalidade por tuberculose (TB). Além da pobreza, a Aids e a emergência de bacilos multirresistentes, em consonância com a assistência inadequada dos serviços de saúde, são os principais desafios para o controle da doença. Com objetivo de contribuir para ações de planejamento do atendimento à pessoa com tuberculose drogarresistente, a egressa do mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP, Magna Maria da Silva Leite, apresentou, durante sessão científica no Centro de Referência Professor Hélio Fraga, a pesquisa fruto de sua dissertação de mestrado, que analisou o acesso geográfico das pessoas com tuberculose drogarresistente (TBDR) à unidade de referência terciária em tuberculose no Estado do Rio de Janeiro.

Magna Maria descreveu o estudo como ecológico descritivo e retrospectivo, com base em dados coletados no Sistema de Informação de Tratamentos Especiais de Tuberculose (SITETB), para os casos novos de tuberculose drogarresistente do Estado do Rio de Janeiro, com destaque para capital devido à grande concentração do número de casos, no período de 2011 a 2013. A pesquisadora mensurou o número, características demográficas e desfecho dos casos das pessoas com TBDR atendidas nas unidades de referência terciária em TB do Estado do Rio de Janeiro; identificou a localidade de origem (bairros/municípios) das pessoas com TBDR; analisou a distância percorrida (bairro/município) de residência das pessoas com TBDR até as unidades de referência terciária em tuberculose do Rio de Janeiro e analisou o padrão de descolamento das pessoas com TBDR entre os municípios de residência até as unidades de referência terciária em tuberculose do Estado do RJ, com base em mapas de fluxo.

Estudos apontam a tuberculose drogarresistente como uma doença emergente, infecciosa e transmissível, de tratamento complexo e de alto grau de abandono. A maioria das pessoas com TBDR atendidas nas unidades de referência terciária do Estado do Rio de Janeiro são do sexo masculino, negros, com idade entre 15 e 54 anos e escolaridade abaixo de 8 anos de estudo. A população TBDR do estudo apresentou resultados positivos para cura e óbito e negativos para o abandono, quando comparados à média nacional. 
A região metropolitana do Rio de Janeiro concentra a grande maioria das pessoas com TBDR, 2/3 da população que se deslocam para as unidades de referência terciária (URT) estudadas percorrem distâncias consideradas médias ou longas. Para diminuir a distância que as pessoas com TBDR percorrem até as URT, é necessário a criação de novas unidades e reorganização da rede.

Com esse estudo, a pesquisadora espera fornecer importantes ferramentas para serem aplicadas no planejamento e na melhoria da distribuição dos serviços de assistência à saúde, bem como, em parte, contribuir para a redução das iniquidades no acesso à saúde. Esforços devem ser empregados pelo poder público nas três esferas de governo a fim de romper barreiras políticas para sua implementação , tendo como princípio a equidade no acesso geográfico ao sistema de saúde pública.

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