Súmula
Sustentabilidade: novo modelo
O diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o alemão Achim Steiner, defendeu aprovação de uma nova forma de medir o crescimento entre os países e considerou o processo preparatório da Rio+20 “muito lento”, em entrevista concedida ao jornal O Globo (1º/4) — leia a íntegra no site do RADIS. Para ele, o evento que se realizará em junho, no Rio de Janeiro (Radis 112), vai rever o passado e discutir uma transição para uma economia verde, “que inclua a erradicação da pobreza, além de definir um novo quadro institucional”. A escolha desses temas, observa Steiner, “demonstra um reconhecimento da ONU de que precisamos discutir o modelo econômico, que está conduzindo para um desenvolvimento insustentável e aprofundando a desigualdade social”. Para ele, aprovar na Rio+20 uma nova forma de medir o crescimento econômico dos países, diferente do PIB, é uma maneira de a conferência “exercer alguma liderança”, uma vez que “há um reconhecimento mundial de que o PIB é um indicador imperfeito”, que “ignora os aspectos de bem estar socioambiental”. Steiner abordou também a falta de cumprimento de compromissos por parte dos países. Ele lembrou que, como na área ambiental não existem sanções como as que vigoram no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), os países não são punidos por não cumprirem o que assinam. “É muito triste saber que acordos ambientais já assinados, como a Convenção do Clima e o Protocolo de Kioto, não incluíram mecanismos de sanção”.
A mesma opinião foi manifestada pelo prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, em encontro na ONU sobre desenvolvimento sustentável, informou O Globo (3/4). Ele afirmou que os Estados Unidos estão impondo custos altos demais ao restante do mundo e defendeu que as nações pressionem o país com sanções econômicas. Stiglitz participou do Encontro sobre bem estar e felicidade, promovido pelo governo do Butão, que marca a implementação da resolução da ONU segundo a qual o PIB, da forma como se constitui hoje, não é suficiente para medir o bem estar de uma população.
As discussões também pautaram a conferência Planeta sob Pressão, ocorrida em Londres (29/3). No encontro, foi debatida a necessidade de criação de novos modelos de desenvolvimento econômico para os países, lembrando que os atuais foram moldados numa sociedade pós-Segunda Guerra Mundial, diferente da atual.
Para a coordenadora executiva da Rio+20, Elizabeth Thompson, presente à conferência, a sociedade civil tem importante papel nesse contexto, pressionando os governos. Ela citou movimentos como Ocuppy Wall Street e Primavera Árabe, “que fazem os governos responderem às necessidades do povo”.








Comentar