1. A edição de agosto de 'Cadernos de Saúde Pública' está disponível

    A edição de agosto de 2016 da revista Cadernos de Saúde Pública (volume 32 número 8) problematiza a intenção de estabelecer nexos causais que está no cerne da Epidemiologia como campo científico orientado para o estudo de eventos relacionados à saúde em populações humanas. Na opinião do professor da Universidade federal do Rio de Janeiro, Guilherme L. Werneck, que assina o editorial, inferir causalidade é um desafio que intriga filósofos e cientistas há vários séculos. "Que pesem as substanciais diferenças de abordagens, um aspecto comum àquelas contribuições mais próximas da epidemiologia contemporânea é o pressuposto de que a possibilidade de inferência causal requer aderência aos princípios de validade e precisão em estudos epidemiológicos, e a existência de modelos teórico-operacionais que sustentem as hipóteses causais em questão." Entretanto, diz Werneck, a boa prática de explicitar modelos ou gráficos causais não foi disseminada de forma tão abrangente como seria necessário, talvez porque estes modelos tendam a ser muito difíceis de operacionalizar, dada a complexidade envolvida na determinação do processo saúde-doença em âmbito populacional. Segundo Werneck, a epidemiologia brasileira parece ter caminhado ao largo dos imensos desenvolvimentos metodológicos nesta área. No âmbito internacional, ao contrário, o uso de gráficos causais e de novas estratégias de modelagem no contexto da inferência causal em estudos observacionais é uma área de estudos prolífica desde pelo menos a década de 1980, com forte penetração nos cursos de pós-graduação e principais periódicos de epidemiologia. 

  2. Estudo analisa variação do desempenho hospitalar segundo fontes de pagamento

    No Brasil, a convivência público-privado, no âmbito do financiamento e da prestação dos cuidados em saúde, ganha nítidos contornos na assistência hospitalar. Se por um lado é histórica a dependência do sistema público de saúde do cuidado hospitalar prestado por organizações privadas, com ou sem fins lucrativos, por outro, a consolidação do mercado de planos de saúde privados ampliou a área de atuação do prestador privado. As possíveis combinações entre as fontes de pagamento de internações adotadas pelos hospitais brasileiros, denominadas arranjos de financiamento, podem afetar os resultados do cuidado. Alguns estudos buscam associar a razão de mortalidade hospitalar padronizada (RMHP) a melhorias na qualidade. Pensando nisso, os pesquisadores da ENSP, Iuri da Costa Leite e Monica Martins, em parceria com a pesquisadora da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Juliana Pires Machado, elaboraram o artigo Variação do desempenho hospitalar segundo fontes de pagamento nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, Brasil. A pesquisa aponta iniquidades no resultado do cuidado e destaca o fato de que os esforços voltados para a melhoria da qualidade de serviços hospitalares, independentemente das fontes de pagamento, são prementes.

  3. 'Cadernos': Fazer ciência para aliviar a fadiga humana ou para servir ao poder político-econômico?

    A revista Cadernos de Saúde Pública, de julho (volume 32 número 7), traz, em seu editorial, a opinião do ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e atual diretor do Museu da Amazônia, em Manaus, Ennio Candotti, quanto à recente extinção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ou a fusão com o Ministério das Comunicações. "No fim do ano passado, entre as emendas constitucionais, havia uma que previa a extinção do dever do Estado de promover a pesquisa básica. Um golpe 'branco' articulado por elites, jornais e redes de TV, semelhante ao que elegeu Collor, afastou Dilma da Presidência. Ainda interino, o vice-presidente em exercício, Michel Temer, reformulou as diretrizes de governo para as políticas sociais, de saúde, direitos humanos, indígenas, da Constituição cidadã do Dr. Ulisses. O Ministério de C&T foi novamente extinto. Tentou-se decapitar um símbolo". Segundo Candotti, o dilema dos cientistas, desde tempos antigos, foi o de escolher de que lado se posicionar politicamente: fazer ciência para "aliviar a fadiga humana" ou para servir ao poder político-econômico. Candotti conclui que a Constituição Federal de 1988 sinalizou uma direção, o golpe de 2016 sinaliza outra, contrária. "Fica MCTI" é mais que um mote, simboliza um imperativo ético para os cientistas e cidadãos, é também uma homenagem ao Dr. Ulisses, arremata ele.

  4. Fiocruz comemora centenário de Frederico Simões Barbosa

    O dia de hoje, 27 de julho de 2016, marca o centenário do nascimento do cientista Frederico Simões Barbosa, falecido em março de 2004. Formado em medicina e em história natural - que hoje equivale ao curso de ciências biológicas - Simões Barbosa foi personagem importante na história da saúde pública e da epidemiologia no Brasil, tendo sido um dos primeiros a conduzir estudos epidemiológicos de longa duração no país e com ênfase no trabalho em comunidade. Ela também foi diretor da ENSP, de 1985 a 1989, e um dos fundadores da revista Cadernos de Saúde Pública (CSP). Em comemoração ao centenário daquele que foi o primeiro diretor da Fiocruz Pernambuco, a unidade regional programou dois dias para homenageá-lo: 1º e 2 de setembro. Para tanto serão realizados painéis, exibição de vídeo, exposição e a publicação de um suplemento especial da revista CSP.

