Ciência e Saúde Coletiva fala de vigilância de doenças crônicas

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O volume 20, número 3, da revista Ciência e Saúde Coletiva já está disponível on-line. A edição tem como tema a vigilância de doenças crônicas e violências, encarado como um dos grandes desafios contemporâneos no campo da saúde. Os artigos abordam a necessidade de se investir nesse tipo de vigilância em um contexto de envelhecimento populacional, males causados pelas mudanças climáticas e aumento nos fatores de risco para doenças crônicas e violências.
 
James Macinko, do Departamento de Políticas, Gestão e Ciências de Saúde Comunitária da Universidade de Los Angeles (UCLA), assina o editorial da revista. Em seu texto, além de comentar a experiência norte-americana nesse campo, Macinko lembra que o Brasil tem uma longa história de vigilância com relação às epidemias e que vem avançando na criação de métodos e abordagens para monitorar as doenças não transmissíveis, as violências e os fatores de risco comportamentais. Entre esses métodos, encontram-se as pesquisas de fatores de risco comportamentais, como o Vigitel, feita por telefone, que tem por objetivo captar mudanças nas taxas de prevalência de comportamentos e nos riscos para a saúde; a notificação universal de eventos significativos (como a violência interpessoal), o uso de dados administrativos (de emergência e hospitalares, para rastrear lesões), técnicas de ligação de dados (linkage) e de captura e recaptura para permitir a apreciação de processos em sistemas de informação.
 
Ainda segundo o editorial de Macinko, os artigos desta edição de Ciência e Saúde coletiva demonstram como os esforços de vigilância fazem parte das estratégias nacionais de identificação e enfretamento das desigualdades sociais e da saúde. Um dos artigos, que tem co-autoria do pesquisador da ENSP Carlos Minayo Gómez, trata dos acidentes de trabalho, que destacam-se entre os atendimentos por causas externas (acidentes e violência) nos serviços de saúde. Os dados utilizados foram retirados do Inquérito de Violências e Acidentes em Serviços de Emergência (VIVA Inquérito 2011). O perfil prepoderante dos atendidos foi de  trabalhadores de indústrias, do setor agropecuário ou de serviços de reparação e manutenção.

A editora científica da publicação Maria Cecília Minayo assina, com outros pesquisadores, artigo que descreve as internações hospitalares decorrentes de lesões autoprovocadas intencionalmente, atendidas no Sistema Único Saúde, no período de 2002 a 2013.O trabalho revela que a principal causa de internação foi a autointoxicação intencional por medicamentos e substâncias biológicas não especificadas. Segundo os autores, 'estudos desta natureza fornecem subsídios para a definição de estratégias de prevenção considerando os grupos mais vulneráveis e a complexidade dos fatores associados aos comportamentos suicidas'.
 
Daniele Bittencourt Ferreira e Inês Echenique Mattos, também pesquisadoras da Escola, contribuiram para a revista com um artigo sobre as taxas de mortalidade por câncer de mama entre mulheres maiores e menores do que 60 anos de idade, em áreas do estado do Rio de Janeiro. A pesquisa usou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade. As taxas foram analisadas por quadriênios, entre 1996-2011, por meio do programa Joinpoint. Observou-se uma tendência de declínio nas taxas de mortalidade, mas ela é ainda elevada entre mulheres com 60 ou mais anos idade.
 
Um quarto artigo de autoria de pesquisadores da Escola trata dos eventos adversos e outros incidentes na unidade de terapia intensiva neonatal, mostrando que os  incidentes que ocorrem nas UTIN, com ou sem lesão no paciente, estão relacionados a erros ou falhas no uso medicamentoso, infecções associadas ao cuidado em saúde (IACS), lesão cutânea, ventilação mecânica e cateteres intravasculares. As causas desses incidentes e eventos adversos estão associadas a fatores humanos e os que provocam mais danos são aqueles provenientes de IACS. Assinam o artigo Luciana da Silva Lanzillotti, Marismary Horsth De Seta, Carla Lourenço Tavares de Andrade e Walter Vieira Mendes Junior.
 
Na mesma edição de Ciência e Saúde Coletiva, há uma resenha do livro Os Sentidos da Saúde e da Doença, de autoria das pesquisadoras da ENSP Dina Czeresnia, Elvira Maciel e do doutorando da Escola Rafael Oviedo. A publicação discute, numa linguagem acessível, as definições correntes de saúde e doença.

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