Centro de Saúde cria painel para acompanhamento de casos da Covid-19 no território de Manguinhos

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Desde o início da pandemia da Covid-19, o Centro de Saúde-Escola Germano Silval Faria (CSEGSF) acompanha, atende e monitora casos ocorridos no território que abrange a unidade. Vendo a necessidade de elaborar melhores estratégias e poder levar esses cuidados ao maior número de  pessoas, surgiu a ideia da criação de uma ferramenta de apoio.
 
O Painel de Situação Manguinhos Covid-19, criado com o objetivo de acompanhar os casos de notificações da doença no CSEGS e na Clínica da Família Victor Valla, proporciona às equipes da Estratégia de Saúde da Família informações para identificar as áreas de maior disseminação da doença por geolocalização e como é a dinâmica de transmissão no território assistido pelas unidades de saúde.
 
Segundo o coordenador do Centro de Saúde, Carlos Costa, a necessidade de criar uma ferramenta para monitorar esses dados surgiu depois que a Comissão Interna do Cuidado, junto com o Núcleo de Vigilância em Saúde do CSEGSF, observou a possibilidade de consolidar e avaliar as informações obtidas nos relatórios e verificar a distribuição e tendências da incidência da doença para a equipe de acompanhamento. “Depois dessa análise, o coordenador da Equipe de Informação em Saúde – Teias Escola Manguinhos, Douglas Souto, se juntou ao grupo e elaborou o painel de situação.”
 
Uma das preocupações da equipe foi a elaboração dos gráficos, já que o foco central era que os usuários tivessem total entendimento das informações dispostas no painel. “Queríamos gráficos compilados numa única tela, com fácil acesso, manuseio e visualização, para que, por meio deles, as informações fossem organizadas com um design interativo.”
 
Carlos explica que as Equipes de Saúde da Família utilizam o painel para criar as estratégias: “O instrumento proporciona a visualização do território com áreas de maior incidência, prevalência da doença, favorece a identificação do paciente e do maior setor de concentração da doença. Com essa informação, as equipes delineiam estratégias para tentar a contenção do contágio da doença de forma mais específica, que alcançou e melhorou a Vigilância em Saúde no território.”
 
Porém, como as Unidades de Atenção Primária não realizam o teste de Covid-19 para a população em geral, o coordenador do Centro de Saúde lamenta, já que a realização dos testes ajudaria, ainda mais, nas informações do painel. “Acreditamos que, se tivéssemos os testes, traçaríamos melhor a evolução epidemiológica e temporal da pandemia, permitindo-nos a identificação dos indivíduos contaminados (além do monitoramento que realizamos como suspeitos), evitaríamos novas cadeias de contágio, ajudando, ainda mais, na tomada de decisão e  no mapeamento da adequação da capacidade de carga do sistema nos estados, pois, de fato, teríamos um cálculo diário e real do número de casos confirmados e dos óbitos atribuídos à Covid-19”, salienta. 
 
Notificação dos casos
 
A Coordenadora do Núcleo de Vigilância em Saúde, Rosane Rodrigues, esclarece que as notificações são realizadas depois de o paciente ser avaliado pela Equipe de Resposta Rápida, após uma triagem de avaliação e exame físico identificar se trata ou não de caso suspeito de Covid-19/ Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a partir das definições de caso estabelecidas pelo Ministério da Saúde (MS). “Sendo caso suspeito, a equipe faz os registros necessários para a notificação do caso, sendo efetivada no sistema informatizado pela equipe da Vigilância em Saúde.”
 
Além disso, Rosane explica que foi necessário criar um banco de dados de todas as notificações, além dos casos leves/ moderados de Covid-19 ou SRAG. “Tendo em vista que as plataformas de notificação de casos disponibilizadas pelo Ministério da Saúde não oferecem o nível de acesso para obtermos dados consolidados de todos os casos notificados na unidade, foi necessário a anotação em planilha para melhores resultados.” 
 
Essas análises epidemiológicas do território foram viabilizadas, o que objetivou na tríade pessoa-tempo-lugar de adoecimento e facilitou a gestão e o cuidado das informações. “O objetivo principal é identificar sinais de agravamento e orientação das pessoas atendidas ou notificadas na unidade”, reforça Rosane.
 
Acompanhamento dos pacientes 
 
O atendimento é realizado em um local próprio, seguindo um protocolo do qual é utilizado pelo Centro de Saúde para evitar o cruzamento de fluxos. Caso o paciente manifeste sintomas leves, ele recebe orientações sobre os isolamentos. Carlos salienta que as orientações dadas para os pacientes segue a realidade de cada um deles. “Orientamos para que esses pacientes permaneçam em casa em isolamento social. Dentro do possível em um cômodo; caso haja essa possibilidade, e caso não, abordamos sua realidade para que nossa orientação se adéque à realidade de tal usuário."
 
