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Revista Radis sumula

Súmula

Pesquisador-fantasma, a polêmica

Aprática de contratar pesquisadores para assinar estudos que não realizaram, habitual na indústria farmacêutica, gerou pequeno escândalo na comunidade científica internacional. A médica e pesquisadora Adriane Fugh-Berman, da Universidade Georgetown, em Washington, denunciou que foi procurada por uma empresa de comunicação médica para que assinasse um artigo de revisão (consolidação e balanço de pesquisas paralelas). Adriane pediu mais informações, mas meses depois recebeu um rascunho do estudo já assinado por ela, para que fizesse eventuais modificações. A pesquisadora então recusou a proposta.

Por uma feliz coincidência, Adriane foi convidada pela Journal of General Internal Medicine (www.blackwellpublishing.com/journal.asp?ref=0884-8734) para avaliar um artigo: era uma versão revisada, mas reconhecível, do manuscrito que recusara assinar, informou a Folha de S. Paulo em 20/4. Os editores da Journal rejeitaram o trabalho e incentivaram uma discussão internacional sobre a prática do ghostwriting na área científica, alertando: “Estudos submetidos podem não reconhecer apropriadamente financiamento de corporações ou co-autoria.”

A empresa de comunicação médica era a Mx Communications, e a companhia farmacêutica, a AstraZeneca, ambas do Reino Unido. “Duvido que eu seja convidada novamente para ser uma autora de mentirinha, mas certamente há outros médicos que estariam dispostos a propagandear essas enganações”, disse a médica. O novo anticoagulante da AstraZeneca, alvo do “estudo”, ganhou aprovação parcial na França e foi vetado nos EUA.

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