1. A vida com microcefalia

    Joselito Alves, 27 anos, técnico de informática. Maria Carolina Flor, 21 anos, estudante de Nutrição. Juntos há quatro anos, os filhos de agricultores analfabetos da cidadezinha de Esperança, na Paraíba, são pais de Gabriel, de dois anos, e de Maria Gabriela, de nove meses. O diagnóstico de microcefalia da caçula surpreendeu os pais e a equipe médica, logo após o parto, em janeiro de 2016. Os olhares enviesados dos profissionais de saúde, a ausência do diagnóstico precoce, os direitos violados e o preconceito enfrentado pelo casal, das ruas aos espaços de decisão da cidade, motivaram a criação do blog Somos Todos Maria Gabriela. 'A vida com microcefalia', matéria que integra o número 170 da Revista Radis traz depoimento de pais de bebê afetada pelo Zika virus que criam blog para relatar negligências e combater desinformação. A página, que já tem mais de 15 mil acessos, traz detalhes do pré-parto, parto e pós-parto, relatos de negligência, a luta da família por direitos, o andamento da formação da associação de familiares de crianças como Gaby, o apoio (e a falta dele) por parte de pesquisadores e profissionais de saúde, curiosidades sobre as sessões de fisioterapia, batizado, visitas recebidas e encontros de que o casal participa para falar do tema. 

  2. ‘Radis’ de novembro: comunicação pública é de todos nós

    edição n°170 de novembro de 2016 da Revista 'Radis', disponível on-line, sai em defesa da comunicação pública por entender que a diversidade de vozes e matizes de interlocutores tenha maiores chances de acontecer nesse espaço de compartilhamento e negociação dos mais diferentes interesses e sentidos, privilegiando o direito humano de comunicar para além do simples acesso à informação, num processo necessariamente dialógico e participativo. Esta concepção de comunicação, de acordo com pesquisadores, especialistas e ativistas ouvidos pela revista, pressupõe a autonomia dos cidadãos e das coletividades numa esfera em que estão presentes tanto o Estado quanto a sociedade. Segundo a Radis, no âmbito do Estado, a comunicação pública só é possível com independência editorial em relação aos governos, quando ela não está a serviço de interesses partidários, só funciona quando os governos estão comprometidos com a autonomia e a pluralidade no processo de comunicação. "No Brasil, a tradição autoritária e patrimonialista do Estado nunca permitiu que houvesse comunicação estatal de interesse público. Sempre resultou, mais cedo ou mais tarde, em comunicação governamental, como demonstra o atual golpe à jovem experiência da Empresa Brasil de Comunicação." Já no âmbito da sociedade, acrescenta o editorial da revista, a comunicação também não será pública enquanto for orientada pelo mercado e o capital, essência da mídia comercial. "A mídia brasileira é um lamentável arremedo de espaço comunicativo, um oligopólio de meia dúzia de famílias dedicado à desinformação e à manipulação. Uma imprensa ultrapartidária que se diz 'neutra', rádios e TVs que se apropriam de concessões públicas sem qualquer regulação séria por parte do Estado ou, principalmente, da sociedade. Esta mídia existe para realizar negócios como a produção da cultura do consumo, a especulação financeira, a apropriação privada dos recursos públicos, a reprodução do modo de produção capitalista e da dominação da classe hegemônica há 500 anos no país", aponta a publicação.

  3. Sono de verdade

    Três da madrugada e a professora Lucicley Modesto de Moura já está de pé. O expediente na Escola Municipal João Esperidião dos Santos, na cidade de Magé, Rio de Janeiro, só começa às sete, mas ela não consegue dormir. Vai arrumar o armário, mudar um móvel de lugar, brincar com o cachorro, porque não consegue dormir. Em volta dela, todos parecem estar em sono profundo, mas ela não consegue dormir. Daqui a pouco o sol vai nascer e ela não consegue dormir. Faz 10 anos que Lucicley não sabe o significado de uma boa noite de sono. Naquela época, passava madrugadas em claro estudando para concluir o curso de Biologia. “Trabalhava de dia e frequentava as aulas à noite. Não tinha outro horário para estudar”, conta. “O sono foi se perdendo. Acho que meu corpo acostumou”. Na segunda reportagem da série, Radis discute aspectos de promoção da saúde, abordando o sono do ser humano, estimulado a dormir cada vez menos.

