1. PEC 241 ou o fim do SUS e da escola pública

    Leitos de hospitais fechados, aumento das filas para tratamentos, exames e internações, falta de vacinas, deterioração de unidade e postos de saúde, escolas superlotadas, falta de professores, de creches, de merenda, de vagas nas universidades. Este quadro poderia ser uma simples previsão pessimista considerando as dificuldades que a população brasileira já enfrenta hoje na educação e na saúde públicas, mas, segundo diversos pesquisadores, não se trata de um mero exercício de imaginação, mas sim da descrição objetiva do que vai acontecer caso a PEC 241/2016, a chamada PEC dos gastos, enviada pelo governo Temer ao Congresso, seja aprovada. O pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea), Carlos Ocké Reis, é taxativo: “A PEC significa uma redução tão grande de recursos que inviabiliza a manutenção do SUS. Se hoje em dia tem pouco [recurso], amanhã não vai ter nada”. O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), Luiz Araújo, concorda: “Se eu já tenho uma creche precária, ou se tenho um serviço precário de saúde, o máximo que eu vou conseguir é atualizar os preços dessa precariedade. Significa o congelamento dos serviços atuais. Então, a expansão para cobrir o crescimento da população a gente não vai ter”, reforça.

  2. Luta pelo SUS ganha novas forças

    A plenária em defesa do SUS, realizada no dia 13/9, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), selou o compromisso dos principais movimentos que vêm convocando as mobilizações contra o governo Temer referente à pauta da saúde. A Frente Povo Sem Medo, a Frente Brasil Popular e a Frente de Esquerda Socialista compuseram a mesa do evento e, junto com a Frente Nacional contra Privatização da Saúde, destacaram a importância de defender o SUS como um sistema universal, administrado pelo Estado, gratuito e de qualidade para toda a população.

  3. Pensar e Construir o Futuro: Saúde Amanhã

    Muitos admitem que tempos de instabilidade não permitem exercícios sobre o longo prazo. Frases que sublinham inescrutabilidade do futuro, tamanhas as incertezas que o cercam, do tipo "apenas sei que amanhã estaremos todos mortos", atribuem a tempos como esses que o Brasil trafega no ano de 2016 a confirmação de suas proposições. Fracassos nas projeções econômicas só fazem forçar essas teses. Entretanto, esquecem-se de que pensar sobre o futuro é radicalmente distinto de prever o futuro, embora para diversas dimensões econômicas, políticas e sociais, graus de maior previsibilidade também possam ser esboçados. Pensar o futuro, na realidade, é construir um programa de ação. E como disse Gramsci, prever pode significar "somente ver bem o presente e o passado enquanto movimento: ver bem, isto é, identificar os pontos fundamentais e permanentes no processo". Talvez possamos afirmar que seja justamente em períodos de alta turbulência que se torne mais necessária a afirmação de horizontes desejáveis, para que, cessada a tormenta, não tenhamos perdido o rumo de nosso destino.

  4. Cesteh discute agenda de ajustes enquanto governo interino assume cargo sem votação

    Em 31/8, no mesmo momento em que dezenas de pesquisadores discutiam as novas e tenebrosas perspectivas para a saúde, contidas no Projeto Ponte para o Futuro do - até aquele momento - presidente interino do Brasil, ocorria, no Senado Federal, a votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Durante o evento Encontros do Cesteh, que debatia, não por acaso, o tema Políticas de Saúde na atualidade: privatizações na saúde e desmonte do SUS, a palestrante convidada Maria Inês Bravo defendia a importância da luta organizada em defesa dos direitos sociais e, em especial, a necessidade de manter a força de mobilização dos movimentos sociais. Às 13h37, o sombrio cenário se confirmou. Mesmo não tendo sido eleito pelo voto popular, Michel Temer se tornou presidente da República na dita ‘democracia’ que vivemos. "Devemos lutar contra esse recuo civilizatório", falou Inês, convocando toda a população.

