CSP debate saúde indígena em oficina de divulgação científica

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Pensar a saúde indígena, para além da academia, de forma a atingir os agentes de saúde e a sociedade em geral. Este foi o principal objetivo da oficina realizada pela revista Cadernos de Saúde Pública, no dia 10 de dezembro. O evento contou com a presença de jornalistas, pesquisadores indígenas e estudiosos da área, que debateram o tema Avaliação pré-natal ofertada às mulheres indígenas no Brasil.
 
 
A temática da oficina foi baseada em um artigo publicado nos Cadernos, em agosto deste ano, no suplemento sobre Saúde de Crianças e Adolescentes Indígenas (vol. 35, supl. 3). A revista já dedicou três suplementos ao assunto: em 1991, em 2001 e, agora, em 2019.
 
Planejada para ser a primeira, a oficina teve financiamento do edital de divulgação científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A editora da revista, Marília Sá Carvalho, comentou a importância de discutir formas para ampliar o diálogo junto aos diversos públicos — principalmente num contexto de informações desqualificadas e movimentos anticiência. “Somos uma revista científica voltada para uma área aplicada; logo, como tratar de Saúde Pública sem pensar o outro lado?”, questionou. “Muitos profissionais de saúde acabam reproduzindo preconceitos e ideias pré-concebidas do mundo. Como cientistas, é nossa função sabermos falar com jornalistas de ciência e a população sobre conhecimento científico em saúde”, acrescentou Marília.
 
Por sua vez, Aline Ferreira, editora convidada do suplemento e pesquisadora no Instituto de Nutrição Josué de Castro (UFRJ), falou sobre a discrepância entre as evidências científicas e o destaque dado ao tema: “As taxas em saúde de crianças e jovens indígenas são alarmantes, há doenças, violência e problemas crônicos. Trabalhamos com invisibilidade em saúde e, por isso, temos que ampliar esse debate.”
 
Uma oficina, muitas vozes e possíveis produtos
 
Na oficina, havia espaço: o microfone estava aberto para que os convidados apresentassem contribuições e debatessem. Para as apresentações, foram chamados Luiza Garnelo, autora do artigo sobre pré-natal indígena; Ana Lucia Pontes e Ricardo Ventura Santos, que trataram do contexto da produção acadêmica da saúde dos povos indígenas; e a jornalista Raquel Aguiar, coordenadora de comunicação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que abordou algumas estratégias de divulgação e popularização da ciência. 
 
Durante o debate, uma das falas mais potentes foi a de Inara Nascimento, pesquisadora do Instituto Isikran de Formação Superior Indígena (UFRR). Inara, que é do povo sateré mawé, falou sobre a necessidade de romper com a hegemonia da academia, que, muitas vezes, não leva em consideração a produção dos povos indígenas.
 
Em seguida, uma roda de conversa reuniu os participantes para abordar divulgação científica e a temática da saúde dos povos indígenas: com quem, para quem, como. Dessa vez, a proposta era “colocar as mãos na massa” — trocar ideias e sugestões de possíveis produtos de divulgação científica sobre saúde indígena, para serem pensados no futuro. É a ciência a favor da inclusão e no combate às desigualdades.

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