  4. Centro de Estudos da ENSP discutiu política de comunicação da Fiocruz

    Tratada como área estratégica desde os tempos em que os pioneiros da Fiocruz registravam e publicavam suas expedições científicas, a comunicação da fundação vem passando por uma série de transformações importantes nas últimas décadas, o que fez surgir a necessidade uma política própria para o setor. Em discussão desde junho de 2015, a Política de Comunicação da Fiocruz esteve em consulta pública até o último dia 9 de setembro e agora aguarda que a câmara técnica responsável analise todo conteúdo enviado colaborativamente nesta consulta, para apresentá-lo ao Conselho Deliberativo da Fiocruz. Entre outros eventos em que se discutiu o tema, foi realizado no dia 5 de setembro um debate no Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da ENSP (Ceensp), com a participação de Rogério Lannes, coordenador do programa Radis e do vice-diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz), Rodrigo Murtinho.

  5. ‘Radis’ de outubro alerta contra o colapso do SUS

    A edição n°169 de outubro de 2016 da revista Radis, disponível on-line, alerta para o desmonte da Constituição Federal com redução de recursos para a Saúde e Educação, supressão de direitos trabalhistas e previdenciários e a coerção contra a livre expressão de pensamento crítico, consequência da Proposta de Emenda Constitucional 241, que, se aprovada, congelará despesas primárias como saúde e educação por vinte anos, e levará ao “colapso” do SUS, com o sucateamento e queda na cobertura e na qualidade da oferta em todos os municípios do país, garantem representantes do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde. De acordo com a Radis, a 8ª Conferência Nacional de Saúde consagrou o conceito de saúde como “resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde”, e isso tudo está ameaçado no momento. Os recursos que deveriam garantir os direitos sociais serão realocados “para pagar uma dívida pública impagável, jamais auditada”, protesta o ex-presidente da Fiocruz, Paulo Buss. Dívida e juros que levaram 42% do orçamento da União em 2015, calcula o movimento Auditoria Cidadã da Dívida Pública. “Estaremos em cada trincheira lutando contra aqueles que pensam que o SUS pode ser terminado ou a 8ª Conferência pode ser apagada da memória”, afirmou o diretor da ENSP, Hermano Castro, durante as comemorações dos 30 anos da “Oitava” e 62 anos da Escola.

  6. Materiais discutem uso de crack e questionam estereótipos reforçados pela mídia

    Fábio Araújo, gerente de lanchonete em São Paulo, conta que no fim do dia passa na favela para comprar uma pedra para fumar. “No dia seguinte, tenho responsabilidade de ir trabalhar”. Poliana Alessandra dá café da manhã para os filhos e os manda para a escola antes de varrer as ruas - trabalho que conseguiu por intermédio do programa De Braços Abertos, que promove redução de danos para usuários de drogas na região conhecida como “cracolândia” (ver Radis 158). Diego de Paula chegou à capital paulista com sonhos de uma vida diferente. Atualmente, dorme em um abrigo e reflete sobre solidão e isolamento social. Três personagens reais que fogem do estereótipo de “zumbis”, amplamente associado aos usuários da droga, têm seus depoimentos registrados no documentário Crack - Repensar, lançado em julho.

