ENSP é premiada por trabalhos sobre serviços de saúde

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ap_premio_maior.jpgTrês trabalhos da Escola Nacional de Saúde Pública foram premiados durante a 1ª Mostra de Produção Científica da Área Programática 3.1, que reuniu acadêmicos de diferentes áreas para apresentar trabalhos científicos voltados para o serviço de saúde. Fernanda Nunes Marques Alves, Alan Teixeira Lima, Daniella Fernanda Oliveira Soares e Claudia Regina dos Santos Cerqueira, ex-alunos do Curso de Especialização em Saúde da Família nos Moldes da Residência foram os vencedores da categoria profissional de saúde, enquanto Maria Antonia Silva Costa, Agente de Dependência Química da equipe de Saúde da Família de Mandela de Pedra em Manguinhos, e Cristiane Vieira da Silva Chaves, da equipe de odontologia do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria, receberam uma premiação especial pelo trabalho desenvolvido na comunidade de Manguinhos, no redor do Campus da Fiocruz.

Construção de Ferramentas para atividades de educação em saúde bucal na estratégia saúde da família Manguinhos Rio de Janeiro

Utilizar brinquedos para estimular o cuidado e a educação com a saúde bucal foi a estratégia utilizada pela equipe de odontologia do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria da ENSP para promover a higiene bucal de pais e crianças da região de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A equipe realiza brincadeiras e utiliza material reciclável para estimular e ensinar pais e crianças a maneira correta de escovar os dentes, utilizar o fio dental e a importância de comer alimentos saudáveis.

Cristiane Vieira Chaves, auxiliar de consultório dentário e uma das autoras do projeto, lembra que havia uma grande dúvida sobre como trabalhar, ensinar e, principalmente, estimular as crianças a cuidar de sua higiene bucal. Foi quando eu comecei a criar brinquedos que estimulassem a escovação de maneira lúdica. A partir daí, surgiram as primeiras brincadeiras como a Amarelinha, onde as casas se dividem entre amigos e inimigos dos dentes, e o Bocão, que simboliza a boca de uma criança de seis anos. A gente ensina como são as trocas de dentes e eles têm uns bichinhos grudados, que representam as cáries e as sujeiras. Quando as crianças escovam e passam o fio dental no Bocão, a sujeira cai, e com isso, elas aprendem que cuidar da sua higiene bucal é importante.

ap_bocao.jpgAinda de acordo com a premiada, a equipe obteve relatos das próprias mães de que as crianças estavam estimuladas a escovar os dentes. Além disso, as brincadeiras promoviam uma maior interação entre pais e filhos da comunidade. Quando estimulamos a brincadeira entre ambos educando-os e levando alegria observamos que o carinho que estava adormecido vem à tona. Entretanto, a falta de políticas de prevenção da saúde bucal faz com que as pessoas só procurem os dentistas quando aparece algum tipo de dor. Acreditamos que esse trabalho se trata da promoção da saúde, e a prevenção é muito difícil. Também mostramos a importância da alimentação saudável e entendemos que a saúde bucal não é só a tratar da boca, mas do corpo inteiro. Nosso trabalho dá certo, mas precisamos de uma melhor estrutura.

A questão do alcoolismo no PSF Manguinhos

Maria Antonia Silva Costa é ex-dependente química e hoje trabalha como agente de Dependência Química da Estratégia Saúde da Família. A premiação por um trabalho de formiguinha, como ela mesma afirma, não faz bem só aos outros, mas a sua própria recuperação. A doença do alcoolismo não tem cura, tem recuperação. Temos que ter uma força de vontade muito grande, pois a recaída é sempre muito forte, e a pessoa volta cada vez pior.

ap_antonia.jpgTrabalhar com a questão do alcoolismo e a dependência química nas equipes de Saúde da Família foi um pioneirismo da Fiocruz que vem dando certo. Segundo Antônia, a instituição lançou esse programa devido ao grande número de pessoas dependentes do álcool e de outras drogas na região de Manguinhos. No entanto, uma exigência para trabalhar nas equipes era que o agente fosse um ex-dependente o que, de acordo com a vencedora, foi uma estratégia correta. Fiz tratamento de dois anos no Centro de Saúde e hoje sou uma dependente química recuperada. Tenho mais bagagem para lidar com o paciente porque falo a língua dele. É complicado lidar com pessoas que vivem na miséria, no meio da violência. O álcool, muitas vezes, é sua única fuga.

