'A luta pela saúde é a luta pela vida'

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Ao proferir a palestra de abertura do III Colóquio Latino-Americano de Formação em Saúde Pública, o deputado Federal, Alessandro Molon, descreveu o cenário político brasileiro e seus impactos na saúde e no ambiente. Na opinião do convidado, o país está dividido entre uma política que zela pela vida e outra que leva à morte. Medidas como a liberação de centenas de novos registros de agrotóxicos, a proposta de flexibilização do porte de armas, a retirada de radares das rodovias federais e a medida provisória que extingue o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais (DPVAT) reforçam essa última opção, defendeu o deputado.
 
Molon saudou os dirigentes e gestores das áreas de Educação e Saúde dos países vizinhos para reforçar os laços com o Brasil. O deputado, que destinou recursos orçamentários de emendas parlamentares à Fiocruz, agradeceu a atuação da instituição no cenário nacional e ressaltou que esse tipo de ação deveria ser um compromisso dos parlamentares, sobretudo diante do cenário de cortes. “Defender as instituições é uma obrigação”, frisou.
 
Ao introduzir o tema de sua palestra, “Agrotóxicos: a pauta política na defesa da saúde pública”, reiterou que a liberação de mais de 400 novos produtos neste ano mostra a urgência da aprovação do Plano Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA). “Esse tipo de liberação indiscriminada se insere em uma política de desprezo à vida. O alimento orgânico chega a poucas pessoas, e a maioria da população será condenada a comer uma comida com veneno.”
 
A reação internacional, além de negativa, tem freado a ação da bancada ruralista. Molon revelou que representantes da Frente Parlamentar, que atua em defesa dos interesses dos proprietários rurais, estão criticando a irresponsabilidade ambiental do governo, até mesmo na liberação dos agrotóxicos. “Conversamos com representantes ruralistas, e eles estão percebendo que esse caminho leva ao suicídio econômico. A situação está começando a doer no bolso, e, por isso, manifestaram interesse de aprovar pautas ambientais e de saúde pública para continuar exportando. Quando a marca Brasil se tornar sinônimo de câncer ou destruição do ambiente, os produtos brasileiros encontrarão muitas barreiras no exterior. Meio ambiente não é uma pauta de direita ou esquerda.”


 
Ao citar os desafios que estão por vir, o convidado afirmou que é fundamental conversar com a sociedade brasileira e ajudá-la a entender, na prática, o quanto as medidas adotadas colocam em risco a saúde humana. Outro ponto, segundo ele, é ultrapassar a barreira da oposição ao governo e conversar com aqueles que possuem opiniões diferentes; e as instituições científicas, como a Fiocruz, têm papel fundamental nisso. “É fundamental construir um novo modelo de desenvolvimento econômico, provar que vale a pena utilizar menos agrotóxico, vale a pena deixar a floresta de pé, vale a pena investir em pesquisas para preservar a Amazônia. Em uma sociedade cada vez mais adoecida, em estágio de depressão pela falta de perspectivas, a luta pela saúde é a luta pela vida.”

Mesa de abertura
 
O diretor da ENSP, Hermano Castro, afirmou que o evento é uma possibilidade de avançar no debate internacional das Redes de Escolas de Saúde Pública da América Latina. O diretor revelou que a emenda destinada à Escola foi fundamental para avançar na construção de uma política internacional em Saúde Pública. A Unasul deixou de existir, mas isso não arrefeceu a vontade de dirigentes lutarem por melhores condições de vida da população”, afirmou.

 
O dirigente da Organização Pan-americada de Saúde (Opas/OMS) Carlos Arósquipa citou a celebração do Dia da Cobertura Universal em Saúde (Universal Health Coverage Day), em 12 de dezembro, para afirmar seu desejo que o Colóquio seja uma oportunidade para renovar esforços que permitam que a população tenha acesso universal, integral e equitativo aos sistemas de saúde. Ele, que reconheceu a importância da Fiocruz na América Latina, destacou a importância de reduzir as barreiras de acesso a todos os serviços, assegurar recursos e reformar os sistemas de saúde na Atenção Primária em Saúde. 
 
Em sua fala, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, enalteceu a vocação da Escola Nacional de Saúde Pública para atuar em redes. Para ela, o evento internacional é mais uma oportunidade de unir esforços, reforçar as instituições e chamar atenção para uma visão ampla que envolve a cooperação internacional, em particular a sul-sul em defesa do direito à saúde do acesso ao serviço de saúde e das condições que levem ao bem-estar.
 
Por fim, anunciou a realização do Fórum Oswaldo Cruz, que se reunirá dia 6 de dezembro, à luz do tema O futuro da saúde no Brasil, compromisso social da ciência, e reunirá líderes de universidades, associações científicas e especialistas para debater a centralidade da CT&I na concepção nacional de desenvolvimento e bem-estar social. 

A abertura da atividade teve a participação do Coral Fiocruz.

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