  5. 'Cadernos' alerta para o controle da leishmaniose visceral

    O volume 32 número 6 da revista Cadernos de Saúde Pública alerta em seu editorial sobre o controle da leishmaniose visceral (LV) no Brasil, doença de transmissão vetorial com ampla distribuição mundial, ainda que 90% dos casos ocorram em apenas seis países: Índia, Bangladesh, Sudão, Sudão do Sul, Brasil e Etiópia. Desde o início do século XX, quando foi identificada no Brasil e o ciclo de transmissão elucidado, o controle da doença se configurou em um desafio para pesquisadores e profissionais de saúde. Inicialmente descrita como uma endemia rural, a partir da década de 1980 a doença passou por um processo de urbanização e expansão territorial. Entre 2010 e 2014 foram registrados cerca de 17 mil novos casos de LV e mais de 1.100 óbitos. O Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV) do Ministério da Saúde prevê ações para a redução da transmissão e da morbimortalidade. "Apesar dos esforços e dos recursos empenhados para o pleno funcionamento do PVCLV, consolida-se na comunidade científica a percepção de que as ações direcionadas para a redução da transmissão não vêm surtindo o efeito desejado. A LV e o dengue são os principais fracassos no contexto do controle de doenças transmissíveis no país."

  6. Pesquisadores questionam lei que encaminha acidentados para hospitais particulares

    Pessoas feridas em acidentes de trânsito que tenham plano de saúde poderão ser encaminhadas, pelo Corpo de Bombeiros, para atendimento em hospitais particulares. A determinação, que agora consta na lei sancionada pelo governador em exercício Francisco Dornelles, tem a justificativa de desafogar e “minimizar a superlotação” das emergências dos hospitais públicos sem qualquer evidência da experiência ou condição técnica para esse tipo de serviço no sistema privado. Na opinião de especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) que atuam na área, a medida, além de ferir o princípio constitucional e o dever do Estado de assegurar uma assistência adequada, põe em risco a qualidade do atendimento prestado à população. Nesta quinta-feira, a Abrasco também se posicionou por meio da nota Emergência em saúde não é jogo de empurraConfira os depoimentos.

  7. Revista Ciência & Saúde Coletiva está no topo do ranking do Google Acadêmico

    Analítica, crítica e, ao mesmo tempo, extremamente produtiva. A área da Saúde Coletiva consolida sua força como campo produtor de conhecimento, tendo à frente a revista Ciência & Saúde Coletiva, publicada pela Abrasco. A C&SC atingiu o topo do ranking do Google Acadêmico (também conhecido como Google Scholar, na versão em inglês) entre os periódicos científicos editados em língua portuguesa, seguida das parceiras Revista de Saúde Pública, editada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP), e pela Cadernos de Saúde Pública, editada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz). Além de fechar o pódio, demais revistas do campo organizadas no Fórum de Editores de revistas em Saúde Coletiva estão entre as 50 publicações com maior relevância, com postos alcançados na nona colocação (Saúde e Sociedade); 12ª (Revista Brasileira de Epidemiologia – RBE); 20ª (Interface – Comunicação, Saúde e Educação); 33ª (Revista de Epidemiologia e Serviços de Saúde – RESS), e 42ª (Physis). O novo ranking foi divulgado na quarta-feira, 20 de julho, e cobre os artigos publicados entre 2011 e 2015.

  8. 'Cadernos de Saúde Pública' debate sobre Zika na gravidez

    O volume 32 número 5 da revista Cadernos de Saúde Pública enfoca novamente o Zika. Por quê? Para a editora da publicação, Marilia Sá Carvalho, cabe ao CSP defender as políticas que contribuam para a saúde das populações, no caso específico das mulheres frente à infecção pelo vírus Zika na gravidez. Segundo Marilia, na maior parte dos países afetados, o direito ao aborto é extremamente restrito, e os impactos da combinação Zika e aborto ilegal podem ser devastadores. “A epidemia de Zika e a microcefalia saem dos jornais, em parte pela grave crise política que atravessa o país; mas, também pelo sentimento de segurança que a diminuição de casos de Zika traz. Diminuição essa que se obteve graças ao enorme esforço do governo, ao longo dessa mesma crise política, de desencadear uma ação intensiva de combate ao vetor, viabilizada pela rapidez com que, em meio às acusações de açodamento, cientistas brasileiros assumiram que havia evidência suficiente para atribuir à infecção pelo vírus os casos de microcefalia. Não se esperou não haver mais dúvidas para partir para a ação. A sustentabilidade das ações realizadas, com quase 48 milhões de residências visitadas em dois meses, é limitada a longo prazo.” 

  9. 'Cadernos de Saúde Pública' está no Facebook

    A revista Cadernos de Saúde Pública (CSP), publicada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), agora tem uma página no Facebook. Com a iniciativa, o CSP busca não só estender seus canais de comunicação científica, como também ampliar seu público leitor, atrair potenciais submissões e, ainda, melhorar sua visibilidade. "Com a página no Facebook, seguimos a tendência de outras revistas que estão adotando as redes sociais para veicular publicações e intensificar a relação com a comunidade científica. Desejamos expandir nossos canais de comunicação", elucidou Luciana Dias Lima, coeditora chefe do CSP. A ENSP já curtiu essa iniciativa. Curta você também!