119 anos da Fiocruz: trabalhadores da ENSP são homenageados

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No âmbito das comemorações aos 119 anos da Fiocruz, a instituição homenageará seus trabalhadores que, há trinta anos, contribuem, auxiliam e lutam cotidianamente por um Sistema Único de Saúde universal, integral e equitativo. Reconhecidos por seus pares, alunos e demais profissionais, os homenageados da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca - total de 47 servidores - falaram ao Informe ENSP sobre seu trabalho, lembranças e conquistas em favor da saúde pública desde o ano de 1989. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 28 de maio, às 14h, na Praça Pasteur, ao lado do Castelo Mourisco. Confira essas histórias de vida, amor e trabalho.

 


 
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Com trinta e oito anos na Fiocruz, e desses, trinta como servidora, Maria Elena Ottoni Sette, mais conhecida como Lena, fez história na instituição. A jovem bolsista de 27 anos, ao chegar ao Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde (Demqs/ENSP/Fiocruz), em 1981, não poderia imaginar que sua história seria marcada por incontáveis participações na construção da Fundação. 
 
Escolhida representante dos homenageados da ENSP, Lena explicou que, por ser da área da Comunicação, viveu grandes experiências na Fundação. “Quando cheguei à Fiocruz, ainda vivíamos um período em que o presidente era do regime militar. Cheguei eufórica, pois isso aqui já era uma abolição com grandiosa história.” A servidora esteve presente na coordenação da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), participou da organização da 8ª Conferência Nacional de Saúde; na construção do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP) e da Casa Oswaldo Cruz (COC), ambos em 1985, além de ter sido secretária executiva da comissão organizadora do IV Congresso Interno, que contou com o auxílio de grandes companheiros como Paulo Gadelha, Renato Cordeiro, Hayne Felipe, Andre Malhão, Tania Celeste, Rita Mattos e outros. 
 
Colaborou na gestão da Presidência de Paulo Buss, fez parte da coordenação do curso de Especialização em Epidemiologia para monitoramento Emergencial em Saúde Pública por três anos, além de muitas outras atividades pelos departamentos da Fundação. Atualmente, faz parte da equipe de revisão do material CBVS para Região Litorânea do Rio de Janeiro e está no mesmo departamento em que esteve quando entrou na Fiocruz; em 2005, foi premiada, ao lado do deputado estadual e professor Marcelo Freixo, com a Medalha Careli de Direitos Humanos, oferecida pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN).
 
Em entrevista, Lena expressou que os atuais alunos da ENSP “devem ter bastante fôlego e energia. Não desistam do curso, pois vejo um futuro brilhante a caminho; cada um tem a possibilidade de beber o conhecimento dado pelos professores, uma vez que ele é passado com muita facilidade".
 
Ela falou, ainda, sobre como se sente: “Me vejo num momento de verificar todo o respeito e dignidade – o respeito pela população, além de estar a serviço. É isso que me move a trabalhar: informar sobre a saúde, sobre as mudanças. Vivi em prol disso. Tenho respeito por todos esses que aqui são cabeças pensantes, são comuns, acessíveis, tocáveis, que dão oportunidades; eu tive muitas oportunidades. Recebo essa homenagem e agradeço simultaneamente por estar nessa equipe, que fica em cima dos papéis com a intenção de que as pessoas tenham saúde, principalmente os mais necessitados. Nos tornamos uma marca da saúde”, admitiu Marina Elena Ottoni Sette
 
Uma história narrada; 30 anos na ENSP
 
"Dez, dos trinta anos de trabalho na Fundação, foram realizados na ENSP. Aqui encontrei incentivo à inovação. Desconhecia a existência de um ambiente de liberdade de trabalho como esse da Fiocruz. Segundo o ex-Diretor Antonio Ivo de Carvalho, 'inaugurei uma tradição', pois  criei  um laboratório de Internet que realizou diferentes atividades de pesquisa e produção de conhecimento com os moradores de Manguinhos", disse pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) e coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss/CSEGSF/ENSP), André Pereira Neto. 
 
