1. A edição de agosto de 'Cadernos de Saúde Pública' está disponível

    A edição de agosto de 2016 da revista Cadernos de Saúde Pública (volume 32 número 8) problematiza a intenção de estabelecer nexos causais que está no cerne da Epidemiologia como campo científico orientado para o estudo de eventos relacionados à saúde em populações humanas. Na opinião do professor da Universidade federal do Rio de Janeiro, Guilherme L. Werneck, que assina o editorial, inferir causalidade é um desafio que intriga filósofos e cientistas há vários séculos. "Que pesem as substanciais diferenças de abordagens, um aspecto comum àquelas contribuições mais próximas da epidemiologia contemporânea é o pressuposto de que a possibilidade de inferência causal requer aderência aos princípios de validade e precisão em estudos epidemiológicos, e a existência de modelos teórico-operacionais que sustentem as hipóteses causais em questão." Entretanto, diz Werneck, a boa prática de explicitar modelos ou gráficos causais não foi disseminada de forma tão abrangente como seria necessário, talvez porque estes modelos tendam a ser muito difíceis de operacionalizar, dada a complexidade envolvida na determinação do processo saúde-doença em âmbito populacional. Segundo Werneck, a epidemiologia brasileira parece ter caminhado ao largo dos imensos desenvolvimentos metodológicos nesta área. No âmbito internacional, ao contrário, o uso de gráficos causais e de novas estratégias de modelagem no contexto da inferência causal em estudos observacionais é uma área de estudos prolífica desde pelo menos a década de 1980, com forte penetração nos cursos de pós-graduação e principais periódicos de epidemiologia. 

  2. Estudo explora como a incidência de dengue varia em função da idade e difere nas capitais brasileiras

    Com o propósito de caracterizar o padrão de incidência de dengue ao longo do tempo, segundo a faixa etária, no período de 2007 a 2012 nas capitais estaduais brasileiras, a aluna do mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP, Rayane Cupolillo Ferreira desenvolveu sua dissertação sob a orientação das pesquisadoras Paula Mendes Luz e Cláudia Torres Codeço. As capitais selecionadas, segundo a maior taxa de incidência entre as séries de dengue e dengue grave por faixa etária, em cada região do país para modelagem estatística, foram: Rio Branco, Aracaju, Cuiabá, e Vitória. As capitais pertencentes à região sul do país mantiveram suas curvas de incidência próximas de zero, tendo sido excluídas desta etapa da análise. De acordo com a pesquisa, há maior ocorrência de dengue entre os indivíduos com 15 anos ou mais quando comparados com o grupo de idade inferior, em 3 das 4 capitais (Rio Branco, Aracaju e Vitória). Adicionalmente, como a presença do termo de interação dos grupos etários ao longo do tempo foi significativa para as capitais estudadas, o estudo sugere que, há possibilidade de um deslocamento do padrão etário nas taxas de incidência de dengue no período observado. Além disso, não há diferenças significativas entre as curvas de incidência de dengue grave em Rio Branco, Cuiabá e Vitória para as diferentes faixas etárias no período observado, com exceção de Aracaju, cujas curvas de incidência foram significativamente diferentes para os grupos etários em questão com maior expressão de dengue grave entre os menores de 15 anos.

  3. Participação social e gestão participativa são abordados em pesquisa em Manguinhos

    Com o objetivo de fortalecer o tema da cidadania para a população de Manguinhos por meio do estímulo à participação social e à gestão participativa para a territorialização de políticas públicas, foi realizado o projeto Participação e Intersetorialidade: desenvolvimento de estratégias locais para a Promoção da Saúde no Teias-Escola Manguinhos. A pesquisa integra a iniciativa da Vice-Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência (VPPLR/Fiocruz), elaborada no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Saúde Pública da Fiocruz (PDTSP/Teias): Portfólio Rede de Pesquisa no Território de Manguinhos - uma parceria entre academia, serviços de saúde e sociedade civil. A pesquisadora da ENSP responsável pelo projeto é Mayalu Mattos, do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli. Na publicação, ela ressaltou que o PDTSP-Teias propiciou a continuação de projetos anteriores, nos quais já atuava desde o ano de 2005, quanto ainda representava a Assessoria de Cooperação Social da ENSP.

