Livro do Claves/ENSP disponível em formato eletrônico

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O livro Amor e Violência: um paradoxo das relações de namoro e do ‘ficar’ entre jovens brasileiros, lançado em 2011 pela Editora Fiocruz e um dos finalistas do prêmio Jabuti 2012, na categoria Educação, pode agora ser adquirido também em formato de e-book, no SciELO Livros.

O SciELO Livros é uma iniciativa que objetiva maximizar a visibilidade, a acessibilidade, o uso e o impacto dos livros acadêmicos brasileiros, tornando-os disponíveis como e-books, tanto em acesso livre quanto em acesso comercial – neste caso, com preços reduzidos. Na modalidade comercial, Amor e Violência pode ser adquirido em papel, por R$ 48, ou em formato eletrônico, por R$ 19,29. Além do preço menor e do poder de escolha – o usuário pode decidir como prefere ler, se no papel ou na tela –, o acesso comercial via SciELO Livros também aumenta a rapidez: o internauta compra e tem acesso ao livro imediatamente, em qualquer lugar, sem a necessidade de aguardar o envio do produto por correio ou transportadora.

Amor e Violência é fruto de uma pesquisa coordenada pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves) da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). Em entrevista à Editora Fiocruz, uma das organizadoras do livro, a pesquisadora Simone Gonçalves de Assis, comenta alguns aspectos socioculturais do comportamento violento. A entrevista foi realizada pela jovem Letícia Taets, aluna do Colégio Pedro II, campus Duque de Caxias (RJ), e participante do Programa de Vocação Científica (Provoc) da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz).

Editora Fiocruz: Quando se fala em violência no namoro, que tipo de violência é essa?

Simone Gonçalves de Assis: Em nossas pesquisas no Claves/Ensp/Fiocruz, consideramos as diversas formas de violência. Verificamos que ela se tornou uma forma de ‘comunicação’ no namoro, no ‘ficar’ e nas relações afetivo-sexuais em geral. E pode se expressar através de uma agressão física, sexual, verbal, psicológica etc. Existem diferentes nuances dessa violência, relacionadas à forma como somos educados e ao processo de socialização. Nesse contexto, podemos compreender as origens da violência em relacionamentos, tanto para homens quanto para mulheres.

Editora: As relações afetivo-sexuais estão em constante mudança ou apresentam um padrão?

Simone: Ambas as visões coexistem. A partir da visão de uma pessoa idosa, os relacionamentos mudaram muito, pois têm muito mais liberdade. Houve mudanças na comunicação e, hoje, as pessoas se relacionam via internet. Entretanto, existe ainda uma visão patriarcal dos relacionamentos, em que o homem deve sustentar o lar e a família, enquanto a mulher deve permanecer em casa, cuidando dos filhos. Este modelo comportamental, até hoje, é desejado, inclusive por boa parte das meninas. Essa mistura entre o antigo e o novo é algo próprio da nossa cultura: novos conceitos de relacionamento com estruturas arraigadas, de tempos passados. Existiram e existem, sim, mudanças nos relacionamentos, mas não tanto quanto uma pessoa idosa acreditaria.

Editora: Então, a cultura brasileira é uma cultura machista ainda hoje em dia?

Simone: Sim, não apenas a brasileira, mas a cultura latina de uma forma geral. O homem em si não é o único responsável. A sociedade como um todo, homens e também mulheres, educa meninos e meninas dentro de conceitos machistas.

Editora: A violência vem aumentando ou ela sempre existiu, mas agora as pessoas falam mais sobre o assunto?

Simone: Não há uma resposta para esta pergunta. A violência entre jovens no namoro é relativamente nova como objeto de pesquisas. A violência entre casais adultos e a violência familiar sempre existiram na história da civilização ocidental, embora nem sempre tenham sido nomeadas. Mas as questões dos jovens de hoje são diferentes. É difícil comparar. Por um lado, existem mais sanções à violência, que, no passado, era mais naturalizada e tolerada. Por outro, talvez a violência esteja mais fácil de ocorrer, porque o adolescente tem mais liberdade de se expor, inclusive pela internet. Vivemos hoje em outro contexto.

Editora: Quais seriam as possíveis causas para a violência entre adolescentes no namoro?

Simone: As principais justificativas utilizadas para legitimar a violência no namoro são o ciúme e a infidelidade. Os jovens acreditam que isso ‘legitima’ as agressões, uma atitude que está arraigada na sociedade. Acredito que o principal motivo seja este: a certeza de que ciúme e infidelidade ainda justificam as agressões como forma de resolver os problemas. Existe aí uma perspectiva de ‘aprendizado’, já que os jovens ‘aprendem’ observando suas respectivas famílias. Quando se vivenciam relações de violência entre pai e mãe ou entre pais e filhos, existe um risco de que esse tipo de comportamento seja reproduzido nas relações futuras.

Editora: Mas o que pode ser feito para prevenir a violência que ocorre em todos os tipos de relação afetivo-sexual?

Simone: Em termos de políticas públicas, deve-se reconhecer a importância desta temática – o tema da violência, inclusive, já entrou na agenda de vários ministérios. Discute-se muito a mediação de conflitos, mas debater as questões de socialização e de gênero também é necessário. Programas e materiais voltados aos adolescentes podem contribuir para a desnaturalização da violência no namoro e, por conseguinte, para a construção de relacionamentos mais saudáveis e igualitários.

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