1. Brasil deve modificar cultura de assistência ao parto

    O Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, coordenado pela ENSP/Fiocruz, busca conhecer os determinantes, a magnitude e os efeitos da cesariana desnecessária em puérperas e recém-nascidos brasileiros, bem como descrever a motivação das mulheres para a opção pelo tipo de parto e as complicações médicas durante o período do puerpério. A pesquisa, iniciada em fevereiro de 2011 e coordenada pela pesquisadora da Escola Maria do Carmo Leal, pretende ouvir 24 mil puérperas em todo o país. Entre os resultados observados até o momento está a melhora na saúde das crianças brasileiras. Como ponto negativo, o estudo observa os altos índices de óbito no momento do parto. "No Brasil, as mulheres são medicalizadas para ter seu trabalho de parto acelerado. Temos que devolver a elas a possibilidade de parir no ritmo do seu corpo e da sua emoção", admite Maria do Carmo Leal.

  2. Pesquisa analisa impacto dos retrovirais no Brasil

    Primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Prevenção contra o HIV/Aids. Entretanto, os usuários de drogas não têm muito a comemorar, uma vez que eles têm cerca de duas vezes mais chances de ir a óbito proveniente da doença quando comparados aos homossexuais e bissexuais. Esta é apenas uma das diversas constatações apresentadas na pesquisa O impacto do acesso gratuito e universal à terapia antirretroviral no Brasil: análise de sobrevida, desenvolvida pela pesquisadora da ENSP/Fiocruz Monica Malta. No trabalho, Monica ressalta que ainda são precisos muitos esforços para tentar trazer os pacientes cada vez mais cedo para o serviço, a fim de se obter um diagnóstico precoce, principalmente nos grupos com prevalências mais altas da doença.

  3. Pesquisa aponta taxas de violência e acidentes no país

    Estudo da pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos em Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves/ENSP) Edinilsa Ramos de Souza traça um panorama sobre a situação das violências ocorridas no Brasil. Entre os resultados, Edinilsa destaca que "de 2000 a 2008 os estados que apresentaram as mais altas taxas de homicídios por região do país foram Roraima, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná e Mato Grasso". A pesquisadora afirma ainda que são necessárias análises mais profundas utilizando ferramentas estatísticas e com a inclusão de outras variáveis, como, por exemplo, sexo, raça/cor, entre outros. O trabalho ressalta também a necessidade do desenvolvimento de novos estudos qualitativos que sejam capazes de avaliar a qualidade das informações divulgadas sobre os índices de violência no país.

  4. Pesquisa apresenta panorama da saúde indígena

    Estudo da ENSP, cujos resultados foram apresentados durante o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, promovido pela Abrasco, mostra que a realidade indígena brasileira ainda é muito preocupante. O pesquisador Carlos Coimbra (Densp/ENSP/Fiocruz) revelou que cerca de 50% das mulheres indígenas sofrem de anemia grave e, entre as crianças, esse número chega a 66% na região Norte. Além disso, 15,7% das mulheres indígenas do país são obesas e 30,2% delas apresentam sobrepeso. "O índio no Brasil sofre com uma grande carga de doenças, com a dificuldade de acesso e a baixa qualidade da atenção médica recebida, pois, mesmo nas periferias mais pobres das cidades brasileiras, índices como esses não são encontrados entre a população não índia", afirmou.

  5. Epi2011 discute importância da carga global de doenças

    Na palestra Estudos de carga global de doenças no Brasil: desafios e perspectivas, apresentada durante o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em São Paulo, o pesquisador Joaquim Valente (Demqs/ENSP/Fiocruz) explicou que a carga global de doença (CGD) é um método proposto para quantificar a carga de mortes prematuras e de eventos não fatais. Segundo ele, "esse indicador-síntese de morbidade e mortalidade permite ordenar as doenças, verificar a prevalência delas, a frequência com que podem ocorrer, entre outras coisas". Valente falou ainda sobre a necessidade de uma melhor organização dos dados existentes no País e uma maior articulação dos sistemas usados para que possam conversar entre si.

  6. Determinantes Sociais da Saúde é destaque no Epi2011

    "As iniquidades são desigualdades evitáveis. Portanto, qualquer política que aumente a desigualdade é considerada injusta, pois poderia ter sido evitada", disse o diretor do International Institute for Society and Health, de Londres, Michael Marmot, na Conferência Fair Society: health lives, realizada no VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em São Paulo. Em outra mesa-redonda, o tema dos Determinantes Sociais da Saúde e suas perspectivas foi abordado pelo coordenador do Centro de Estudos, Política e Informação sobre os Determinantes Sociais da Saúde (Cepi-DSS/ENSP/Fiocruz), Alberto Pellegrini. Segundo ele, a maior contribuição da Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde, realizada em outubro no Rio de Janeiro, foi a construção de documentos norteadores, como a Declaração Política do Rio sobre os Determinantes Sociais da Saúde, que busca combater as iniquidades em saúde, com foco em ações baseadas nos DSS.

  7. Abertura do Epi2011 lota auditório em São Paulo

    Dentre todos os lugares do mundo, o Brasil foi o único país com mais de 100 milhões de habitantes que assumiu o desafio de construir um sistema de saúde nacional, público e gratuito, para toda a sua população", declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a cerimônia de abertura do VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia (Epi2011). Ele afirmou, ainda, que vivemos um momento de grandes desafios, como o rápido envelhecimento da população, a epidemia de crack, o elevado número de morte de jovens, principalmente negros, e o alto índice de acidentes de trânsito. Sobre a economia, Padilha ressaltou que nenhum país do mundo enriqueceu sem ter a saúde como centro de seu projeto econômico de desenvolvimento. Também presente na mesa de abertura, o presidente da Associação Brasileira de Pós-Graduação (Abrasco), Luiz Augusto Facchini, foi aplaudido quando afirmou que não basta mais evidenciar que o SUS é bom para os pobres: "Sem um sistema público realmente único e qualificado o Brasil não se tornará rico, mas, sim, um país desigual."

  8. Estudos recentes sobre câncer na pauta do congresso

    Com o objetivo de divulgar estudos recentes na área do câncer, o pesquisador Sergio Koifman, do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos (Demqs/ENSP), e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola, apresentou o trabalho História familiar de câncer e câncer de mama em mulheres jovens no Rio de Janeiro, na sessão de comunicação coordenada Epidemiologia do câncer, do VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia, em São Paulo. Koifman esteve presente no painel Epidemiologia molecular e falou sobre a leucemia em lactantes.

  9. Epi2011: SP recebe mais um congresso da Abrasco

    No domingo (13/11), começa em São Paulo o VIII Congresso Brasileiro de Epidemiologia (Epi2011), promovido pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). Essa edição, que termina em 16/11, terá como tema central o debate sobre a epidemiologia e seu papel na definição de políticas públicas e sua articulação ao conjunto das demais disciplinas do campo da Saúde Coletiva. O evento está dividido entre conferências, palestras, mesas redondas, painéis, debates e comunicações coordenadas, e a solenidade de abertura terá como expositor o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa da Silva Júnior, que abordará o tema As contribuições da epidemiologia para a construção do SUS.