ENSP promove cooperação entre pesquisadores do Brasil e da França

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Por Joyce Enzler

Entre os dias 2 e 6 de setembro, pesquisadores e médicos franceses participaram de encontro, organizado pela pesquisadora da ENSP, Maria do Carmo Leal, para cooperação na área da saúde reprodutiva Brasil-França, com apoio do Consulado-Geral da França no Rio de Janeiro. Além das apresentações do contexto brasileiro e francês obstétrico e perinatal, o encontro englobou a visita às maternidades Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Rio de Janeiro, e Escola Assis Chateaubriand-Universidade Federal do Ceará.

A reunião para refletir sobre o contexto epidemiológico obstétrico e perinatal e a organização da atenção à saúde materno-infantil tanto nos sistemas brasileiro e francês aconteceu na ENSP. Da equipe francesa, participaram o chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Universitário de Angers, Philippe Descamps, e o pesquisador do Centro Hospitalar Universitário de Lille-França, Damien Subtil. Representaram o Brasil, além de Maria do Carmo Leal, os pesquisadores da ENSP Marcos Nakamura, Silvana Granado, Alexandra Sanchez, Bernard Larouzé e Ana Paula Pereira; a Vice-Diretora da Escola de Governo em Saúde (VDEGS/ENSP), Rosa Souza; os setores internacionais da Fiocruz, Ilka Villardo, e da ENSP, Beatriz Nascimento, Felippe Amarante e Pedro Burger; as pesquisadoras da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Mônica Neri e Ana Paula dos Reis; o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nilson Ramires de Jesus.

Também estiveram presentes na missão de firmar o pacto de colaboração entre Brasil e França, o representante do Consulado Geral da França no Rio de Janeiro, Romann Datus; da Cooperação Técnica da Embaixada da França no Brasil, Damien Gairin-Calvo e a representante do Ministério da Saúde Iluska Mendes. “Agradeço à ENSP/Fiocruz por nos receber. A redução da prática de cesárea é muito importante no Brasil e em outros países. Estamos empolgados em começar um trabalho nessa área com vocês. Entretanto, nós não estamos aqui para ensinar aos brasileiros, estamos para compartilhar, porque temos muito para aprender com o Brasil. Cooperação é isso”, afirmou Datus.

Na ocasião, Rosa Souza lembrou que a cooperação com a França é antiga e forte, e as parcerias com esse país sempre foram muito exitosas. Dentre essas, destacou a colaboração com a École des Hautes Études em Santé Publique (EHESP) na área de gestão hospitalar, saúde do trabalhador, meio ambiente e mais recentemente sobre a Acreditação Pedagógica. Reiterou que esta cooperação está sendo revitalizada com a vinda de uma missão oriunda da escola francesa para ENSP, em novembro. “Esse novo projeto, que trata da saúde reprodutiva Brasil-França, tem potencial para uma significativa transformação da lógica predominante, visando à redução de cesarianas em nosso país.”

De acordo com Maria do Carmo, essa visita de dois obstetras e professores universitários, Philippe Descamps, de Angers, e Damien Subtil de Lille visa dar início a uma cooperação, um trabalho de maior duração entre os serviços públicos brasileiros e franceses. Segundo Maria do Carmo, é essencial que as equipes de saúde brasileira aprendam com eles sobre o manejo do parto vaginal com uso de analgesia peridural. “Isso pode ser um componente importante para gente reduzir cesarianas no país. Eles estão pensando em participar do Congresso da Frebasgo (Federaçao Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetricia) para contar um pouco como eles fazem na França e como esse mecanismo foi um instrumento importante para França apresentar tão baixas taxas de cesáreas, considerando inclusive os valores médios da Europa.”

Para Descamps, é fundamental essa troca de saberes entre os países, tanto para melhorar o acesso à analgesia no Brasil, quanto para a França aprender novas técnicas. “Nós tivemos oportunidade de visitar duas maternidades e aprendemos muito com as equipes de saúde no Brasil, como o sistema de classificação de emergência obstétrica. Aprendemos também organização e respeito coletivo. Além disso, conhecemos o traje antichoque para mulheres com hemorragia, não temos isso na França.”

*Jornalista da Vice-Direção de Escola de Governo em Saúde (VDEGS/ENSP). 

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