Entrevista: aluna do Cesteh/ENSP é indicada ao 17° Prêmio Destaque do ano do CNPq

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O Rio de Janeiro tem uma característica peculiar: durante todo o ano vivemos calores intensos. Praias lotadas de banhistas, praticantes de esportes ao ar livre e trabalhadores expostos ao sol. Já parou e pensou nisso? Milhares de pessoas ficam expostas às radiações solares para garantir  nosso bem-estar. Um grupo de trabalhadores que compõe esse quadro são os Guardas Municipais do Rio de Janeiro que atuam no Grupamento Especial de Praia. 
 
Essa pesquisa é o tema do trabalho da aluna de residência Luíza Maria Lopes Pinto, do Centro de Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), indicado ao 17° Prêmio Destaque do ano de IC e IT do CNPq.
 
O trabalho, sob coordenação da pesquisadora Liliane Reis Teixeira e coorientação de Ana Luiza Castro, ambas pesquisadoras do Cesteh, teve como objetivo avaliar a predominância de lesões na pele provocadas pela radiação ultravioleta em trabalhadores expostos ao sol e analisar dados sociodemográficos, fatores de risco intrínsecos e ambientais nessa população de trabalhadores.
 
O Informe ENSP conversou com a aluna Luíza Maria Lopes e a coordenadora do projeto Ana Luiza Castro. Elas pontuaram não só a importância, como a necessidade da pesquisa. 
 
Informe ENSP: Luíza, você pode contar um pouco mais sobre esse projeto? 
 
Luíza Maria: Este é um subprojeto pertencente a um projeto maior, que abrange trabalhadores exposto ao sol. Fazem parte desse grupo jardineiros, carteiros, dentre outros. Nosso grupo especifico são guardas municipais de praia, que fazem patrulhamento ostensivo na orla do Rio de Janeiro. O trabalho verificou lesões provocadas na pele e fatores sociodemográficos. Mas a ideia é que, posteriormente, esse estudo se expanda para outros trabalhadores. 
 
Informe ENSP: Como o projeto se voltou primeiro para os guardas municipais? 
 
Ana Luiza: Foi uma oportunidade. A ideia surgiu com o interesse de um técnico de segurança dos guardas municipais, pertencente a um dos cursos do Cesteh, que incentivou que o estudo fosse iniciado por eles.
 
Informe ENSP: Qual a importância desse projeto para a sociedade?
 
Luíza Maria: Esses problemas não são vistos com tanta importância como a insalubridade, poluição, por exemplo.  A gente considera o Brasil um território muito grande, com diferentes climas e uma faixa territorial extensa, que expõe muito as pessoas ao sol naturalmente. Esses trabalhadores fazem parte de um grupo especifico, expostos ao sol por mais de 4h durante o trabalho, sendo um risco adicional a esses trabalhadores. 
 
Informe ENSP: E a importância para a saúde do trabalhador? 
 
Ana Luiza: No Brasil, temos o hábito da exposição por lazer, indo à praia em horários inapropriados, inclusive levando crianças. Na verdade, a gente quis chamar a atenção porque essas pessoas, além da exposição no lazer, vão ter o adicional da exposição aos raios ultravioletas no ocupacional. Não temos uma legislação muito forte com equipamentos de proteção. O filtro solar, sozinho, não é suficiente para isso. Tem que ter uma associação de equipamentos, como óculos escuros, chapéu de aba larga, blusa de manga comprida, uma vez que essas atividades essenciais não podem ser interrompidas em horários de maior incidência dos raios ultravioletas. 
 
Informe ENSP: Quais as perspectivas com a indicação? 
 
Ana Luiza: Foi uma surpresa, uma vitória. É sempre ótimo! A nossa intenção é chamar a atenção mesmo, é trazer isso para a discussão de autoridades e governos para ter uma visão voltadas para esses trabalhadores e dar um retorno para a sociedade com nosso trabalho, chegando, de fato, as vias legislativas. A maior perspectiva de eu estar aqui é vislumbrar o meu futuro como pesquisadora. A indicação vem com esse propósito. Uma oportunidade que a Fiocruz dá para os jovens de chegar no lugar que esses profissionais estão hoje. 
 
Luíza Maria: Foi uma grata surpresa. E eu vejo por dois pontos: uma é dar foco à saúde do trabalhador exposto à radiação, com ênfase no projeto, e se voltando também para a criação de políticas nacionais sobre o tema. Também foi um reconhecimento do trabalho de iniciação científica. Essa iniciação é super importante para os trabalhos realizados aqui na instituição, para a formação de pessoal e para a gente prosseguir, mesmo no dia a dia, com as pesquisas que temos, procurando valorizar o trabalho do estagiário, dando formação para que ele tome gosto pela pesquisa. 
 

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