Teoria feminista: novo contexto e novas implicações

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abrasco_2007.jpg A teoria feminista no contexto internacional atual foi o tema apresentado por Karen Giffin, pesquisadora do Departamento de Ciências Sócias (DCS/ENSP/Fiocruz), no painel As contribuições do feminismo para a pesquisa em saúde das mulheres, do IV Congresso de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. A mesa foi coordenada por Eleonora Oliveira, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Karen iniciou sua apresentação destacando três fenômenos característicos do contexto atual globalizado a privatização de serviços públicos, que aumenta o custo de vida familiar; a flexibilização e a precarização do mercado de trabalho; e, por fim, a desregulamentação do mercado financeiro -, e enfatizando suas conseqüências. Os resultados sociais dessas políticas neoliberais são: o aumento da pobreza, da exploração do trabalho e da desigualdade entre as mulheres, afirmou.

Karen_abr2007_peq.jpgO aumento da participação feminina na força de trabalho, a crescente importância da renda feminina para a família e uma maior igualdade na divisão por gênero de trabalho profissional e doméstico podem ser interpretados, segundo Giffin, tanto como uma conquista das mulheres, quanto como novas exigências de sobrevivência que atualizam velhas desigualdades de gênero.

Para a pesquisadora, a mudança nos velhos padrões patriarcais, nos quais o homem representava socialmente o papel de provedor (campo do trabalho) e a mulher, de esposa-mãe (no lar), acarreta alterações de comportamento e de postura. Os homens estão cada vez mais fragilizados em relação a sua condição de provedor, e as mulheres cada vez mais responsáveis pela renda familiar num mundo em que os salários de duas pessoas já não conseguem sustentar uma família menor do que aquela que era sustentada pelo salário de apenas um, explicou, completando: As mulheres conseguiram igualdade de gênero, mas também o aumento da exploração do seu trabalho, junto com uma queda da sua própria qualidade de vida, de seus filhos e seus companheiros.

Segundo Karen, é necessário entender todos os lados e implicações da discussão feminista dentro de uma abordagem que também se preocupe com o homem, e que incorpore, em seu âmago, a subjetividade, o contexto histórico e social, e as relações intersubjetivas, evitando reforçar as redes de poder que atualizam relações desiguais.

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