A reprise dos fatos: Seminário na ENSP debateu a relação entre política e saúde

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O entendimento histórico de formas de governo, o compartilhamento dos problemas e a centralização de busca para soluções dessas dificuldades ganharam destaque no seminário Tragédia e farsa na história do Brasil contemporâneo: educação e saúde em questão, realizado pelo Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP). Na ocasião, pesquisadores e representantes de sindicatos abordaram pontos importantes na construção desses arquétipos de governo. 

A coordenadora do Cesteh/ENSP e do Grupo de Pesquisa Sintheses, Kátia Reis, enalteceu a importância da atividade num formato diferente: uma roda de conversa. Para ela, tal configuração fortalece ainda mais o conhecimento para todos. " A ideia é exercitar gradualmente o debates e o diálogo para ampliar o grupo de ação”, enfatizou Kátia.

 Com a moderação do pesquisador da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Janeiro (Eean/UFRJ) Walcyr Oliveira de   Barros, a mesa foi composta do pesquisador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas da UFRJ, Mauro Iasi e do representante da   secretaria de Saúde e Direitos Humanos do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), Luiz Guilherme Santos.
 
 Abrindo a mesa, Walcyr agradeceu a presença dos outros debatedores nessa argumentação, considerada por ele bastante significativa. “No momento em que fizemos o convite, ambos entenderam como convocação, se fazer presente para alimentar todo esse processo de     ampliação e debate não só no campo teórico, mas também no sentido de criar horizontes e perspectivas de força” destacou.
 
Os conceitos históricos das atitudes e estratégias usadas pelos antigos estadistas foram abordados pelo pesquisador Mauro Iasi. O professor elucidou em sua fala o conceito de Maquiavel citando que 'os seres humanos estão sempre diante das mesma situações'. “Está implícita nessa aproximação do autor que conhecer o passado é fundamental para atuar no presente”, assinalou.
 
A espiral — a repetição para uma situação já vivida, mas sempre num patamar superior — do filósofo Karl Max, foi comentada por Iasi, que assinalou ser uma espiral distinta, mesmo nesse conceito de repetição, pois inclui outros elementos. “Temos que tomar cuidado para não negar o conceito de circularidade porque ele é real, concluiu ele. 
 
Ao fazer um retrospecto sobre alternância de poder no Brasil - entre ditaduras e democracias -, o professor assinalou o período em que houve essa transição. “A crise da ditadura e o processo de cena chamada democratização gerou para nós uma perigosa impressão”, mencionou ele, fazendo referência ao “aparente retorno” — a espiral de valor ativo —. “O fato de eu retornar ao que era antes não é uma motriz. Pode ser que a gente volte num patamar superior dessa ofensiva do capital sobre a humanidade. Talvez hoje o potencial de destruição da ordem capitalista sobre a ordem humana, nesse caso diretamente sobre as condições de trabalho e saúde, são muito mais destrutivas do que na década de 1930, 1960... Não é a farsa ou a tragédia, é uma farsa trágica” considerou ele que, logo em seguida, analisou casos que sustentam essa teoria nas condições de trabalho e adoecimento.  
 
Mudança de rotina de vida e rotina de condição de trabalho são fundamentais
 
O representante da secretaria de Saúde e Direitos Humanos do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), Luiz Guilherme Santos trouxe para a pauta o vínculo entre adoecimento, conjuntura e capitalismo. A saúde, segundo Luiz, é o elemento principal para chamar a atenção dos trabalhadores e tirá-los do senso comum. “Queremos informar a categoria do sindicato, assim aumentamos o processo de consciência entre eles. Dentro de uma série de elementos conseguimos fazer com que uma grande parte da categoria entenda o que está acontecendo no mundo".
 
O caso de saúde no ambiente de trabalho também foi comentado pelo representante, que chamou atenção para as convicções do liberalismo. “O adoecimento não é somente pela parte da econômica, mais sim pela ideologia colocada pelo liberalismo(...). Quando não pensamos em crise, perdemos a noção de como estamos trabalhando”, alertou Luiz, fazendo referência ao modo de política do liberalismo, em que o ‘indivíduo é o elemento central, tornando-o responsável pelo seu sucesso e fracasso, o que leva ao trabalho desenfreado’.
 
Os sintomas de doenças adquiridas no ambiente profissional, mencionou Luiz, são usados como brechas para abordar esses debates de saúde com os trabalhadores. “A realidade levou as pessoas pela busca da política. O tempo de percurso entre o trabalho e sua casa é tempo e qualidade de vida perdidos. Daí nasce a pressão alta, a dor na coluna e, na maioria das vezes, não os identificamos como sintomas associados ao trabalho”, finalizou ele fazendo uma ressalva de como a mudança de rotina de vida e rotina de condição de trabalho são fundamentais para a saúde plena dos colaboradores. “Temos algumas estratégias, como, por exemplo, não levar trabalho para casa, ter cuidados com redes sociais, desligar o som do celular, entre outros".
 
 
*Por Thamiris de Carvalho, sob a supervisão de Isabela Schincariol
 
*Thamiris de Carvalho é estagiária de jornalismo da Coordenação de Comunicação Institucional da ENSP. Isabela Schincariol é jornalista da Coordenação de Comunicação Institucional da ENSP.
 

 

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