Fiocruz divulga relato da primeira expedição Fioantar

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Na Antártica, a primeira oportunidade pode ser a última. A frase, ouvida de veteranos, foi repetida pelos pesquisadores da Fiocruz que retornaram após sua primeira expedição ao continente gelado. Para fazer pesquisas na Antártica, é necessário muita preparação e planejamento. O grupo passou por uma preparação de um ano, que incluiu a definição de metodologia, logística, pontos de coletas e até mesmo um treinamento de oito dias conduzido pela Marinha na restinga da Marambaia. Ainda assim, é importante estar disposto e preparado para se enfrentar os imprevistos, além das condições adversas de um ambiente inóspito e instável. A lição foi aprendida na prática pelo grupo de cientistas que compôs a terceira fase da 38º Operação Antártica Brasileira (Operantar), que incluiu seis pesquisadores e dois profissionais de comunicação da Fiocruz.

 

A fase ficou marcada pela queda do avião da Força Aérea Chilena Hércules C-130, que desapareceu no dia 9 de dezembro no mar entre o Chile e Antártica. O navio polar Almirante Maximiano foi acionado para auxiliar na operação de busca e salvamento da aeronave e desviou sua rota para a região do acidente com todos a bordo na madrugada do dia 10 de dezembro, interrompendo os trabalhos de coleta. Em casos assim, a solidariedade é norma internacional.

 
 
Com isso, o grupo teve apenas uma descida do navio para coleta em solo, em Rip Point, na Ilha Nelson. A oportunidade foi bem aproveitada e serviu para colocar em prática a metodologia desenvolvida pela equipe. Foram coletadas amostras de solo, líquens, fezes e carcaças de animais, que serão analisados nos laboratórios da Fiocruz e no laboratório da Fundação na Estação Antártica Comandante Ferraz para identificação de microrganismos. A ideia é identificar ameaças e oportunidades entre vírus, bactérias, fungos e helmintos que circulam no continente antártico.
 
“Nós fomos brindados com um dia antártico fantástico, com sol, com uma temperatura agradável, com um vento que não estava atrapalhando”, conta o virologista do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Fernando do Couto Motta.
 
O dia bonito, no entanto, não acabou com as dificuldades do terreno, mesmo para um grupo acostumado com o trabalho de campo. “A coleta foi bem difícil. A gente ficou andando o dia todo com a neve até a altura do joelho, carregando mochila pesada. Foi bastante cansativo”, lembra Túlio Machado Fumian, pesquisador do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz.
 
 
Mesmo com o desvio de rota e a interrupção da pesquisa de campo, o grupo não se abateu, nem parou de trabalhar. “A gente continuou discutindo e trabalhando em diferentes aspectos do projeto e tendo uma boa convivência. Acho que isso é um trampolim para próximas etapas que poderão buscar padrões mais elevados em próximas operações”, relata Fernando.
 
Um novo grupo de Fundação, composto por quatro pesquisadoras e dois profissionais de comunicação, já está novamente na Antártica, colocando na prática os ensinamentos passados por pelo primeiro grupo após reuniões de avaliação.
 
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