  4. Seminário apresentará pesquisa sobre doença respiratória aguda em crianças Guarani

    A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) promoverá, na quarta-feira, 3 de agosto, o seminário de devolutiva do projeto Doença respiratória aguda e fatores associados em crianças Guarani menores de um ano de idade: um estudo em coorte de nascimentos indígenas no Sul e Sudeste do Brasil, financiado com recursos da segunda edição do Programa Inova ENSP. Coordenado pelo pesquisador do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/ENSP) Andrey Moreira Cardoso, o projeto teve por objetivo analisar a magnitude das doenças respiratórias agudas e de fatores associados no primeiro ano de vida em nascimentos ocorridos nos anos de 2012 e 2013 na etnia Guarani, residente nos litorais Sul e Sudeste do Brasil. Segundo o pesquisador, o estudo buscou, ainda, estruturar um sistema de vigilância de doença respiratória aguda nas aldeias litorâneas de ocupação da etnia. A apresentação, aberta a todos os interessados, ocorrerá às 14 horas no salão internacional da ENSP.

  5. Estudo da ENSP aborda relações trabalho-saúde

    “Ainda que a Fiocruz seja um espaço de construção e disseminação de conhecimento do campo conceitual e político da Saúde do Trabalhador (ST), no cotidiano das práticas, encontra dificuldades para implementar ações sob essa perspectiva. Apesar de alguns avanços na constituição de um trabalho multiprofissional, ainda há muito que se avançar, havendo pouca integralidade, dificultando ações interdisciplinares e participativas. Além disso, é observado que há dificuldades de incorporar a concepção do trabalhador como agente transformador da realidade que lhe causa dano.” Foi o que concluiu a aluna Maria Cristina Jorge de Carvalho em sua dissertação de mestrado em Saúde Pública da ENSP. Ela indica um caminho para que as práticas de saúde no trabalho sejam executadas sob a perspectiva do campo conceitual da ST: a construção de políticas institucionais não somente abarcando o que a legislação menciona, mas considerando as especificidades de cada instituição, avançando no conceito da ST, com todos os eixos que o campo preconiza. Maria Cristina ainda aponta a necessidade de maior articulação entre setores intra e interinstitucionais, ações de vigilância e, também, a promoção da participação e o diálogo com os trabalhadores, visando à melhoria dos processos e aperfeiçoamento das condições de trabalho. A eliminação/minimização das relações de trabalho tensas e desgastantes também está incluída, ressalta.

  6. Pesquisa sistematiza projetos da Rede PDTSP-Teias Manguinhos

    Buscando saber em que medida o Programa de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica em Saúde Pública da Fiocruz (PDTSP/Teias) havia conseguido avançar em sua proposta teórico-metodológica, no que se refere ao enfoque ecossistêmico em saúde, o pesquisador da ENSP Carlos Machado de Freitas e a aluna Tais de Moura Ariza Alpino trabalharam na sistematização de todas as iniciativas dessa Rede de pesquisa. Os resultados dessa ação estão publicados no Portfólio Rede de Pesquisa no Território de Manguinhos - uma parceria entre academia, serviços de saúde e sociedade civil, lançado pela Vice-Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência (VPPLR/Fiocruz). Segundo Carlos Machado, o objetivo do PDTSP é desenvolver novos conhecimentos sobre a relação saúde-ambiente, tendo como foco realidades concretas, de forma a permitir a implantação de ações apropriadas e saudáveis das pessoas e para as pessoas que lá vivem. 

