Seca: publicação retrata medidas de redução e seu impacto na saúde humana

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Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos - clássicos da literatura brasileira -, já abordavam a trágica questão da seca que acomete o país, em especial na região Nordeste. No entanto, o fenômeno representa muito mais do que isso. Trata-se de um evento climático que afeta de forma permanente várias regiões do mundo. Os impactos econômicos, sociais e de saúde são pouco reconhecidos - sendo os indivíduos pobres e marginalizados os mais afetados. Isso é o que afirma o livro O setor saúde diante das situações de seca. A publicação é a terceira da série Desenvolvimento Sustentável e Saúde, idealizada pela Organização Pan-Americana da Saúde, da Organização Mundial da Saúde - Representação no Brasil (Opas/OMS), e o pesquisador da ENSP e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes), Carlos Machado de Freitas, foi um de seus autores. O livro está em acesso aberto e disponível para download.
 
O objetivo desta publicação é apoiar os gestores nas esferas nacional, subnacional e local na tomada de decisões de forma rápida, apresentando medidas para reduzir e, de preferência, eliminar os impactos potenciais resultantes de secas sobre a saúde das populações. Este volume é fruto da cooperação entre a Opas, a Secretaria de Vigilância em Saúde e Fiocruz. Nele são propostas ações para o setor saúde atuar neste tipo de desastre que vem se tornando mais frequente e prolongado, atingindo também os grandes centros urbanos, como, por exemplo, São Paulo.
 
A seca é um desastre extensivo e sua duração pode variar de meses a anos e seus efeitos sobre a saúde nem sempre são visíveis. Este fenômeno está relacionado ao balanço hídrico que se dá por um período de tempo prolongado, que ocorre devido a uma redução considerada das reservas hídricas existentes somada à precipitação constantemente abaixo da média normal e à alta taxa de evapotranspiração. A seca é comumente definida como um evento climatológico, mas também pode ser agravada por atividades humanas, a exemplo dos fatores vinculados ao crescimento acelerado da população, ao uso e ocupação do solo de forma desordenada, ao modelo inadequado de desenvolvimento econômico, à forma inadequada de infraestrutura e gestão de armazenamento de água e da utilização das reservas hídricas, e ao desmatamento.
 
Os impactos no desenvolvimento econômico, social e ambiental implicarão nos determinantes da saúde, principalmente no que se refere ao acesso à qualidade e quantidade de água potável e alimentação, além de consequências inerentes às vulnerabilidades existentes no território. 
 
Os riscos emergentes decorrentes das mudanças ambientais globais, como a destruição de ecossistemas, a perda da biodiversidade, o desmatamento e a degradação do solo, são ameaças permanentes à população, principalmente em nível local. Outros fatores como determinantes demográficos, sociais, políticos, econômicos, ambientais, climáticos, sanitários e tecnológicos podem contribuir negativamente para a saúde e bem-estar humano e também para o aumento da pobreza e das desigualdades sociais. 
 
O número de desastres de origem natural no mundo tem crescido expressivamente nas últimas décadas causando milhares de danos e mortes todos os anos e prejudicando principalmente a saúde física e mental de milhões de pessoas. A seca apresenta-se como uma das principais ameaças dos desastres naturais, com maiores impactos em regiões pobres ou em desenvolvimento. Este fenômeno impacta principalmente populações que vivem em locais de risco e sob condições de subsistência e socioeconômicas mais vulneráveis, onde os determinantes de saúde já são comprometidos. 
 
A cada ano esse tipo de desastre afeta dezenas de milhões de pessoas mundialmente, contribuindo para a fome, a pobreza, a desnutrição, causando ainda surtos de doenças infectocontagiosas e respiratórias, além de transtornos psicossociais e migração de populações. 
 
Além de Carlos Machado, também são autores do livro Aderita Ricarda Martins de Sena, da Fiocruz, Eliane Lima e Silva, do Ministério da Saúde, e Carlos Corvalan, da Opas/OMS Brasil). A publicação contou ainda com a colaboração de Cássia de Fátima Rangel Fernandes e Daniela Buosi Rohlfs, do MS, e André Monteiro Costa e Christovam Barcellos, da Fiocruz.

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