Sibsa: um encontro baseado na construção compartilhada

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"O Sibsa é uma construção coletiva e não fruto de um único pensamento. Ele é a real articulação da academia com os movimentos sociais, pois se constituiu a partir da ligação de um conjunto de possibilidades que fluíram de dentro do movimento social e no interior da academia e resultaram no pensamento coletivo", disse o diretor da ENSP, Hermano Castro, na mesa de abertura do 2º Simpósio de Brasileiro de Saúde e Ambiente, do qual ele também é presidente.

Hermano ressaltou a iniciativa inovadora de se trazer os movimentos sociais para dentro da organização e da comissão científica de um congresso e saúde pública. “Temos que ser um só corpo na defesa intransigente da vida e da saúde. Principalmente em um país em que o capital avança sobre a natureza, os bens naturais são precificados e retirados das populações, e a sustentabilidade dos ecossistemas sucumbem”, assegurou ele.
 


Além de Hermano, compuseram a mesa a secretária substituta de Gestão Estratégica e Participativa, Kátia Souto, que substituiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro; o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha; o vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Nelson Gouveia; o coordenador do Grupo Temático Saúde e Ambiente da Abrasco, Fernando Carneiro; a presidente da Comissão Científica do Sibsa, Lia Giraldo; a coordenadora da Comissão Organizadora Local, Leiliane Coelho André; a representante dos Movimento Sociais, Mercedes Queiroz Zuliani, da Via Campesina; e o representante dos Movimentos Sociais Urbanos, Joviano Mayer, das Brigadas Populares de Minas Gerais.

Esta construção integrada aos movimentos sociais para a realização do 2º Sibsa, disse Hermano, é mais do que um sonho. Para ele, ela passa a ser uma necessidade de tentarmos entender o processo do desenvolvimento social com as populações que são os sujeitos desse processo. O presidente do Simpósio ressaltou novamente a metodologia utilizada para a construção do encontro. “Sairemos daqui fortalecidos com as experiências que serão apresentadas no congresso, sua relação com a saúde, de que forma rebate nas desigualdades e injustiças ambientais e como fortalecer as ações dos movimentos, profissionais e pesquisadores. Espero que cada experiência aqui relatada se transforme em ação política”, sugeriu.

Entre os destaques da mesa de abertura estava Mercedes Queiroz, que foi muito aplaudida pela plateia e ilustrou a sua fala com um poema de Clei de Souza, Para não calar: “Apresento o silencio contra o apodrecimento da palavra para que não se chame de conflito a chacina, de paz à polícia, e violência de segurança, e manipulação de imprensa, e falácia de justiça, voltemos ao silêncio...para que se ouça, que ter nascido humano ainda não é ser gente, que ainda não é estar vivo ou apenas ser sobrevivente. Que não disparar um tiro ainda não é ser inocente. Voltemos ao silêncio para dar princípio ao verbo que se faça ato. Dando novos sentidos aos velhos fatos...”.

A mesa foi encerrada com uma homenagem feita pelo GT Saúde e Ambiente da Abrasco a companheiros que dedicaram a sua vida à construção de um conhecimento engajado e comprometido com a transformação. Receberam a homenagem o professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ) Volney Câmara; o diretor da área de Saúde da Universidad Andina Simón Bolívar, do Equador, Jaime Breilh; a pesquisadora da Universidade de Pernambuco (UPE), do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CpqAM/Fiocruz) e presidente da Comissão Científica do 2º Sibsa, Lia Giraldo; e o membro da RBJA, Jean Pierre Leroy.

 

 

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