  7. Ceensp discutiu o trabalho na contemporaneidade e as implicações para o trabalho em saúde

    A chamada reestruturação produtiva, conjunto de mudanças pelas quais passa o mundo do trabalho desde meados do século passado, tem impactado de forma intensa o campo da saúde. Seja para pensar os desafios da produção do cuidado ou para entender como os sistemas de saúde devem responder às novas demandas tecnológicas, é preciso ter em conta esse contexto amplo em que se convive com a flexibilização de leis, intensificação de processos de trabalho, desterritorialização e suas consequentes transformações nas subjetividades e intersubjetividades. Destinos do trabalho na contemporaneidade: implicações para o trabalho em saúde foi o tema do  Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos, da ENSP, do dia 27 de julho. Coordenado por Maria Inês Carsalade Martins, pesquisadora da ENSP,  o debate contou, como palestrantes, com Ana Paula Pereira Marques, da Universidade do Minho e Marilene Castilho de Sá, pesquisadora da Escola.

     

  8. Debate sobre jornalismo crítico e independente marca 62 anos da ENSP

    A escolha pelo tema dos 30 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde para celebrar seus 62 anos de luta pela universalização da Saúde Pública no país foi fundamental para trazer para o debate a questão da comunicação, ou melhor, o papel do jornalismo crítico e independente na construção de uma proposta democrática de saúde. Unindo atores responsáveis pela construção de uma proposta de comunicação em saúde para o país, a mesa-redonda contou com a participação do pesquisador aposentado da ENSP, Álvaro Nascimento, e do editor-chefe do Programa Radis, Rogério Lannes. Coordenada pela pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Janine Miranda Cardoso, a atividade reuniu não apenas o antigo, como também o atual editor-chefe da revista Radis – projeto mais longínquo de comunicação na área da saúde.

  9. Centro de Estudos da ENSP debaterá telhados verdes e seus impactos na saúde e ambiente

    O próximo Centro de Estudos Miguel Murat de Vasconcellos da ENSP terá como tema Telhados verdes e seus impactos na saúde e meio ambiente. A tecnologia é bem simples: o telhado verde consiste basicamente na utilização de recipientes com plantas no topo das residências que objetivam reduzir a temperatura interna do ambiente. Segundo o pesquisador da ENSP e engenheiro civil Renato Castiglia, os benefícios são muitos e qualquer pessoa pode fazer um telhado verde. “Além de proporcionar economia de energia, as plantas retêm água, podendo conter a quantidade de chuvas que chegam ao solo e, consequentemente, reduzir o risco de enchentes”, explica. O Ceensp, marcado para 21 de setembro, às 14 horas, contará com as apresentações de Renato Castiglia e Sylvia Meimaridou Rola, diretora adjunto de extensão da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A atividade, coordenada pelo pesquisador da ENSP Tatsuo Carlos Shubo, é aberta a todos os interessados e não necessita de inscrição prévia. 

  10. Por quem os sinos dobram: mesa debate importância histórica da Oitava e mobilização social hoje

    Era ainda madrugada no interior do Maranhão quando os sinos começaram a tocar. Em poucos minutos, integrantes de 17 sindicatos rurais se encontravam no salão paroquial da igreja local. O motivo da reunião? Discutir saúde. A lembrança daquele momento raro e intenso de participação popular nos debates da saúde pública foram evocadas pelo pesquisador da ENSP Ary Miranda ao iniciar sua fala na mesa "Momento Político e situação da saúde no Brasil no período da Oitava Conferência Nacional de Saúde", realizada no primeiro dia da semana de aniversário da Escola. O debate, coordenado pela vice-diretora de ensino da ENSP, Tatiana Wargas, contou também com a participação de Arlindo Fábio de Sousa, superintendente do Canal Saúde da Fiocruz e, à época, integrante do comitê assessor da Oitava junto com Ary Miranda. Mais do que trazer de volta antigas recordações, a intenção do evento foi promover uma reflexão sobre o que esse importante acontecimento da vida nacional, que se deu no contexto da redemocratização dos anos 1980, pode nos fornecer como armas para as constantes lutas por uma saúde que atenda às necessidades da sociedade brasileira.