Entrevista: Bolsista representa ENSP no Prêmio Destaque CNPq 2018

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No mês de fevereiro, foi realizada uma reunião de seleção de bolsistas para concorrer ao Prêmio Destaque CNPq 2018. A partir das normas avaliadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Bolsas de Iniciação Científica Pibic/Pibiti, vinculada à Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), e os coordenadores das Unidades Fiocruz selecionaram quatro estudantes para concorrer à etapa nacional do 16º Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq (2018).
 
Para a seleção, foram avaliados critérios como a relevância e a qualidade do relatório final do bolsista, originalidade, inovação, aplicação prática da pesquisa para a solução de problemas concretos e com resultados, além do histórico escolar, de acordo com a atuação e atribuições do bolsista do ponto de vista do orientador. 
 
Dentre os concorrentes, está Larissa Machado Barão Freitas. Bolsista Pibic da Escola de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), a aluna foi selecionada ao submeter seu projeto de pesquisa “Internet, Informação e Empoderamento: um estudo sobre as práticas de advocacy no Facebook”, sob orientação do pesquisador André de Faria Pereira Neto, coordenador do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss).
 
Graduanda de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a estudante começou seus trabalhos de pesquisa ainda no ensino médio. Em 2018, na Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic), recebeu o Prêmio Adauto Araújo, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, ao apresentar um subprojeto sobre as práticas do advocacy – seu primeiro como aluna Pibic –, também sob a orientação do pesquisador André Pereira Neto.
 
Segundo o edital do prêmio, o resultado será divulgado pelo CNPq até 24 de maio de 2019 no endereço www.destaqueict.cnpq.br, enquanto a cerimônia de premiação será realizada durante a 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho deste ano.
 
Informe ENSP: Do que se trata o projeto? Faça um breve resumo sobre sua pesquisa.
 
Larissa Machado: A emergência das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs) permitiram que os indivíduos tenham acesso e produzam informação mais fácil de modo rápido. Muitas dessas informações produzidas na internet são sobre saúde. Essa mudança favoreceu o surgimento do “paciente informado”: um indivíduo empoderado que busca garantir acesso a um tratamento de qualidade e ao medicamento. A tuberculose é uma das doenças infectocontagiosas mais prevalente no Brasil. Muitos dos portadores de tuberculose se reúnem em comunidades virtuais, nas quais compartilham informações e experiências sobre a doença, sua prevenção e tratamento. Uma das maiores plataformas de comunidades virtuais, atualmente, é o Facebook.

Assim, o objetivo dessa pesquisa é analisar uma comunidade virtual do Facebook que reúna tuberculosos, para verificar se esse espaço se configura como um ambiente que facilite o advocacy: a luta pelos direitos do paciente-cidadão. Nessa primeira etapa da pesquisa, buscamos compreender melhor a ação do advocacy por meio dos movimentos sociais em rede. Para tanto, lemos e analisamos o livro "Redes de Indignação e Esperança: Movimentos Sociais na Era da Internet" do sociólogo espanhol, Castells (2017), e o artigo de Araújo, Penteado e Santos (2015). Nosso objetivo foi estabelecer uma análise comparativa. Esse trabalho nos ajudou a compreender sociologicamente o mundo digital e a lógica dos movimentos sociais on- line. Verificamos que as ações institucionais do Estado, por vezes, mostram-se ineficientes para suprir as demandas sociais. Isso faz com que a prática do advocacy se torne recorrente, para que os indivíduos conquistem seus direitos.
 
Informe ENSP: Qual a importância da discussão desse tema dentro de uma instituição como a Fiocruz?
 
Larissa Machado: A consequência das mudanças sociais geradas pela emergência da internet ainda é obscura na história da humanidade, tendo em vista seu pouco tempo de existência. Todavia, vemos o quanto afetou a vida das pessoas. No Brasil, ainda pouco se pesquisa e estuda sobre a vida social em rede, gerada pelas NTICs. Diferente de países desenvolvidos da Europa e da América do Norte. A Fiocruz é uma das maiores instituições da América Latina em prevenção e promoção da saúde. Dessa forma, vejo que a discussão sobre o advocacy, como luta por direitos em saúde por meio das comunidades virtuais, constitui-se como um tema muito atual e de fundamental relevância para uma instituição como a Fiocruz. Principalmente em um país como o Brasil, que sofre uma grande crise de legitimidade dos representantes políticos e ainda possui ações institucionais pouco eficientes para suprir as necessidades da população.
 
Informe ENSP: Quais são suas expectativas sobre a indicação?
 
Larissa Machado: Não consigo medir em palavras o quanto estou feliz com essa indicação.
Sou fruto de uma família de baixa renda. Venho de uma comunidade da zona norte do Rio de Janeiro. Meus pais tão somente terminaram seu ensino médio. Minha vida mudou quando passei no concurso do Colégio Pedro II, escola federal de alta qualidade, e me tornei aluna desta instituição, onde cursei meu ensino fundamental e ensino médio.

Desde quando eu era criança e via o Castelo da Fiocruz, na Avenida Brasil, falava com meus pais que iria trabalhar lá.
A Escola Politécnica Joaquim Venâncio da Fiocruz possui um convênio com o Colégio Pedro II para selecionar jovens do ensino médio, a fim de terem seu primeiro contato com a Iniciação Científica por meio do Programa de Vocação Científica da Fiocruz (Provoc).
Vi, no Provoc, a chance de realizar meu sonho de infância. Fiz minha inscrição no programa. Passei por todas as etapas e fui selecionada.

A coordenação do Provoc entendeu que meus interesses iam ao encontro do trabalho desenvolvido pelo professor André Pereira Neto, e o fizeram meu orientador. Nessa oportunidade, também conheci o trabalho desenvolvido pela equipe do Laboratório Internet, Saúde e Sociedade (Laiss), que é coordenado por ele.

Em 2016, fui aprovada no Vestibular e me tornei aluna da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Concluído o Provoc com sucesso, no início de 2017, o professor André Pereira Neto e eu decidimos submeter um subprojeto ao Pibic, que foi aceito. Então, em agosto de 2017, começamos a desenvolver a pesquisa em questão sobre as práticas do advocacy. Esse trabalho foi fruto do meu primeiro ano como aluna do Pibic.

Na Reunião Anual de Iniciação Científica (Raic) da Fiocruz, realizada em junho de 2018, essa pesquisa foi bem-avaliada. Na oportunidade, recebi o Prêmio Adauto Araújo, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).
Assim, em janeiro de 2019, a Coordenação de Pesquisa da ENSP me indicou a submeter meu projeto ao 16º Prêmio Destaque de Iniciação Científica - CNPQ 2018.

Primeiramente, os projetos Pibics e Pibits deveriam ser analisados por uma banca interna da Fiocruz, para que fossem selecionados somente os melhores das grandes áreas do conhecimento.
Na segunda etapa, os melhores trabalhos selecionados seriam encaminhados ao CNPQ para concorrem ao prêmio, representando a Fundação Oswaldo Cruz.

No dia 20 de fevereiro, recebi resultado da Vice-Presidência de Pesquisa anunciando que meu trabalho tinha sido selecionado para representar a Fiocruz na grande área de Ciências Humanas e Sociais. O que posso dizer é que já sou uma vencedora só de ter chegado aqui. Sou extremamente grata pela indicação a esse prêmio, que reconhece não somente meu trabalho, como também todo o esforço da equipe do Laiss e, principalmente, ao grande mestre André Pereira Neto, que se dedica brilhantemente a orientar alunos desde 1987.
 

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