A equipe responsável pelo monitoramento telefônico dos casos notificados como síndrome gripal é coordenada pelo enfermeiro Edson Menezes. O grupo entra em contato com os pacientes a cada dois dias, contados a partir da data do primeiro atendimento, para obter informações sobre a evolução clínica de cada um. O coordenador do Centro de Saúde explica que o acompanhamento dos casos leves, em que a doença não evolui para caso moderado e ou grave, ocorrerá até o décimo sexto (16º) dia, considerando a data dos primeiros sintomas. 
 
Porém, o coordenador destaca que, a qualquer sinal de alarme, é solicitado uma reavaliação ou, dependendo do caso, o reforço das orientações fornecidas no ato do atendimento, junto com os esclarecimentos das dúvidas pertinentes.
 
Atenção Primária é a porta de entrada do SUS e os demais atendimentos não podem parar
 
“A Atenção Primária é a porta de entrada do SUS, e assim permanecemos e permaneceremos mesmo frente a essa pandemia, pois não podemos esquecer a responsabilidade sanitária que temos com nosso território.” Essa foi à forma que a gerente da Estratégia de Saúde da família, Luciana Ribeiro, enfatizou a importância do atendimento do CSEGSF não só neste momento que atravessamos, mas também no cotidiano da unidade.
 
Para garantir a continuidade das ações de promoção, prevenção e cuidado, Luciana explica que foi preciso algumas estratégias específicas das equipes para atender às pessoas infectadas ou com suspeita. “Com ajuda das novas tecnologias, nos reinventamos com o cuidado cotidiano à distância pela internet, whatsapp, telefone, teleconsulta.”
 
Segundo Luciana, tudo isso ativou outros atributos que contribuem para os atendimentos. “Articulamos as iniciativas comunitárias, associamo-nos às iniciativas solidárias de nossas organizações comunitárias, nos articulamos intersetorialmente para apoiar a população e suas diversas vulnerabilidades. Assim, conseguimos, também, de alguma forma, garantir a continuidade das ações de promoção, prevenção e cuidado, criando novos processos de trabalho na vigilância de saúde, no apoio social e sanitário aos grupos vulneráveis e na continuidade à atenção rotineira para quem dela precise.”
 
Luciana relata que o fluxo de atenção dos sintomáticos respiratórios e casos suspeitos de Covid-19 foi separado do fluxo dos pacientes com outros problemas e necessidades, o que assegura a continuidade das ações próprias da Atenção Primária na sua rotina de promoção da saúde, além de oferecer suporte a grupos mais frágeis e vulneráveis que necessitarão de atenção especial no contexto da epidemia, seja por sua situação de saúde ou vulnerabilidade social, com protagonismo dos assistentes comunitários de saúde, Núcleo de Apoio à Saúde da Família, Equipe e Saúde Mental .
 
Esforços do Centro de Saúde frente à pandemia 
 
Desde o início da pandemia, o Centro de Saúde tem somado esforços para melhor atender a população da área assistida. O CSEGSF realiza triagem de pacientes sintomáticos respiratórios, bem como os atende nos consultórios externos da unidade (Consultórios de Pesquisa Clínica), evitando, assim, encontro com pacientes não infectados. “Foram montadas, inicialmente, duas tendas na área de espera externa da unidade, que precisou ser ampliada para melhor atender o fluxo de pacientes, totalizando quatro tendas”, destaca Carlos. 
 
Segundo o coordenador, está em curso, também, junto com a Vice-Diretoria de Ambulatório e Laboratório (VDAL) e a Direção da ENSP, a melhoria da infraestrutura da unidade para o atendimento aos pacientes sintomáticos respiratórios. Outro ponto ressaltado por Carlos é o uso ampliado de equipamentos de proteção individual (EPI’s) a todos os profissionais da Saúde que estão compondo a equipe de triagem e resposta rápida para o manejo do coronavírus. Com isso, afirma ele, os profissionais estão utilizando, as máscaras cirúrgicas, o avental, Face shield e touca, além de outras práticas. “Os profissionais tiveram a intensificação dos treinamentos semanais, seguindo os protocolos municipais e do Ministério da Saúde e além disso, eles recebem  educação continuada referente à lavagem de mãos, manuseios dos EPIs, manobras de parada cardiorrespiratórias, panfletos impressos e publicações de whatsapp para melhor orientar a população sobre a pandemia. O grupo Cuidando de Quem Cuida do CSEGSF também tem  desenvolvido atividades de relaxamento e auxílio psicológico a todos os profissionais do Centro de Saúde”, salientou o coordenador. 
 
A ampla divulgação do painel de situação em Manguinhos fez com que outros serviços de saúde solicitassem o apoio ao CSEGSF para implementação dessa ferramenta em suas localidades, como salienta Carlos, sobre as proporções tomadas pelo projeto. “Esse trabalho de várias mãos acabou sendo replicado para outras unidades do município do Rio de Janeiro, bem como para Brasília, por intermédio da Gerência Regional de Brasília da Fiocruz (Gereb)”.
 
 
 
 
 

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