Trabalho em Saúde: ACS sofrem conseqüências da violência

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abrasco_2007.jpgMostrar as relações entre saúde e pobreza, por meio do discurso de moradores e profissionais de saúde acerca das condições de vida nos complexos de favelas da região da Leopoldina, e suas relações com os serviços públicos de saúde foram os objetivos do pôster Impasses à Saúde em contextos de violência, apresentado no IV Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, pela bolsista Carla Moura Lima e pelo pesquisador Victor Vincent Valla, ambos do Departamento de Endemias (Densp/ENSP). O PSF atende comunidades pobres em todo o Brasil, mas no Rio de Janeiro existe um agravante que é a violência de todos os lados: violência simbólica, violência imposta pelo narcotráfico e pela polícia. Além disso, as relações também são violentas. Eu denomino de território de ausências e carências. A ausência do poder público, que só se faz presente pela polícia, gera uma série de carências na população, justifica Carla.

O trabalho apresentado em Salvador é parte da dissertação de mestrado Pobreza e saúde em contextos de violência: muitos impasses e alguns caminhos, defendida por Carla em 2006, no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Em sua dissertação, Carla apresenta e analisa dados da pesquisa Vigilância Civil da Saúde na Atenção Básica uma proposta de Ouvidoria Coletiva na A.P. 3.1, Rio de Janeiro, que vem sendo desenvolvida pelo Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP) e que também fornece subsídios para o projeto de Terapia Comunitária.

A vida e a saúde num contexto de violência

Carla_Moura_peq.jpgNa primeira fase de seu trabalho, como pesquisa de campo, Carla trabalhou na Ouvidoria Coletiva, cujo objetivo é identificar os problemas de saúde da população e os recursos que ela encontravam para enfrentá-los. Os resultados obtidos, segundo Carla, apontam para um quadro complicado de condições de vida e saúde. A questão da violência nos complexos de favelas foi bastante citada. Os serviços de saúde superlotam como conseqüência de horas de tiroteio no interior das comunidades. Além do mais, todas as categorias de participantes dos fóruns relacionaram a violência com problemas de saúde e como sendo a principal causa de morte nas comunidades, revela.

Ainda segundo a pesquisadora, esse tipo de agressão conforma uma violência que, mesmo quando não deixa marcas no corpo, marca as relações sociais, a vida cotidiana e também agride a saúde das pessoas. Para ela, a ausência de equipamentos sociais mínimos, desemprego, longas filas de espera, grande tempo gasto nos transportes, baixos salários, baixa resolutividade nos serviços públicos, desrespeito, perda de dignidade e ausência de cidadania estão presentes no cotidiano das pessoas e se caracterizam por condições de vida "agressivas".

Agentes comunitários de saúde também são vítimas da violência

O trabalho de Carla, no entanto, vai além da análise das conseqüências da violência diretamente sobre a população. Na segunda fase do trabalho, como explica Carla, foram entrevistados profissionais de saúde atuantes nos complexos de favelas de Manguinhos, Maré e Penha.

Em sua dissertação, ela trabalhou com todos os profissionais de saúde e acabou descobrindo os problemas que eles enfrentam. Atualmente, trabalha com Agentes Comunitários de Saúde (ACS), atendendo e fazendo a Terapia Comunitária e seu objetivo é acumular dados para dar prosseguimento às pesquisas e sensibilizar gestores e profissionais da área para as condições e a situação em que vivem e trabalham os agentes. O trabalho dá visibilidade ao sofrimento dos agentes comunitários de saúde que trabalham em áreas urbanas em contextos de violência, além de retratar a grande responsabilidade, as difíceis condições de trabalho, a má remuneração e grande carga horária desses profissionais, finaliza a pesquisadora.

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