ENSP inicia nova turma de gestão de risco e desastres em saúde

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Na segunda-feira (10/2), a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) promoveu a aula inaugural do curso de Gestão de Risco de Emergências e Desastres em Saúde Pública, coordenado pelos pesquisadores Carlos Machado de Freitas, Maíra Mazoto e Tais Ariza. A atividade recebeu Eduardo Hage, ex-coordenador de Vigilância Epidemiológica do MS, que detalhou, entre outras coisas, sua participação na revisão do Regulamento Sanitário Internacional – um instrumento que estabelece procedimentos para proteção contra a disseminação internacional de doenças, aprovado na Assembleia da OMS em 2005.
 
Durante a aula, Hage falou sobre os desafios relacionados à gestão de risco de emergências e desastres em saúde pública, em que abordou o contexto e histórico recente das emergências de saúde pública e desastres, como H1N1, H5N1, SARS, Zika e a atual envolvendo Coronavírus, bem como o atentado de 11 de setembro, o Terremoto no Haiti, o Katrina, o Tsunami no Japão e o desastre nuclear de Fukushima, e ainda os desastres em barragem de mineração. 
 
Na sequência, discorreu sobre os marcos internacionais e legais para a gestão de risco de emergências de saúde pública e desastres, bem como os desafios em relação aos direitos sociais e civis, das liberdades individuais e as questões éticas.
 
Hage participou da revisão do Regulamento Sanitário Internacional (RSI 2005), que introduziu modificações nos processos mundiais de monitoramento, vigilância e resposta às emergências de saúde pública de importância internacional (ESPII). Essas modificações implicaram a necessidade de aperfeiçoamento dos processos e estruturas dos organismos nacionais de saúde pública de todos os países signatários desse regulamento (denominados de Estados Parte), por meio do desenvolvimento de capacidades básicas para detectar, avaliar, notificar, comunicar e responder a essas emergências. 
 
Para Carlos Machado, coordenador do curso e responsável pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (Cepedes), é fundamental pensar no contexto global dos desastres e sua interação com outros eventos em saúde. E esse é um dos objetivos do curso:
 
“O desastre em uma barragem de mineração, por exemplo, pode trazer alterações que contribuem para emergências de saúde pública. Nem sempre há uma relação direta, mas eles se combinam aenquanto eventos que afetam a saúde da população. Com isso, há necessidade de capacitar, cada vez mais, profissionais do SUS na preparação e resposta a esses eventos. O Brasil já avançou muito, tem experiência acumulada, mas é fundamental ampliar essa expertise para todos os estados e municípios, além de fortalecermos não só a capacidade de prevenção e reposta, mas também de prevenção do risco de desastres e as estratégias de recuperação da saúde, da reconstrução das vidas e lugares. Propomos uma gestão de risco que pensa na prevenção, nas estratégias de recuperação e na preparação e respostas em todos os níveis do SUS”, afirmou.
 
O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, disse que o curso é uma iniciativa louvável por abarcar, de forma ampla e complexa, as emergências em sua totalidade, incluindo os desastres. “O curso forma técnicos preparados para avaliar a gestão do risco de emergências e desastres em praticamente todos os estados do país. A formação faz com que o Brasil ganhe uma capacidade fundamental para enfrentamento e prevenção desses eventos”, considerou.
 
O curso
 
A especialização proporciona a profissionais de saúde formação para atuar prospectivamente na preparação e resposta a emergências e desastres em Saúde Pública, incentivando uma mudança qualitativa na gestão de riscos. Como principais estratégias pedagógicas serão adotados casos baseados em situações reais, atividades individuais e coletivas, elaboradas para estimular um olhar reflexivo e crítico sobre os temas abordados no curso, motivando a participação ativa do aluno, mediada pelo tutor-docente, privilegiando a inter-relação teoria-prática. A turma de 2020 possui 80 alunos, de todas as regiões do país.
 
Participaram da abertura a pesquisadora Cristina Guillam, representando a Presidência da Fiocruz e a Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), o coordenador da Coordenação de Educação à Distância da ENSP, Maurício De Setta, o coordenador de Ambiente da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Guilherme Franco Netto, e o coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha.

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