  5. No rastro da nova direita

    "Aumentou o número de militantes de direita que fazem trabalho de base”. A observação é da doutoranda em Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP), Camila Rocha. De fato, até pouco mais de dois anos atrás, pensar em protestos no Brasil remetia a trabalhadores organizados, sindicatos ou movimentos sociais e alguns partidos políticos reivindicando direitos. A esquerda, num sentido amplo, era quase hegemônica na pauta desses grupos. Se a direita tradicional brasileira nos últimos tempos praticamente não deixava seus escritórios para operar a política, os novos grupos que ganharam visibilidade nas mobilizações pelo impeachment tiveram a capacidade de movimentar massas que fizeram das ruas um espaço de pressão e demonstração de forças. Reunidos sob o guarda-chuva da retirada de Dilma Rouseff da presidência, e com os aplausos dos partidos tradicionais da direita, as manifestações deram lugar a uma gama de pleitos em gradações diversas de conservadorismo – da intervenção militar ao Estado mínimo, passando por distorções caricatas do Partido dos Trabalhadores (PT) e da esquerda no país. Mas trata-se de uma nova direita? Seguindo os rastros dos principais grupos e ouvindo pesquisadores, a Poli mostra, nesta reportagem, que a resposta não é tão simples.

  6. Mais planos de saúde pra quê? Pesquisadora da ENSP comenta proposta de planos acessíveis de saúde

    O programa Sala de Convidados, do Canal Saúde, recebeu, mais uma vez, a pesquisadora da ENSP Isabela Santos para falar sobre os planos de saúde acessíveis. Ela debateu a questão correlacionando a proposta ao projeto do governo de subfinanciamento e fragmentação do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecimento do setor privado. Além de Isabela, foram convidados do programa o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, Nelson Nahon, e o professor e pesquisador da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), Felipe Machado. Na opinião de Isabela, a proposta dos novos planos de saúde a baixo custo causará maior iniquidade no sistema. “O SUS ficará com as filas mais longas, a busca será pelos procedimentos mais caros e complexos. Com isso, haverá grande desigualdade das pessoas que acessam o sistema. Quase 90% da população, que são os pobres, usarão o que é pior do SUS, e os mais ricos usarão seus planos de saúde e o SUS para o que lhes interessar”, considerou ela. 

  7. Beta e Tupi: o Julgamento Dilma

    O personagem Tupinanquim, do escritor e desenhista Erick Artmann, ilustra o especial #souMinistériodaSaúde #souSUS desta semana. Na historinha, ele e sua colega Beta se manifestaram diante do resultado do julgamento do impeachment no senado, em 31 de agosto de 2016, que cassou o mandato da presidente re-eleita pelo voto direto em 2014. A explicação da Beta sobre a acusação e sobre a defesa, bem como o sentimento representado no último quadrinho, resumem e refletem a posição e o sentimento do autor, e de alguns milhões de brasileiros que não se convenceram com a tese muito mal explicada da acusação, lamentavelmente aceita pela maioria dos senadores que atuaram como juízes. Confira.

  8. 'SUS: hoje e amanhã' é o tema do Sala de Convidados

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou uma mesa redonda com o objetivo de discutir os desafios e ameaças ao Sistema Único de Saúde (SUS) intitulada "SUS: o que é e o que poderá ser na atual conjuntura". O evento, promovido pela Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e coordenado pela pesquisadora da COC/Fiocruz, Tania Fernandes, aconteceu no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro, e contou com as participações do ex-ministro da Saúde e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), José Gomes Temporão; do vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Nilton Pereira Junior, e do médico sanitarista do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ruben de Araújo Mattos. Nesta terça-feira (6/9) o Sala de Convidados traz para a tela do Canal Saúde as discussões iniciadas na mesa redonda na edição com o tema "SUS: hoje e amanhã". O programa vai ao ar, ao vivo, às 11h.

  9. Pesquisa elabora questionário para saber o que o cidadão conhece sobre o SUS e os planos do novo governo

    A iniciativa Região e Redes: Caminho da universalização da saúde no Brasil é fruto da pesquisa Políticas, planejamento e a gestão das regiões e redes de atenção à saúde no Brasil, que busca identificar as condições que estejam favorecendo ou dificultando a regionalização nos estados e a conformação das redes de atenção à saúde. Com isso, eles pretendem permitir a compreensão dos possíveis entraves à diminuição das desigualdades na universalização da saúde no Brasil. A pesquisa, que conta com cerca de 80 pesquisadores em todo o país, está realizando uma enquete para saber o quanto os cidadãos usam e conhecem do SUS e também o que conhecem acerca das propostas do governo Temer. O formulário de respostas é feito na ferramenta Google Docs e pode ser respondido aqui.