Gestão e formação em saúde são abordadas em painel

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Tatiane Vargas

O painel Gestão e Formação em Saúde, realizado na tarde do segundo dia (2/10) de atividades do 2º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, trouxe diferentes experiências do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. O painel foi composto de três trabalhos: As práticas de gestão na perspectiva do cuidado: desafios para os trabalhadores de nível médio da área da gestão; Telenfermagem: impactos da educação a distância; e Territorialização e ensino em saúde: experiências de construção do mapa de abrangência de uma unidade de Atenção Primária em Saúde. A coordenação da atividade esteve a cargo da socióloga, sanitarista e membro da Associação Brasileira Rede Unida, Maria Luiza Jaeger.

O trabalho As práticas de gestão na perspectiva do cuidado: desafios para os trabalhadores de nível médio da área da gestão foi apresentado pela pesquisadora da Fiocruz Tereza Cristina Ramos Paiva e conta também com a autoria da pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais da ENSP, Maria Inês Carsalade Martins. O estudo busca ultrapassar a compreensão sobre o agir instrumental dos trabalhadores de nível médio que atuam em espaços historicamente reconhecidos como o lugar da técnica, da norma, das tecnologias leves e duras, para refletir sobre a incorporação do cuidado no cotidiano de suas práticas, seja nos processos relacionais ou e nos modos de produzir a gestão. 

Tereza Cristina iniciou sua apresentação explicando a forte relação entre os modos como são gerenciados os serviços e produzidas as práticas de saúde com os modelos instituídos de atenção. De acordo com ela, apesar do elevado número e das funções estratégicas que ocupam no processo de atenção à saúde, o trabalhador técnico da área da gestão muitas vezes não é reconhecido como importante para a organização, o que dificulta o seu reconhecimento como sujeito envolvido no processo de trabalho.

Os resultados da pesquisa apontaram que se existe a recusa à limitação técnica da atividade, por um lado, ela é reiterada pela instituição. “Existe uma forte relação entre os modelos instituídos de atenção e os modos como são gerenciadas e produzidas as práticas de saúde. Além disso, o cuidado ainda é percebido como algo descolado da gestão, como o trabalhador descolado da área da saúde”, explicou. Tereza finalizou indicando alguns caminhos para gestão e formação no nível médio, entre eles: valorização do uso de tecnologias leves; processos que ressaltem a importância dos processos relacionais; participação em mecanismos participativos, entre outros.

O trabalho Telenfermagem: impactos da educação a distância, foi apresentado pela aluna da graduação em saúde coletiva da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Driely Suzy Soares Assis. O estudo teve o objetivo de avaliar o impacto da educação permanente na capacitação da equipe de enfermagem das Unidades Básicas de Saúde dos municípios cadastrados pelo Programa Nacional de Telessaúde em relação ao desenvolvimento das práticas assistenciais. Os resultados apontaram que as tecnologias da informação e comunicação (TIC’s) são métodos de educação que vêm possibilitando atendimento de qualidade, acesso e aprendizagem de forma a democratizar o saber.

O estudo Territorialização e ensino em saúde: experiências de construção do mapa de abrangência de uma unidade de Atenção Primáriaem Saúde foi apresentado pela aluna da graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Ana Cristina Souto. O objetivo da pesquisa foi, entre outros, identificar a noção de território e suas relações com a promoção da saúde de grupos populacionais e aplicar técnicas de territorialização em espaços geográficos limitados, com ênfase na identificação dos recursos públicos, comunitários, associativos e outros relacionados com a promoção da saúde.

“A experiência da tomada de consciência acerca dos sentidos do território e o processo de construção do mapa como um todo para a comunidade tornam-se vivências essenciais para o graduando em saúde coletiva, contribuindo para uma formação crítica e reflexiva do território enquanto processo histórico, dinâmico, pulsante e dotado de poder com o qual é preciso dialogarmos na construção da saúde que queremos”, finalizou ela.

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