"Minha formação como epidemiologista foi consolidada na ENSP, no grupo de pesquisa liderado pelo professor Sérgio Koifman. Participar da comunidade acadêmica da Fiocruz, voltada para os enormes desafios da saúde pública, fez toda a diferença na minha trajetória e engajamento profissional, como docente e pesquisadora. Recebi, aprofundei e repassei como forma de retribuir. Só me resta agradecer", aponta a pesquisadora do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da ENSP (DEMQS), Gina Torres
 
Marcus Vinicius Del Sarto, conhecido como Marcão, vinculou sua trajetória ao orgulho de ser ENSP. “É com muita alegria, ética e eficiência que procuro desempenhar minhas funções na Escola e sinto-me totalmente honrado por fazer parte desta instituição”, disse o coordenador de Gestão da Tecnologia da Informação da ENSP. 
 
Um sentimento para além do ofício 
 
O Castelo Mourisco é um ponto de referência de todos os que passam pelas vias expressas do Rio. Não à toa, a integrante da equipe de Gestão da Qualidade do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF), Janete Romeiro, realizou o desejo de trabalhar no castelo onde sonhava em ser princesa, aos 17 anos, como estagiária da Presidência da Fiocruz. “Atuar na ENSP, desde 1989, com muitas pessoas importantes é uma grande satisfação. Olhar para trás e ter a consciência de dever cumprido, além de saber que muita coisa boa aconteceu na vida, é maravilhoso”, disse Janete.
 
As belezas naturais, outrossim, identificam as motivações dadas pela instituição para os trabalhadores. Não diferente à pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais (DCS), Rosana Magalhães conta que com as rosas que floreavam o caminho do Castelo, iniciava ali uma trajetória de grandes aprendizados. “A ENSP enfrentou, e enfrenta todos os dias, os desafios da formação em saúde no Brasil, tenho afeto e compromisso com o ofício de pesquisadora. Com orgulho, só posso agradecer.”
 
“Sou pesquisadora da ENSP, mas, antes, fui aluna, sanitarista e mestre, desta escola”, disse a pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde (Daps/ENSP), Mônica Martins, assegurando que “a honra, orgulho e pertencimento estão sempre presentes, mas também a responsabilidade junto aos nossos ‘mestres’, colegas e sociedade”.
 
A contribuição trazida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz) ao Sistema Único de Saúde (SUS) evidencia tamanha emoção dos servidores com essa homenagem pelos trinta anos de serviço. Para o servidor do Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF), Lourival Victorino, “o tempo passou muito rápido. Já tenho trinta anos dentro desta instituição maravilhosa que se chama Fiocruz, onde aprendi e respeito muito. Não poderia ser de outra forma, também sinto-me realizado por ter deixado minhas pequenas marcas pelas unidades que trabalhei, ajudando no possível engrandecimento e incorporando um pouco de história à nossa Fiocruz". 
 
Orgulho e alegria são as palavras que dão sentido ao trabalho da pesquisadora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh/ENSP), Rosângela Brito. “O ambiente na ENSP é propício ao aprendizado e desenvolvimento profissional e pessoal de seus trabalhadores e esse é um ponto forte, mas os vínculos de amizade que vão se formando e a convivência com tanta gente querida são as melhores partes”, disse ela. 
 
“Cheguei à Fiocruz trazida pela residência em saúde pública, oferecida pela ENSP no ano de 1986. Ainda na residência, participei de uma pesquisa coordenada pelo professor Victor Vincent Valla, que trabalhava com educação popular e cidadania. Essa pesquisa e essa instituição mudaram minha vida, minha relação com a família, com a política pública, além de minha visão do mundo, e despertou o compromisso com a formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS que vi nascer com a Reforma Sanitária e a Conferência de 1988 marcam meus trinta anos de Fiocruz, e esse compromisso ainda me é fundamental e fator de muito orgulho. Paulo Buss cunhou a expressão Orgulho de ser Fiocruz, e eu a reproduzo com muito orgulho”, disse a pesquisadora da ENSP e coordenadora da Residência Multiprofissional em Saúde da Família, Maria Alice Pessanha.
 
“Me sinto orgulhosa e profundamente agradecida por fazer parte desta instituição, contribuindo com meu trabalho tanto na formação de outros trabalhadores para o SUS como para o próprio SUS, como médica do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Faria (CSEGSF), disse Gíssia Galvão.
 