Outro aspecto que torna o trabalho de Antônia ainda mais difícil é a relação que as pessoas têm com o álcool. A substância não é encarada como uma droga e a dependência não é vista como uma doença.Creio que isso dificulta nosso trabalho, pois a mídia não ajuda, as propagandas não ajudam e a vida social das pessoas em Manguinhos também não.

Com relação ao prêmio, a agente comunitária disse estar muito orgulhosa. Ela agradeceu o apoio das equipes de Saúde da Família, da Associação Brasileira dos Agentes de Saúde e Alcoolismo e do ex-médico do CSEGSF Antônio Sérgio. Gostaria que esse trabalho fosse ampliado para todas as Equipes de Saúde da Família do país. Esse é um desafio que está dando certo e agradeço a oportunidade que tive, pois esse trabalho é bom para a minha recuperação, finalizou.

A Abordagem familiar norteia as atividades de uma equipe de saúde da família?

ap_fernanda.jpgO trabalho vencedor na categoria Profissional de Saúde foi resultado do Curso de Especialização em Saúde da Família nos Moldes da Residência e orientado por Margareth Rose Gomes Garcia, docente da especialização nos moldes da residência em Saúde da Família e profissional do Núcleo DST/AIDS do Centro de Saúde da ENSP. A equipe multiprofissional (psicólogo, dentista, nutricionista e enfermeiro) conviveu durante dois anos com uma equipe de saúde da família da AP 3.1 e resolveu trabalhar em cima da abordagem familiar na Estratégia Saúde da Família. A família é o foco do programa, e resolvemos pesquisar quais fatores interferem nisso. Os fatores que facilitavam e que dificultavam exercer a abordagem familiar no dia-a-dia da equipe, explicou Fernanda Nunes Marques Alves, uma das autoras do trabalho.

ap_alan.jpgAlan Teixeira Lima, que também faz parte da equipe, lembra que, embora no manual do Ministério da Saúde a família esteja no foco do programa, no cotidiano não é bem assim. A pesquisa aponta que a reunião entre os membros da equipe é um elemento facilitador. No entanto, a hierarquia que se estabelece entre os membros da equipe prejudica a troca de saberes e a intersetorialidade. Outro aspecto diz respeito à diferença na quantidade de famílias assistidas pelos agentes comunitários. Enquanto alguns agentes possuem de 157 a 189 famílias, outros atendem 240. Isso pode interferir no tempo e na qualidade da abordagem, além de causar uma diferença não só na qualidade, mas na quantidade do atendimento.

Os premiados enfatizam que apesar dos manuais do MS afirmarem que a família é o principal foco do programa, eles não estabelecem como deve ser essa atenção. Cada equipe tem autonomia de desenvolver essa abordagem, revelou Alan que resumiu o foco do trabalho. Se a equipe tem que fazer pelo menos uma visita por mês a cada domicílio cadastrado, procuramos avaliar como é feita essa visita.

A pesquisa também abordou a formação profissional. De acordo com Fernanda, é necessário avaliar se esse profissional de saúde sai preparado da graduação para atuar na estratégia da família. Também tem a questão do modelo biomédico que vivemos. Temos uma atenção voltada nos remédios, nas doenças, e isso influencia o processo de trabalho das próprias equipes, finalizou.

Equipe de odontologia do CSEGSF

Cristiane Vieira da Silva Chaves, Isabelle Gomes Magalhães, Tânia dos Santos Silva, Elisangela Soares, Fernanda Nunes Marques Alves e Maria do Socorro Miranda Costa.

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