1. Estudo explora como a incidência de dengue varia em função da idade e difere nas capitais brasileiras

    Com o propósito de caracterizar o padrão de incidência de dengue ao longo do tempo, segundo a faixa etária, no período de 2007 a 2012 nas capitais estaduais brasileiras, a aluna do mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP, Rayane Cupolillo Ferreira desenvolveu sua dissertação sob a orientação das pesquisadoras Paula Mendes Luz e Cláudia Torres Codeço. As capitais selecionadas, segundo a maior taxa de incidência entre as séries de dengue e dengue grave por faixa etária, em cada região do país para modelagem estatística, foram: Rio Branco, Aracaju, Cuiabá, e Vitória. As capitais pertencentes à região sul do país mantiveram suas curvas de incidência próximas de zero, tendo sido excluídas desta etapa da análise. De acordo com a pesquisa, há maior ocorrência de dengue entre os indivíduos com 15 anos ou mais quando comparados com o grupo de idade inferior, em 3 das 4 capitais (Rio Branco, Aracaju e Vitória). Adicionalmente, como a presença do termo de interação dos grupos etários ao longo do tempo foi significativa para as capitais estudadas, o estudo sugere que, há possibilidade de um deslocamento do padrão etário nas taxas de incidência de dengue no período observado. Além disso, não há diferenças significativas entre as curvas de incidência de dengue grave em Rio Branco, Cuiabá e Vitória para as diferentes faixas etárias no período observado, com exceção de Aracaju, cujas curvas de incidência foram significativamente diferentes para os grupos etários em questão com maior expressão de dengue grave entre os menores de 15 anos.

  2. Estudo da ENSP aborda relações trabalho-saúde

    “Ainda que a Fiocruz seja um espaço de construção e disseminação de conhecimento do campo conceitual e político da Saúde do Trabalhador (ST), no cotidiano das práticas, encontra dificuldades para implementar ações sob essa perspectiva. Apesar de alguns avanços na constituição de um trabalho multiprofissional, ainda há muito que se avançar, havendo pouca integralidade, dificultando ações interdisciplinares e participativas. Além disso, é observado que há dificuldades de incorporar a concepção do trabalhador como agente transformador da realidade que lhe causa dano.” Foi o que concluiu a aluna Maria Cristina Jorge de Carvalho em sua dissertação de mestrado em Saúde Pública da ENSP. Ela indica um caminho para que as práticas de saúde no trabalho sejam executadas sob a perspectiva do campo conceitual da ST: a construção de políticas institucionais não somente abarcando o que a legislação menciona, mas considerando as especificidades de cada instituição, avançando no conceito da ST, com todos os eixos que o campo preconiza. Maria Cristina ainda aponta a necessidade de maior articulação entre setores intra e interinstitucionais, ações de vigilância e, também, a promoção da participação e o diálogo com os trabalhadores, visando à melhoria dos processos e aperfeiçoamento das condições de trabalho. A eliminação/minimização das relações de trabalho tensas e desgastantes também está incluída, ressalta.

  3. Consumo de crack por mulheres é tema de pesquisa da ENSP

    Analisar os significados desenvolvidos por profissionais de Consultórios na Rua da Cidade do Rio de Janeiro sobre o consumo de crack por mulheres foi o objetivo da dissertação do aluno de mestrado em Saúde Pública da ENSP, Gilney Costa Santos. Ele explicou que, para os profissionais das equipes de Consultórios na Rua sobre o crack, essas definições são atravessadas por mitos, crenças e estereótipos, por vezes, ancorados na percepção empírica. “O uso de crack mobiliza o imaginário social e, em torno dele, discursos, práticas e políticas são socialmente produzidos e compartilhados. Embora, nem sempre consensuais, tais produções conformam identidades e lugares sociais aos sujeitos.” Em relação à rede de atenção psicossocial, a pesquisa aponta que os serviços mostram-se insuficientes frente à complexidade que demanda o cuidado à saúde de usuários de álcool e outras drogas. No caso das mulheres que consomem o crack, quando não ficam invisíveis diante das políticas públicas de enfrentamento ao uso de crack, são reduzidas à esfera reprodutiva.