Sessão debate ergonomia e suas práticas na Fiocruz

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Quais os programas de Ergonomia presentes na Fiocruz? A resposta foi obtida na última sessão do Encontros do Cesteh, realizada no mês de outubro. O evento objetivou mostrar aos alunos, funcionários e a todos os presentes as atividades de Ergonomia, além de suas práticas na instituição.

Para ilustrar o tema, o pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) Renato Bonfatti contextualizou o significado da atividade. Segundo ele, a prática contribui no planejamento, projeto, avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos e ambientes externos, de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.

A fim de saber como intervir, o pesquisador defendeu o conhecimento da rotina do trabalho. "Precisamos entender o que os trabalhadores efetivamente fazem, ou seja, suas atividades, na intenção de aplicar o que se conhece como ergonomia da atividade, convocando múltiplos saberes",  explicou ele, sobre a interdisciplinaridade da ergonomia.

Cognição, organização e intensidade do trabalho, cobranças excessivas, chefia desarrazoada e problemas físicos do trabalho são alguns dos porquês, citados pelo pesquisador, da necessidade da ergonomia. "Tudo isso, a ergonomia pode resolver."

Bonfatti fez um panorama geral do surgimento da ergonomia com a intenção de ilustrar a importância dessa atividade para estudo e a melhoria dos trabalhadores. "A ergonomia teve início na Segunda Guerra Mundial, depois da percepção de alguns erros, cometidos pelos pilotos, em aeronaves de guerra, devido ao estresse. Logo, começaram a estudar os maquinários", finalizou.

Disciplina Análise Ergonômica do Trabalho: curso de inverno

A pesquisadora do Cesteh/ENSP Simone Oliveira apresentou a disciplina Análise Ergonômica do Trabalho. O curso de inverno já teve duas edições, realizadas em 2018 e 2019, e faz parte do programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da ENSP. De acordo com a professora, a disciplina, a cargo dos professores Maria Egle Setti, Renato Bonfatti, a própria Simone e Ubirajara Matos, tem o propósito de desenvolver a capacidade do aluno para analisar e propor intervenções nas situações de trabalhos.

A professora explicou que as aulas foram ministradas de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h, com número de créditos 3. As metodologias empregadas foram apresentadas pela pesquisadora, mostrando, também, algumas das atividades de avaliação final (trabalhos de campo, realizados na Fiocruz). "O resultado de tais ações apontou impressionante qualidade", revelando serem satisfatórios os trabalhos, compostos de função principal do posto, espaço físico, arranjo físico e as posturas assumidas.

Equipe de Ergonomia do Trabalhador

"Os diagnósticos são feitos de acordo com a demanda." A frase é da integrante da equipe de ergonomia da Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST), Suzana Motta. A CST foi criada em 1996, em uma instância executiva da Presidência, com atribuições de desenvolver políticas e estratégias, ações de vigilância, promoção e atenção, bem como informações da saúde do trabalhador. "Todas as ações que desenvolvemos são baseadas nessas ferramentas", elucidou Suzana.

Na instituição, o grupo de ergonomia usa o Programa de Ergonomia (Proergo), Análise Ergonômica no Trabalho (AET), a análise ergonômica no posto de trabalho e as ações interdisciplinares, como estratégias de abordar as solicitações. Suzana explicou que as ações são criadas com os trabalhadores para que eles reflitam a respeito de seus processos de trabalho.

Além das análises ergonômicas, o grupo participa das diversas ações de Grupos de Trabalho sobre acidente de trabalho e saúde mental, no fomento e apoio à constituição das Comissões Internas de Saúde do Servidor Público (Cisps), entre outros. Três guias também foram desenvolvidos pelo grupo. Nos guias, há orientações para quem compra os computadores e outras para os usuários. "Os guias são associados a oficinas para discutir o tema, além da parte prática, com as instruções sobre esses assuntos", descreveu ela.

A maior ação de demandas vem dos próprios trabalhadores, de acordo com Suzana. Logo em seguida, vem da equipe que realiza os exames periódicos e, em terceiro, do pronto atendimento feito no Nust. Relacionados à natureza dessas demandas, Suzana diz que estão relacionadas a queixa de dores, em segundo lugar, ao sistema muscular, e, em terceiro, troca de mobiliários. Quatro departamentos da Fiocruz têm o programa de Ergonomia implementado em seu ambiente. São eles a Creche da Fiocruz, o Museu da Vida, a Coordenação de Gestão de Pessoas (Cogepe) e, em andamento, o Centro de Saúde Escola Germano Sinval (CSEGSF/ENSP).

Ergonomia em Biomanguinhos

Iniciado em 2017, o trabalho de ergonomia em Biomanguinhos tem como maior demanda a procura por cadeira adequadas e acidentes musculares. Para contextualizar a prática no departamento, a convidada foi a médica do trabalho, pertencente ao SMTR/Biomanguinhos, Ingrid Campos de Matos. "Ao contrário da CST, a ergonomia ainda está nascendo em Bio-Manguinhos. Não tínhamos uma equipe de ergonomia até 2016", explicou a médica. Atualmente, existe um grupo específico de ergonomia na unidade.

Devido às demandas que apareciam, a médica constatou a necessidade de algumas ações. "Como eram demandas grandes, percebemos que precisavam de ações mais ativas com outras interfaces." Assim, Ingrid começou a acionar o departamento de compra, manutenção, arquitetura, entre outros, para que o setor conseguisse solucionar todos os problemas. "Criamos um cronograma a fim de saber em qual etapa cada um entra para resolver esses problemas", concluiu.

Um dos projetos realizados dentro do departamento foi o de produção de vacina, que sofreu mudança significativa no envase da vacina. "Depois de visitas e reuniões com todas as equipes, conseguimos estruturar uma demanda para resolver o problema", explicou a médica. Foi realizado projeto que solucionou os problemas enfrentados pelos trabalhadores. Depois do sucesso do projeto, Ingrid salientou os próximos desafios a serem enfrentados. "Ter uma interface melhor com a engenharia de produção e a efetivação dos núcleos interdisciplinares, que precisam se reunir com mais frequência", finalizou.

 



Ergonomia na ENSP

A pesquisadora e coordenadora da Equipe de Biossegurança da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), Maria Egle Setti, mencionou os projetos de ergonomia implementados na ENSP. A professora ingressou no Serviço de Biossegurança da ENSP em 2018 com algumas atribuições, sendo a principal delas a coordenação e implementação das ações da gestão da biossegurança na área da Engenharia do Trabalho, com ênfase na saúde do trabalhador, com as normas vigentes.

Egle estabeleceu o fluxo de trabalho com o Serviço de Sustentabilidade e de Infraestrutura. Com esse trabalho conjunto, foi realizada mudança de fluxo, explicada pela professora. "Conseguimos fazer com que as Ordens de Serviços (OS) passassem, inicialmente, pela Sustentabilidade e, depois, chegassem à Infra, facilitando a criação de ações antes dos projetos finais.

Três projetos foram realizados pela pesquisadora na Escola. Na Secretaria Acadêmica (Seca), foi implementado um método para guardar caixas de arquivo em espaço determinado. "Nesse momento, trabalhamos com uma arquiteta, que fez o projeto depois de ter contato com as regras de ergonomia",  demostrando, portanto, a interdisciplinaridade nos projetos.

Logo após, foi realizado um projeto no restaurante da ENSP. "Era, também, um problema de espaço, para o qual precisamos de várias equipes em sua conclusão", salientou a professora. Finalizando com o projeto da farmácia do Centro de Refêrencia Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP), no qual o cuidado é maior, visto que o departamento trabalha com doenças de alta contaminação.

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