50 anos do Centro de Saúde promove Ato em Defesa da Paz e da Garantia de Direitos nas favelas

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O CSEGSF convoca trabalhadores, moradores de Manguinhos e estudantes para o Ato em Defesa da Paz e da Garantia de Direitos nas favelas, a ser realizado no dia 28/08, às 12h30, no Pátio da ENSP. O ato antecederá a abertura solene do Aniversário de 50 anos do CSEGSF. Venham de branco e tragam suas faixas, cartazes em nome da vida e dos direitos!
Manguinhos 
 
Carta de indignação
 
A escalada da violência policial nas comunidades pobres não tem fim próximo, nem futuro.      A despeito de como cada um possa compreender essas operações policiais todos nós estamos intimidados. Sem querer reforçar o medo é preciso reconhecer que ele existe. Está presente no ambiente comunitário. Nas ruas, nos becos, no comercio, nas escolas, no dia a dia.              
 
No domingo, dia 20, nos reunimos na rua principal do bairro para promover mais uma caminhada pela paz. A quinta caminhada de Manguinhos!!! Poucos compareceram, muitos acompanharam de longe e resguardando as crianças de participar, temendo por sua segurança. Durante a cerimônia de paz protestada, ouvimos notícias vindas da comunidade vizinha do Jacaré. Temíamos que algo acontecesse ali, onde estávamos reunidos. Ainda assim, caminhamos por dentro da comunidade convidando a todos à participação.
                              
O possível foi feito e foi bom! 
 
Homenageamos amigos e grupos combativos, com um prêmio de grande valor afetivo. Mostramos nossa clara disposição de lutar contra o que denominam “guerra do Rio” e que, a bem da verdade, encobre outra intenção como principal objetivo: o extermínio da população das favelas do nosso Rio de Janeiro. 
 
Dia seguinte, muito cedo já tomamos conhecimento de nova operação policial deflagrada, ainda na madrugada. Mais uma vez a segurança está em jogo e escolas ficaram fechadas, serviços de saúde não conseguiram abrir suas portas, pessoas não saíram para o trabalho, alertadas pelo risco que isso poderia significar. Abrigadas em casa, acharam que estavam seguras. Qual o quê!! Casas foram invadidas, pessoas revistadas, revistas intimas femininas foram testemunhadas e fotografadas, compondo um terrível cenário de constrangimento, afronta e humilhação.
 
Não é possível se mover entre duas emoções tão diferentes. No domingo pedimos paz, com música e discursos sinceros, sentidos, sofridos. Na segunda somos afrontados com a presença maciça de carros blindados, pelotões inteiros de soldados e policiais, ações estratégicas propostas, supostamente, para caçar coisas e pessoas.
 
Vias interditadas, impedindo a livre circulação. Vidas interditadas, impedindo o pleno desenvolvimento do simples cotidiano. O sonho? Interrompido. Até quando?
 
Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar
 
Agosto de 2017.
Celina Santos Boga Marques Porto
 
Texto de Celina Boga médica do CSEGSF/ENSP/FIOCRUZ representando o sentimento dos trabalhadores e usuários do Centro de Saúde Escola Germano Sinval da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca
 

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