Terapia Comunitária poderá ser inserida no SUS

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abrasco_2007.jpgPossibilidades de incorporação de demandas sociais pelos serviços de saúde foi o tema da comunicação coordenada em que a pesquisadora do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF/ENSP/Fiocruz) Maria Beatriz Guimarães apresentou o Projeto de Terapia Comunitária (TC) desenvolvido na ENSP com os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da região de Manguinhos. A TC é um programa de atenção primária em que se procura acolher o sofrimento e partilhar experiências de vida, onde todos se tornam co-responsáveis pela busca de modos de lidar com os desafios do cotidiano, destacou a pesquisadora.

Beatriz iniciou sua exposição falando sobre o projeto da Ouvidoria Coletiva desenvolvido pelas pesquisadoras Elaine Savi (Densp/ENSP), Eliane Cardoso (CSEGSF/ENSP) e Carla Moura Lima junto a moradores e trabalhadores das comunidades da Maré, Penha e Manguinhos. Segundo ela, o trabalho está inserido na pesquisa Vigilância Civil da Saúde na Atenção Básica: uma proposta de Ouvidoria Coletiva na AP 3.1, Rio de Janeiro, e seu objetivo foi organizar um sistema de vigilância capaz de identificar os problemas de saúde das classes populares desta região e os recursos utilizados na tentativa de superá-los.

A seguir, na palestra A Terapia Comunitária como espaço de acolhimento para o sofrimento difuso, ela explicou que durante a pesquisa, diversas expressões de sofrimento foram explicitadas, especialmente entre os agentes comunitários de saúde (ACS). O sofrimento difuso se enquadra no que a epidemiologia chama de transtornos mentais comuns, caracterizados pela presença de múltiplos sintomas, tais como, queixas somáticas inespecíficas, irritabilidade, insônia, nervosismo, dores de cabeça, dentre outras manifestações. Por sua natureza, esse tipo de sofrimento não é acolhido nos serviços públicos de saúde, pois as queixas não são comprovadas por meio de exames tecnológicos e, ao mesmo tempo, não se adequam às demandas prioritárias da saúde mental, revelou.

Maria_Beatriz_abr2007_peq.jpgDe acordo com Beatriz, em virtude da inexistência de espaços institucionais que possam acolher esta demanda, a Terapia Comunitária começou a ser oferecida aos ACS da AP 3.1. A TC é um programa de atenção primária em que se procura acolher o sofrimento e partilhar experiências de vida, onde todos se tornam co-responsáveis pela busca de modos de lidar com os desafios do cotidiano, disse. Os encontros são semanais e, além de se constituírem em espaços terapêuticos, são compreendidos como espaços de convivência e servem como instrumento metodológico importante para a aquisição de dados sobre uma determinada realidade.

A expositora ressaltou ainda que o objetivo deste trabalho é refletir e analisar, por meio desses encontros, as percepções dos ACS acerca de suas condições de vida. Os principais resultados apontam para o estresse vivido em relação ao trabalho, como a falta de resolutividade dos problemas encontrados, e também de mágoa, com a falta de comprometimento e desumanidade de alguns profissionais de saúde: Os ACS sentem-se injustiçados com o abuso de poder de determinados membros que ocupam uma posição superior em suas equipes. Além dos problemas vividos no trabalho, os conflitos familiares e os decorrentes de situações de violência nas comunidades, devido às ações empreendidas pelo narcotráfico, são os temas que aparecem com maior freqüência.

Por fim, reafirmou a importância de o Congresso ter aberto espaço para a discussão sobre incorporação de práticas que ainda estão fora do SUS. A TC tem se mostrado como uma prática que permite reunir um número grande de pessoas, estabelecer vínculos e buscar soluções conjuntas. Ser ela for inserida no SUS, certamente vai possibilitar melhor acolhida dessa demanda, finalizou.

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