Palestra Internacional da ENSP aborda Zika e Saúde Global

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Mariane Freitas e Matheus Cruz 

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) recebeu a professora da London School of Economics and Political Science (LSE), Clare Wenham, para ministrar a palestra Limpe sua casa e não engravide: Zika e uma crítica feminista da securitização da Saúde Global, na sexta-feira (9/8). Promovida pela Rede Zika Ciências Sociais, coordenada pelo pesquisador Gustavo Matta, da ENSP/Fiocruz, e pela pesquisadora do Instituto de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), Denise Pimenta, a atividade abordou a falta de inclusão da mulher em políticas de segurança e saúde global, além dos seus impactos durante as emergências sanitárias.
 
De acordo com a especialista do Departamento de Políticas de Saúde Global da LSE, as autoridades falham em incluir mulheres em políticas de segurança e saúde pública global. Por isso, continuam sendo negligenciadas durante crises de saúde. "Isso significa que as mulheres vão continuar a enfrentar um impacto desigual durante emergências sanitárias”, salientou. “Nós precisamos fazer com que as políticas de saúde sejam feitas também por mulheres, e dar certeza de que as políticas em saúde também serão boas e inclusivas para elas”.
 
A pesquisadora ainda mencionou o fato de que as desigualdades estruturais nas políticas de saúde pública – segundo ela, um dos fatores que fazem doenças transmitidas por vetores emergirem – acabam afetando grupos mais vulneráveis da sociedade, como mulheres pobres e negras. "Para o governo, é fácil responsabilizar as mulheres porque é um grupo com poder político limitado. Não há menção específica sobre mulheres em políticas de saúde globais em alguns documentos do Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo”, afirmou. 
 
Apesar de demonstrar que a construção de políticas públicas que sustentam lideranças governamentais notadamente apresentam uma superioridade masculina implícita, Clare admitiu que mudanças estão surgindo. “O Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo, demonstrou preocupação quanto ao impacto sobre as mulheres do surto de Ebola no Oeste da África”, disse.
 
Para a professora, a mudança se inicia a partir da conscientização. O reconhecimento das diferenças de gênero, e seus respectivos efeitos, seriam a base para a desconstrução de estereótipos e renovação de métodos científicos. Ainda que já tenham sido feitas alterações sobre esse quadro de generalização, não há um senso comum. “Eles estão começando a pensar sobre isso, mas não é lugar comum, ainda não é o tipo de políticas que estamos vendo. Então, a consciência é o começo, reconhecer o problema e desenvolver a política adequada”.
 
Professora e diretora do Mestrado em Política de Saúde Global da LSE, Wenham trabalha com a correlação entre saúde global e relações internacionais, com enfoque em segurança e regulamentação da saúde global. Sua mais recente pesquisa aborda doenças como Zika e Ebola, além do panorama global e das estruturas governamentais no controle de doenças.

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