Feira Agroecológica Josué de Castro refletiu sobre agrotóxicos, saúde e ambiente na ENSP

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Por Joyce Enzler

Em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Feira Agroecológica Josué de Castro Sabores e Saberes promoveu uma série de atividades, tais como aula integrada, oficinas e práticas integrativas complementares em saúde. O evento, no dia 6 de junho, das 9h às 16h, também discutiu os impactos dos agrotóxicos na saúde e no ambiente.
 
Na ocasião, a chefe do Serviço de Gestão de Sustentabilidade da ENSP, Flávia Guimarães, deu início à aula integrada 169 razões para falar sobre agrotóxicos. Para ela, é impactante a liberação dessa quantidade de substâncias em pouco mais de 100 dias de governo, “é mais de uma substância nova liberada por dia, portanto é essencial a ENSP/Fiocruz articular esse debate com cientistas, agricultores, estudantes”. Para dar conta dessa temática, houve uma roda de conversa com a presença de representantes de movimentos sociais, pesquisadores, agricultores e apicultores. 
 
Segundo a pesquisadora da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), Sandra Fraga, a questão central desse debate é: qual a necessidade do agrotóxico? E a resposta está totalmente relacionada ao mercado e ao modelo de desenvolvimento. Ainda, de acordo com ela, outras perguntas que a sociedade deveria fazer são: Qual a vida que queremos? Queremos nos envenenar ou uma sociedade com segurança e soberania alimentares, que respeite a natureza, a rotina e a organização dos agricultores?
 
O coordenador do Programa de Agricultura Urbana da ASPTA, Marcio Mendonça, reitera que o eixo da discussão passa pela resposta à pergunta: Qual sociedade que nós queremos viver? Ele finaliza afirmando que, para responder a essa indagação, não basta que o indivíduo vá ao mercado da Zona Sul, compre uma alimento sem veneno e lave as mãos para o que está, de fato, acontecendo “porque os agrotóxicos vão causar impacto em todo o ambiente, contaminando águas, solo, alimentos e as pessoas que manipulam essas substâncias, tanto os agricultores quanto os aplicadores nas áreas urbanas.” 
 
 
De acordo com o pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) Luiz Cláudio Meirelles, não faz sentido viver em uma sociedade calcada no perigo. Para ele, a sociedade precisa de uma mudança não somente de modelo, mas também de substâncias, de pesquisa, de conhecimento científico e de acesso. “Há muita coisa já descoberta, porém o agricultor não tem alcance.  Temos um conjunto de questões em que o Estado necessita ser a vanguarda, e não o retrocesso.”
 
Para o especialista em toxicologia ambiental da área de Saúde e Ambiente do Cesteh/ENSP Gabriel Rodrigues da Silveira, todo estudo parte de uma visão de mundo, uma ideologia. Portanto, apesar de a atual vertente dizer o contrário, a adotada pelo Cesteh é colocar, em primeiro lugar, a proteção da vida humana. “Não basta dizer que o limite do agrotóxico está dentro do aceitável, porque uma substância pode ser liberada no Brasil e impedida de entrar na União Europeia. O que deveria ser adotado é o princípio de precaução, ou seja, se não há certeza sobre os efeitos, não pode ser aplicado.”
 
Já o apicultor e engenheiro florestal Markus Budzynckz destacou o cotidiano dos agricultores de Paty de Alferes, local em que reside e no qual atua, frente ao uso dos agrotóxicos. “O uso do herbicida afeta a área de quem não o utiliza também, porque o vento traz as sementes envenenadas, e as abelhas ficam desorientadas e morrem; então, vira um ciclo infernal.”
 
No caso das abelhas, a pesquisadora do Jardim Botânico Roberta Leal afirmou que existe uma regulamentação do uso dos agrotóxicos, mas deveria ser respeitado o período de quarentena para aplicação dos herbicidas: o forrageio, isto é, a coleta de recursos das abelhas. “Eu trabalho com polinização há quatro anos, e as abelhas estão sendo afetadas por esses pesticidas de várias maneiras, perdendo a capacidade de voar, de identificação e até morrendo. Se não temos o polinizador, não teremos o fruto.”
 
O apicultor e agrônomo Marcelo Esperon alertou que alguns ambientalistas estão buscando iniciativas para reverter essa Desordem do Colapso das Colônias (DCC) de abelhas. “Tem como reverter essa circunstância, mas é necessário trabalhar na base, conscientizar e informar as pessoas da gravidade da situação e, principalmente, agir na produção.”
 

 

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