Desenvolvimento e globalização: papel da Saúde é fundamental

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abrasco_2007.jpgApontar aspectos que levam o setor da saúde a assumir um dos principais papéis no processo de desenvolvimento e de construção de cidadania. Esse foi o objetivo dos integrantes do painel Saúde, desenvolvimento e globalização, realizado no IV Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Participaram da mesa, o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz e pesquisador do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps/ENSP), Carlos Gadelha; o vice-presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres), Áquilas Mendes; e o pesquisador da Fiocruz Brasília, Edmundo Gallo.

Áquilas abordou a relação entre economia e saúde na globalização. Ele, que também é professor de economia da PUC-SP, reforçou a idéia de que o desenvolvimento econômico deve promover a inclusão social e diminuir o nível de desigualdades. Além disso, enfatizou que é necessário valorizar as políticas de direito e não de transferência de renda, e que a falta de compromisso ao investir em saúde demonstra a fragilidade do pensamento de que a saúde é um direito de todos.

Gadelha, o segundo convidado a se apresentar, enfatizou o desafio de trazer o tema do desenvolvimento para a saúde, considerando a afirmativa de que a saúde está dentro do capitalismo brasileiro. Na seqüência, afirmou que o grande erro desenvolvimentista foi não enfocar a questão social, que poderia ter sido resolvida como desdobramento do processo econômico, e a questão tecnológica, cuja solução para a falta de investimentos internos poderia estar nas importações.

Carlos_Gadelha_abr2007_peq.jpgPara Gadelha, a agenda de saúde não deve ser discutida apenas no âmbito interno do próprio setor, mas deve estar presente na discussão do padrão de desenvolvimento brasileiro. A saúde, como qualidade de vida, implica em desenvolvimento econômico, eqüidade, sustentabilidade ambiental e autodeterminação política. Ou seja, em vez de se discutir a saúde setorialmente, buscando relações com o crescimento econômico, é preciso tratar a saúde como parte da estratégia de desenvolvimento nacional. Para isso, devemos abrir a agenda da saúde para novas questões, devemos incorporar os novos desafios que se colocam no presente, justificou.

Reiterando que a saúde ainda está pouco presente na agenda de desenvolvimento do país, o pesquisador destacou a necessidade de se fazer um elo entre esses campos, partindo-se do consenso de que saúde é um direito, é uma condição de cidadania e é parte do conceito de desenvolvimento. Nenhum país pode ser considerado desenvolvido se tiver uma saúde precária, disse, completando: Eu não preciso de nenhum vínculo da saúde com o crescimento econômico para justificar os gastos com a saúde.

Ao falar sobre a globalização, Gadelha ressaltou que ela é assimétrica e que a desigualdade, que ocorre entre os países, aflora, de forma ainda mais ostensiva, dentro deles. O Brasil, um país globalizado, tem um território fragmentado que reproduz internamente o quadro de exclusão e desigualdade que existe no mundo. A globalização, portanto, não leva, por exemplo, a mais um conflito Brasil x EUA, mas sim a um conflito Brasil x Brasil. Para finalizar, enfatizou que a saúde deve ser encarada como um fator capaz de reduzir a violência. A saúde deve ser observada como uma força de coesão nacional, que promove a relação entre regiões, estados e indivíduos. Ela é um importante instrumento da geopolítica nacional.

Edmundo Gallo, por sua vez, destacou o esforço que tem sido realizado para colocar o tema saúde e desenvolvimento na agenda da saúde pública e enfatizou que essa discussão é fundamental. Segundo ele, um grande desafio é buscar entender o significado da saúde para as populações e qual é a sua importância no âmbito da globalização. Gallo encerrou sua palestra reiterando a idéia de que não é mais possível se pensar em uma política desenvolvimentista que não esteja atrelada a outras políticas públicas.

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