Revista 'Ciência e Saúde Coletiva' de junho traz artigos da ENSP

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A revista Ciência & Saúde Coletiva de junho refletiu sobre a crise do coronavírus na Espanha. “A magnitude do impacto da pandemia na população idosa é um evento dramático, que afetou cerca de 3% a 4% da população em casas de repouso.” A edição publicou também dois artigos da ENSP: um sobre a saúde dos povos indígenas do Acre; e outro a respeito da prescrição de psicofármacos na primeira infância.

A revista questiona: Quais são as causas do impacto diferencial nos lares de idosos? “É um fato indiscutível que a pandemia teve um grande impacto na população idosa com multipatologias. No entanto, existem causas imediatas e indiretas que explicam esse impacto diferencial nos lares de idosos”, disse o autor Gregorio Rodríguez Cabrero, da Universidade de Alcalá, Espanha.

Entre as causas imediatas, explicou o autor, estão: negligência e discriminação da população do lar de idosos, causada em parte pela sobrecarga inicial do sistema hospitalar; mas também por uma estrutura insuficiente de recursos humanos e materiais; e, por último, por uma clara falta de controle sobre o setor de cuidados domiciliares públicos e privados por parte das Administrações regionais no início da crise.

Entre as causas indiretas, continuou Cabrero, deve-se destacar que a crise revelou as deficiências do modelo de “descarregamento” de lares residenciais, nos quais as preferências e a autonomia das pessoas tendem a ter importância secundária e, em muitos casos, uma estrutura profissional é deficiente. “Isso não significa que a necessidade de lares de idosos como recurso social seja negada. De fato, parte do setor de residências espanholas é inovador e de alta qualidade. Trata-se de adaptá-los a um modelo de atenção centrado no indivíduo, com serviços adequados de prevenção, enfermagem e fisioterapia.”

Para Cabrero, não se trata de “higienizar” os lares de idosos, mas sim que os residentes tenham acesso ao sistema hospitalar e ambulatorial sem discriminação, sejam capazes de contar com uma estrutura residencial de assistência social e de saúde com capacidade de reagir em situações de crise e garantir o controle por parte da Administração Pública da qualidade da assistência.

Ele considerou que a mudança de abordagem implica o desenho de políticas e modelos de atenção integral e centrada nas pessoas, reconhecendo sua total diversidade e autonomia. “A mudança operacional consiste em adaptar as casas de assistência residencial a um modelo de pequenas unidades residenciais. Além disso, como a maioria das pessoas prefere morar em casa, é necessário continuar promovendo um modelo coerente de serviços domésticos e comunitários”, concluiu.

No artigo Histórico social, demográfico e de saúde dos povos indígenas do estado do Acre, Brasil, Maria Fernanda de Sousa Oliveira Borges (Universidade Federal do Acre); Ilce Ferreira da Silva e Rosalina Koifman (ENSP) , tratam da trajetória histórica vivenciada pelos povos indígenas no Brasil, que coadunou numa complexa situação social que se estende com precariedade e evidentes disparidades traduzidas em pior perfil de pobreza, escolaridade e de saúde em relação a outros segmentos da sociedade nacional.

Segundo elas, as políticas de saúde direcionadas para os povos indígenas não conseguiram até a atualidade superar as lacunas do cuidado especializado, persistindo a atenção fragmentada e emergencial, manutenção de péssimo quadro de morbimortalidade, iniquidades de acesso aos serviços de saúde, elevada descontinuidade do cuidado, barreiras administrativas e distorções no processo de controle social.

O Estado do Acre, localizado na Amazônia Ocidental brasileira, disseram elas, reflete o quadro de maior vulnerabilidade dos povos indígenas da Região Norte, que compartilham piores resultados de saúde quando comparados com o restante do país.


Já o artigo Este ilustre desconhecido: considerações sobre a prescrição de psicofármacos na primeira infância, de Mariana Nogueira Rangel Pande, Paulo Duarte de Carvalho Amarante e Tatiana Wargas de Faria Baptista, todos da ENSP, objetivou discutir aspectos relacionados aos hábitos de prescrição e uso de psicofármacos na primeira infância, tomando como ponto de partida o levantamento bibliográfico realizado nas bases Biblioteca Virtual de Saúde e Scielo sobre pesquisas epidemiológicas e clínicas no Brasil a respeito do uso de psicofármacos em menores de seis anos. A partir da literatura internacional, problematizou o aumento do número de crianças diagnosticadas com transtornos mentais e comportamentais, assim como as respectivas prescrições de psicotrópicos. Ainda, a partir do cenário internacional, abordou o caráter predominantemente off label dos psicofármacos para menores de seis anos, a heterogeneidade de prescrições e o hábito da polifarmacologia, apontando para um paradoxo ético frente a pesquisas clínicas nessa faixa etária. O artigo concluiu que o uso de psicotrópicos na primeira infância é ainda muito pouco conhecido no Brasil, sendo urgentes estudos epidemiológicos nesta área.

O conteúdo completo da revista Ciência & Saúde Coletiva pode ser acessado aqui.

 

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