ENSP participa de encontro que discutirá agronegócio, uso de agrotóxicos e agroecologia

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Por Isabela Schincariol
 
“Agroecologia não é somente uma técnica, mas uma forma de produzir alimentos. Ela não é apenas concepção de vida, mas, sim, também movimento”, disse o pesquisador da ENSP Ary Miranda ao convidar os interessados para participar do 1º Encontro de Agroecologia da Região Serramar, que acontecerá entre os dias 27 e 29 de abril, em Casimiro de Abreu, no Rio de Janeiro. O tema central de discussão será Tem veneno na sua comida? Participe desse debate!
 
O 1º Encontro de Agroecologia da Região Serramar está sendo organizado pela ENSP/Fiocruz, em parceria com a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a Articulação de Agroecologia do Estado do Rio de Janeiro da Região Serramar, a Prefeitura de Casimiro de Abreu, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e diversas outras instituições e organizações. Tem por finalidade dialogar com os agricultores familiares e população em geral sobre o impacto para a vida humana e o meio ambiente decorrentes do modelo agrícola químico dependente, além de sua relação com o modelo agrário do agronegócio.
 
O último dia do encontro, 29/4, será dedicado ao planejamento de ações futuras que se referem à construção e valorização de políticas públicas voltadas à produção de alimentos saudáveis e à necessidade de uma política efetiva de redução de agrotóxicos. Tal espaço intenciona auxiliar a construção de um futuro para a área.  
 
Além dos três dias de discussão, também acontecerá uma feira de produtos agroecológicos e artesanais, apresentações culturais com shows, teatro e atividades infantis, debates em formato de aula pública, várias oficinas e rodas de conversas para trocas de experiência agroecológicas. Os consumidores poderão, ainda, saborear deliciosas refeições agroecológicas produzidas com produtos livres de agrotóxicos e transgênicos. 
 
 
Para Lucineia Freitas, integrante da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, a realização desse evento acontece em um momento importante de diálogo com a sociedade, considerando que, no Congresso Nacional, há dois Projetos de Lei (PL) que requerem atenção popular. O primeiro se refere ao PL 6299/2002, conhecido como Pacote do Veneno, que objetiva a flexibilização e permissibilidade no processo de liberação e regulação de agrotóxicos. O outro, PL 6670/2016, trata de uma política para redução de agrotóxicos, com base em uma atuação mais eficaz dos órgãos de controle da saúde humana e ambiental. 
 
Segundo ela, em pouco mais de 100 dias de governo Bolsonaro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já liberou a utilização de mais de 150 novos agrotóxicos para agricultura. É nessa conjuntura que a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro e diversos outros parceiros, como a Fiocruz e o Inca, as universidades da região Serramar e várias Organizações Não Governamentais promoverão esse encontro. “Seu tema central vem na perspectiva de dialogar tanto com os agricultores como com a população urbana em geral sobre como estamos nos alimentando e qual é o impacto disso para a nossa saúde. É a inter-relação direta que existe entre alimentação e saúde. Com esse intuito, discutiremos a respeito das políticas desenvolvidas para essa área e qual projeto é sustentado a partir do crédito, financiamento e investimento que existe na produção”, explicou ela.
 
Já Fernanda Nogueira, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), destacou o local de realização do evento como uma região propícia e promissora a tais debates. “A escolha do local foi bastante estratégica, uma vez que essa prefeitura já vem desenvolvendo ações para a promoção da agroecologia, e também  existem diversas outras iniciativas e formas de expressões agroecológicas na região. Outro ponto que consideramos para tal escolha foi a parceria da prefeitura de Casimiro de Abreu com o Inca, desde 2013, por meio de sua Secretaria de Saúde do Trabalhador, para o desenvolvimento de uma pesquisa com o objetivo de avaliar o aumento dos casos de câncer na região”, esclareceu Fernanda.
 
Para o pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana e coordenador do mestrado profissional em Trabalho, Saúde, Ambiente e Movimentos Sociais, Ary Miranda, o mote desse encontro é a provocação. “Estamos mobilizando um conjunto de camponeses no sentido de propiciar uma discussão dentro desse processo que já existe no Brasil, com pessoas engajadas na luta contra o agronegócio e os agrotóxicos, na perspectiva de uma nova maneira de produzir alimentos sem veneno, sem expulsar os trabalhadores do campo, preservando sua identidade cultural e produzindo, de forma saudável, de tal maneira que a população tenha acesso a um alimento sem agrotóxico”, defendeu Ary, dizendo que isso é possível. 
 
De acordo com ele, esse é um movimento importante que vem crescendo no Brasil nos últimos quinze anos de forma significativa. Segundo Ary, ele traz uma perspectiva de desconstrução do mito que o agronegócio tenta colocar em nossas cabeças de que só é possível produzir em grande escala para atender à sociedade. Isso, obviamente, utilizando muitos aditivos químicos, agrotóxicos e na forma de monocultura, que devasta o solo. No entanto, a agroecologia não é só uma técnica, mas uma forma de produzir alimentos. Não é apenas concepção de vida, mas, sim, também movimento”.

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