Iniciativas de comunicação e movimentos sociais informam população das favelas e periferia sobre Covid-19

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Até o dia 22/03, a prefeitura do Rio de Janeiro havia confirmado 278 infectados e 166 casos suspeitos no município. As áreas nobres até agora concentraram 70% dos casos do novo coronavírus na cidade. No entanto, especialistas alertam para o avanço da pandemia nas favelas cariocas. A tendência, conforme noticiou o portal UOL, é de que esse ranking sofra uma alteração nos próximos dias, com o avanço do vírus para as favelas cariocas ou áreas carentes. 
 
Diante dessa nova realidade, o coletivo Juntos Pelo Alemão publicou uma carta sobre o coronavírus nas comunidades, chamando a atenção para a implantação de ações que levem em conta as características e peculiaridades locais. “São tantas as violações históricas de direitos que a galera favelada tem dificuldade, apesar do bombardeio de informações nas grandes mídias, em acreditar que um vírus fará tanto mal assim. Ou seja, estamos produzindo muitas informações, mas elas não estão tendo efeito real nas favelas. Precisamos chegar com informações que sejam assimiladas e isso só entendemos ser possível com comunicações específicas, feitas por quem conhece as dinâmicas locais, com linguagens que possam alcançar públicos específicos dentro das favelas”, alerta o coletivo.
 
Pensando nas especificidades dessas áreas da cidade, um documento  desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro (AMFaC-RJ) com o objetivo de orientar a população das comunidades e periferias de todo o Brasil sobre a importância da prevenção do Covid-19 com dicas viáveis de acordo com a realidade vivida pelas pessoas que sobrevivem às condições de vulnerabilidade. O material foi produzido no dia 22/03, de acordo com a orientação de órgãos de saúde e evidências científicas e está sujeito a atualizações.
 
Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo moram em áreas urbanas informais. Na cidade do Rio de Janeiro, cerca de um quarto da população está nas favelas. A necessidade de um recorte comunicacional específico vem se desenhando nesse contexto. O governo do Estado do Rio de Janeiro sancionou, na segunda-feira (23/03), um pacote com 9 medidas para reduzir os impactos socioeconômicos do coronavírus no Estado. A iniciativa Projeto Manivela compartilhou em seu perfil no Instagram através de cards 4 medidas consideradas mais efetivas na vida da população favelada e periférica. O Dicionário de Favelas Marielle Franco também possui um verbete específico sobre o Covid19 com material produzido pela e para a população periférica, com campanhas publicadas. Uma delas se chama #Como Não Vacilar em Tempos de Coronavírus.
 
Urbanistas estão se mobilizando para propor ações de combate ao coronavírus mais adaptadas à realidade urbana brasileira, com favelas e moradias precárias. Na semana passada, um grupo chamado Urbanistas contra o Corona publicou na internet uma carta aberta na qual apresenta propostas de ação para conter a pandemia em áreas de vulnerabilidade social e espacial. “A ideia partiu da situação de emergência. É um momento histórico complicado e percebemos que seria pior a hora que esse vírus entrasse na favela”, disse à Folha de São Paulo Rodrigo Bertamé, um dos membros do grupo e presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas no Estado do Rio de Janeiro. O grupo têm trabalhado em elencar recomendações urgentes de medidas a serem tomadas, como carros de som circulando com avisos e esclarecimentos, instalação de pontos de assepsia em locais públicos e de pontos de abastecimento e distribuição de cestas básicas. “Dizem ‘lavem as mãos’, mas as pessoas não têm água para lavar as mãos. Então precisamos ter outro tipo de resposta emergencial”, diz Washington Fajardo, outro participante.
 
Por isso, muitas das sugestões do grupo de ubanistas envolvem a participação e a opinião das comunidades. Para Bertamé, faz mais sentido manter as pessoas próximas à sua comunidade, como nas escolas, do que deslocá-las, por exemplo, para navios, como sugerido nesta terça, (24/03) pelo governo estadual fluminense. “A interlocução social deve ser forte, a pessoa precisa saber para onde seu familiar está sendo levado e em que condições. O desespero e a ansiedade podem levar ao caos social.", declarou ele na reportagem. 
 

 

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