“Trinta anos de orgulho por fazer parte desta instituição centenária de Estado brasileiro, na qual é possível exercer com apoio, respeito ao conhecimento e liberdade nosso compromisso com a sociedade de desenvolver ciência e tecnologia em saúde no plano nacional e, assim, contribuir para a saúde global”, destacou a coordenadora do Centro de Estudos, Políticas e Informação sobre Determinantes Sociais da Saúde (Cepi DSS), Patrícia Tavares Ribeiro. “Exercer a carreira de pesquisadora na Escola Nacional, atuando no âmbito da política de saúde, é um sonho atualizado a cada novo projeto que inicio, pelo aprendizado constante, pela expectativa de contribuir academicamente e sobretudo pelas oportunidades de interagir com professores, pesquisadores, alunos, gestores e população deste nosso imenso país, cujas maiores riquezas são, sem dúvida, sua diversidade e sabedoria acumulada em nossa história de desafios. Parabéns Fiocruz por seus 119 anos! É uma honra e uma felicidade participar de mais uma comemoração”, finalizou a pesquisadora.
 
Fiocruz: compromisso com a saúde pública
 
“A Fiocruz é uma instituição incrível, e, no decorrer desse percurso de trinta anos, o amor pela instituição passou a ser parte de mim. Junto-me àqueles que têm orgulho de ser Fiocruz”, declarou a pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde e coordenadora-geral do Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (Proqualis/Icict/Fiocruz), Margareth Portela
 
Para a pesquisadora do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab/ENSP/Fiocruz) Silvana Rubano Turci, a Fiocruz “tem sido uma jornada de vida. É por meio do compartilhamento de experiências e conhecimentos que crescemos e colaboramos, de forma efetiva, para que haja avanços na saúde pública brasileira. Sou responsável pelo Observatório das Estratégias da Indústria do Tabaco no Brasil e, ao longo dos anos, percebemos que somente uma instituição como a Fiocruz seria capaz de abraçar esse trabalho de forma objetiva e independente”, expressou.
 
Confira a lista de homenageados da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz):
 
A longa lista demanda a responsabilidade de ter, entre os colegas de trabalho, pessoas que fizeram e fazem história no âmbito da saúde.
 
São eles: Alcenir de Moura Martins; Aldir Chaves, Alex Alexandre Molinaro; Ana Maria Cheble Bahia Braga; Ana Maria Laurentiz Pacifico; Andre de Faria Pereira Neto; Claudia Pacheco Dos Santos; Edmundo de Almeida Gallo; Eliana Dos Santos Silva; Fernando Amiel Junior; Gicilene Alves de Jesus; Gina Torres Rego Monteiro; Gissia Gomes Galvao; Gloria Cristina Ramos Godoy Da Cunha; Ines Nascimento de Carvalho Reis; Janaina Pinho Da Silva; Jane Da Costa Valentim Rego; Janete de Souza Romeiro; Janete Lima Reis; Juremi de Oliveira Carvalho; Leila Banni Ferreira de Mattos; Leonor de Oliveira Costa; Liane Maria Braga da Silveira; Lourival Pinto Victorino Neto; Marcelo Santos Sampaio; Marcia Cristina Rodrigues Fausto; Marcus Vinicius Del Sarto; Margareth Crisostomo Portela; Maria Alice Pessanha de Carvalho; Maria Das Gracas Mota Melo; Maria Elena Ottoni Sette; Maria Helena Vieira Machado; Maria Jose Marinho Goncalves; Marina Ferreira de Noronha; Marlene do Amor Divino da Silva; Monica Silva Martins; Paulo Vieira; Patricia Tavares Ribeiro; Renato de Souza Torquilho; Rogeria Leite Pelegrino Pinho; Rosa Maria Rodrigues Lopes; Rosana Magalhaes; Rosangela Brito de Araujo; Rosimere Pimenta; Silvana Rubano Barretto Turci; Simone Goncalves de Assis; Vera Lucia Edais Pepe e Walcirleya Andrade Rolim de Oliveira.
 
*Por Edigley Duarte, sob a supervisão de Isabela Schincariol
 
*Edigley Duarte é estagiário de jornalismo da Coordenação de Comunicação Institucional da ENSP. Isabela Schincariol é jornalista da Coordenação de Comunicação Institucional da ENSP.

 

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