'TB ainda é muito incidente, principalmente em populações vulneráveis', aponta pesquisador

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“No Brasil, todos os anos, morrem cerca de 4.500 pessoas por tuberculose. Esse número é maior que o de mortes na China por Covid-19, por exemplo”, destaca o chefe do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da ENSP, Jesus Pais Ramos, neste 24 de março, data em que se faz referência ao Dia Mundial de Tuberculose. Neste momento de pandemia de coronavírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ressalta a importância da continuidade em tratar as vítimas de TB: “As autoridades de Saúde devem manter o apoio aos serviços essenciais para a tuberculose, incluindo cuidados durante emergências, pois pessoas doentes com TB e Covid-19 poderão ter resultados piores no tratamento, sobretudo se a terapia para tuberculose for interrompida.”

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, declarou que “a pandemia de Covid-19 está mostrando como as pessoas com doenças pulmonares e imunidade enfraquecida são vulneráveis”. Segundo Jesus Ramos, a TB é, hoje - e há milênios -, uma doença importantíssima que acomete a humanidade. O mycobacterium tuberculosis é o micro-organismo que mais mata no Brasil e no mundo. A TB mata mais de um milhão de pessoas no mundo. “No Brasil, são cerca de 70 mil novos casos ao ano. A associação da TB com o coronavírus é muito perigosa, visto que os indivíduos portadores da tuberculose são mais vulneráveis”, alertou ele também sobre a importância de manter a terapêutica.

O pesquisador do CRPHF lembrou que, como todos os anos, a Fiocruz iluminará seu castelo mourisco de vermelho, cor que simboliza o combate à tuberculose. Entre os dias 23 e 26 de março, o Centro de Referência realizaria uma série de encontros e palestras em alusão ao Dia Mundial da Tuberculose, mas o evento foi cancelado devido à epidemia de Covid-19. A tuberculose não é uma doença que aparece na televisão, observou Ramos, dizendo ser esse o maior motivo da mobilização. “Muitos acham que a TB acabou, mas são 50 mil novos casos por ano, que atingem, em sua maioria, populações vulneráveis”, argumentou ele. 

 
É hora de agir. Elimine a tuberculose
 
 
A doença é considerada pela OMS uma epidemia global. No mundo, todos os dias, mais de 4 mil pessoas perdem a vida devido à tuberculose e cerca de 30 mil ficam doentes com essa enfermidade que é evitável e curável. Os esforços globais para combater a TB salvaram cerca de 58 milhões de vidas desde o ano 2000. Para acelerar a resposta à tuberculose em todo o mundo e atingir as metas, chefes de Estado assumiram compromissos para eliminar a TB. Neste ano de 2020, o tema "É hora de agir. Elimine a tuberculose" enfatiza a urgência de atuar nos compromissos assumidos pelos líderes globais, cujo foco é acelerar urgentemente a resposta à TB para salvar vidas e acabar com o sofrimento dos indivíduos. “Embora menos pessoas tenham adoecido e morrido por tuberculose (TB) em 2019, os países ainda não estão fazendo o suficiente para acabar com a doença até 2030”, ressaltou a OMS.
 
As metas de 2020 são: aumentar o acesso à prevenção e tratamento; estabelecer a prestação de contas; garantir financiamento suficiente e sustentável, em particular destinado à pesquisa; por fim ao estigma e discriminação; e promover uma resposta à tuberculose que seja equitativa, baseada em direitos e centrada na população. 
 
O Dia Mundial da Tuberculose foi estabelecido pela OMS em 24 de março por corresponder à descoberta de Robert Koch, em 1882, da bactéria Mycobacterium tuberculosis, que causa a TB, abrindo, assim, um caminho para o diagnóstico e a cura da doença.
 
Coletivo de ativistas em TB divulgam nota
 
O coletivo de Ativistas Cariocas e Fluminenses que trabalham no enfrentamento da tuberculose (TB) no Rio de Janeiro divulgou uma carta, cujo objetivo é chamar atenção das instituições competentes sobre o grave contexto que vivemos e demandar respostas em âmbito municipal, estadual e nacional e internacional sobre o desmonte estrutural do SUS; a longa indisponibilidade (parcial) do teste tuberculínico (PPD); a ausência de diagnóstico pela urina; bem como a falta de priorização do tratamento preventivo da TB para pacientes HIV+ como instrumento preventivo eficaz; a indisponibilidade da rifampicina 300mg, em cápsulas, e de 20mg/mL, suspensão oral está afetando o tratamento de adultos e crianças com TB no país, entre outros. Confira a carta.
 

 

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