1. Dengue: estudo da ENSP identifica problemas na APS do RJ

    A dengue é considerada uma das doenças de maior incidência nas regiões intertropicais ao redor do planeta, um importante problema de saúde pública. A porta de entrada preferencial para atendimento da pessoa com suspeita de dengue é a Atenção Primária. Para analisar a adequação desses serviços localizados nos bairros da Área de Planejamento 33/RJ (bairros limites são Vila da Penha, Vicente de Carvalho, Cascadura, Pavuna, Campinho, Guadalupe), foi desenvolvida uma dissertação de mestrado de Epidemiologia em Saúde Pública pela aluna Danielle Amaral de Freitas com orientação do pesquisador Reinaldo Souza dos Santos. No período estudado pela aluna (2011 a 2012), ocorreram 896 internações entre residentes da AP 33, ou seja, quase 2% dos pacientes notificados foram hospitalizados. "A maioria dos residentes da área foi notificada antes do 4° dia do início dos sintomas, sugerindo que essas pessoas com suspeita de dengue estão sendo acolhidas nos serviços de saúde em tempo oportuno, e poderiam receber orientações sobre sinais de alarme e riscos de agravamento do quadro antes do período crítico." O estudo aponta que a maioria não possui cobertura de Estratégia de Saúde da Família, o que permitiria melhor acesso aos serviços de saúde, bem como mais ações intersetoriais.

  2. Deficientes visuais têm dificuldades de acesso a tratamento especializado

    Os obstáculos presentes no acesso ao atendimento especializado em oftalmologia no Sistema Único de Saúde (SUS) demonstram como as barreiras de acesso e de continuidade para o tratamento oftalmológico estão presentes tanto na rede pública de saúde estadual como nos serviços privados (planos ou particulares). Essa é a abordagem do estudo da aluna do mestrado em Saúde Pública Natália Carvalho de Lima, cuja dissertação, orientada pela pesquisadora Tatiana Wargas de Faria, descreve o itinerário terapêutico de pacientes assistidos no Instituto Benjamin Constant (IBC), Centro de Referência Nacional na Área da Deficiência Visual no Rio de Janeiro vinculado ao Ministério da Educação. "A demanda existe, mas não há organização do atendimento especializado, excluindo diversos usuários que necessitam de assistência integral. Os pacientes que optaram por buscar serviços de saúde do SUS depararam-se com as dificuldades relacionadas a aspectos físicos e organizacionais da assistência como fila de espera, longo tempo para agendar consulta, ausência de oftalmologista em postos de atendimento e precarização dos equipamentos, o que contribui para busca por outro serviço de saúde", explicou.

  3. Pesquisa analisa assistência farmacêutica na AB e Programa Farmácia Popular

    "As políticas farmacêuticas no Brasil têm se pautado pelo acesso aos medicamentos, que atualmente pode ser considerado alto, e deixado questões fundamentais para a consolidação de um sistema de saúde universal e redistributivo, como os altos e regressivos gastos privados com medicamentos, a falta de qualificação dos serviços farmacêuticos - com foco na distribuição de medicamentos em detrimento do cuidado -, e a péssima regulação do setor privado, que permanece como a principal fonte de acesso à medicamentos no Brasil." Essa discussão foi encadeada pelo aluno do mestrado em Saúde Pública da ENSP Leonardo Vidal Mattos, em sua dissertação orientada pela pesquisadora Vera Lucia Luiza. O estudo buscou caracterizar e analisar a interação entre as duas políticas - Aqui Tem Farmácia Popular do Brasil (ATFP) e a Assistência Farmacêutica à Atenção Básica (Afab) - e situá-las em um contexto mais amplo de desafios e disputas em curso no Sistema Único de Saúde (SUS).