  7. Seminário apresentará pesquisa sobre doença respiratória aguda em crianças Guarani

    A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) promoverá, na quarta-feira, 3 de agosto, o seminário de devolutiva do projeto Doença respiratória aguda e fatores associados em crianças Guarani menores de um ano de idade: um estudo em coorte de nascimentos indígenas no Sul e Sudeste do Brasil, financiado com recursos da segunda edição do Programa Inova ENSP. Coordenado pelo pesquisador do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/ENSP) Andrey Moreira Cardoso, o projeto teve por objetivo analisar a magnitude das doenças respiratórias agudas e de fatores associados no primeiro ano de vida em nascimentos ocorridos nos anos de 2012 e 2013 na etnia Guarani, residente nos litorais Sul e Sudeste do Brasil. Segundo o pesquisador, o estudo buscou, ainda, estruturar um sistema de vigilância de doença respiratória aguda nas aldeias litorâneas de ocupação da etnia. A apresentação, aberta a todos os interessados, ocorrerá às 14 horas no salão internacional da ENSP.

  8. Livro analisa condições de vida dos presos do Estado do Rio de Janeiro

    O dia a dia de homens e mulheres encarcerados no Estado do Rio de Janeiro é o ponto de partida de Deserdados Sociais: condições de vida e saúde dos presos do Estado do Rio de Janeiro. Na pesquisa que originou o livro, por meio de entrevistas, avaliações e observações, os autores identificaram as condições sociais e de saúde dos presos e verificaram de que forma o ambiente das unidades prisionais impacta a saúde e a qualidade de vida dos detentos. Para as organizadoras, as pesquisadoras do Departamento de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/ENSP/Fiocruz) Maria Cecília de Souza Minayo e Patricia Constantino, o livro evoca, desde o título, a discussão sobre as desigualdades, as iniquidades e a violência social, que, entranhadas na realidade brasileira, expressam-se radicalmente na situação de encarceramento.

  9. 'Cadernos' alerta para o controle da leishmaniose visceral

    O volume 32 número 6 da revista Cadernos de Saúde Pública alerta em seu editorial sobre o controle da leishmaniose visceral (LV) no Brasil, doença de transmissão vetorial com ampla distribuição mundial, ainda que 90% dos casos ocorram em apenas seis países: Índia, Bangladesh, Sudão, Sudão do Sul, Brasil e Etiópia. Desde o início do século XX, quando foi identificada no Brasil e o ciclo de transmissão elucidado, o controle da doença se configurou em um desafio para pesquisadores e profissionais de saúde. Inicialmente descrita como uma endemia rural, a partir da década de 1980 a doença passou por um processo de urbanização e expansão territorial. Entre 2010 e 2014 foram registrados cerca de 17 mil novos casos de LV e mais de 1.100 óbitos. O Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV) do Ministério da Saúde prevê ações para a redução da transmissão e da morbimortalidade. "Apesar dos esforços e dos recursos empenhados para o pleno funcionamento do PVCLV, consolida-se na comunidade científica a percepção de que as ações direcionadas para a redução da transmissão não vêm surtindo o efeito desejado. A LV e o dengue são os principais fracassos no contexto do controle de doenças transmissíveis no país."

  10. Consumo de crack por mulheres é tema de pesquisa da ENSP

    Analisar os significados desenvolvidos por profissionais de Consultórios na Rua da Cidade do Rio de Janeiro sobre o consumo de crack por mulheres foi o objetivo da dissertação do aluno de mestrado em Saúde Pública da ENSP, Gilney Costa Santos. Ele explicou que, para os profissionais das equipes de Consultórios na Rua sobre o crack, essas definições são atravessadas por mitos, crenças e estereótipos, por vezes, ancorados na percepção empírica. “O uso de crack mobiliza o imaginário social e, em torno dele, discursos, práticas e políticas são socialmente produzidos e compartilhados. Embora, nem sempre consensuais, tais produções conformam identidades e lugares sociais aos sujeitos.” Em relação à rede de atenção psicossocial, a pesquisa aponta que os serviços mostram-se insuficientes frente à complexidade que demanda o cuidado à saúde de usuários de álcool e outras drogas. No caso das mulheres que consomem o crack, quando não ficam invisíveis diante das políticas públicas de enfrentamento ao uso de crack, são reduzidas à esfera reprodutiva.