Mudanças climáticas prejudicam saúde de crianças no mundo

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Matheus Cruz (Agência Fiocruz de Notícias)

As mudanças climáticas que o mundo inteiro tem enfrentado já estão prejudicando a saúde de crianças e apontam consequências para toda a vida de uma geração inteira, de acordo com a contagem regressiva da Lancet para a Saúde e Mudanças Climáticas (Lancet Countdown on Health and Climate Change). O estudo – que reúne pesquisas de 35 instituições de abrangência global, incluindo a Fiocruz - foi lançado no Brasil nesta segunda-feira (18/11), durante evento realizado na Universidade de São Paulo (USP). A pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública, foi co-autora do documento que traz as recomendações políticas para o Brasil.

 
O relatório é uma análise anual que acompanha 41 indicadores-chave para avaliar o impacto das mudanças climáticas na saúde pública. Para isso, o documento aborda quatro áreas essenciais: vulnerabilidade a doenças transmitidas por mosquitos, carvão, poluição do ar e emissões dos setores da saúde.
 
 
Os estudos relatam extensos danos à saúde causados pelas mudanças climáticas e apontam consequências para toda a vida de crianças nascidas hoje. A medida que as temperaturas se elevam, os bebês são mais vulneráveis aos males da desnutrição e aumento nos preços dos alimentos. Além disso, as crianças são as que mais sofrerão com o aumento de doenças infecciosas, com um aumento de 11% na capacidade de um tipo de mosquito transmitir dengue no Brasil, como resultado das mudanças climáticas.
 
Exposição a incêndios florestais e o impacto da poluição do ar também são alguns dos pontos citados pelo documento. Durante a adolescência, essas crianças sofrerão com os níveis perigosos de poluição atmosférica ao ar livre, que contribuíram para 24 mil mortes prematuras só em 2016. Os eventos climáticos extremos também se intensificarão na idade adulta de pessoas nascidas hoje; no Brasil, desde 2001, 1,6 milhão de pessoas foram expostas a incêndios florestais.
 
As recomendações políticas para o Brasil
 
Este ano, sob coordenação dos autores Mayara Floss e Enrique Barros, foi elaborado o briefing para formuladores de políticas brasileiros, analisando os dados do Lancet Countdown com o foco no Brasil. As recomendações brasileiras em 2018 abordaram três temas centrais: o impacto do calor na saúde e na produtividade do trabalho; doenças infecciosas sensíveis ao clima, especificamente dengue; e o manejo do uso da terra e desmatamento.
 
O documento assinado pelo Lancet Countdown também teve a co-assinatura da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os co-autores nacionais são Mathias Bressel, Sandra Hacon, Carlos Nobre, Daniel Knupp, Daniel Soranz, Paulo Saldiva, Laura dos Santos Boeira e Karina Pavão Patrício, com revisão internacional de Nick Watts, Alice McGushin e Jessica Beagley.
 
Lancet Countdown
 
O Relatório de 2019 da The Lancet Countdown sobre saúde e mudanças climáticas apresenta os dados mais recentes sobre 41 indicadores de cinco áreas: impactos, exposições e vulnerabilidades às mudanças climáticas; planejamento de adaptação e resiliência para a saúde; ações de mitigação e co-benefícios à saúde; economia e finanças; e engajamento público e político. Para mais informações sobre a Lancet Countdown, clique aqui
 
* Com informações do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP

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