Saúde é Meu Lugar: mostra de vivências nos territórios encerra mais um ciclo

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Os números falam por si só e definem o nível de qualidade de um projeto tão inspirador: 1.485 histórias publicadas; 700 narradores inscritos; 1.500 pessoas cadastradas; e 55 mil visualizações do site na mostra on-line. 24 mostras presenciais realizadas; 22 estados contemplados e 2.115 participantes. Nas redes sociais. 2.500 seguidores, mais de 1 milhão de visualizações e 5 mil compartilhamentos. Esse foi o saldo mais que positivo do projeto Saúde É Meu Lugar em 2018, projeto que visa reunir e divulgar histórias sobre experiências de trabalho em saúde nos territórios, em todo o território nacional.

Para encerrar o ano de 2018, o projeto reuniu, ao final de novembro, na Fiocruz, diversos colaboradores que contaram suas histórias inspiradoras da saúde na Mostra Saúde É Meu Lugar narrativas 2018. O coordenador do projeto e pesquisador da ENSP, Caco Xavier, de forma lúdica, deu as boas-vindas aos presentes e contou brevemente um pouco da trajetória do projeto inspirador que reuniu pessoas de diferentes partes do país para contar sobre seu lugar na saúde.

‘Do acaso à sincronidade’, foi o tema contado por Murilo de Brito Andrade, arte-educador de Sergipe, o primeiro a contar sua história na mostra de vivências. Pai aos 20 anos, Murilo iniciou sua carreira no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), em 2000. Migrou para saúde metal e descobriu que, para trabalhar com saúde mental, é preciso trabalhar a criatividade. “Em CAPS, tudo é terapêutico, é preciso apenas inventar um novo modo para fazer diferente”. E foi assim que Murilo criou o projeto ‘Sons no SUS’, um projeto aberto ao debate e à sugestões, que trabalha temas diversos sob a perspectiva da promoção da saúde. “São 18 anos na saúde que se misturaram com a minha vida, e, por isso tudo, a saúde é o meu lugar”, comemorou Murilo.

A Agente Comunitária de Saúde Elaine Silva de Souza foi mais uma das protagonista da Mostra de Vivências. Mãe, carioca, 47 anos, Elaine contou que sempre cuidou dos seus vizinhos e dos moradores do seu bairro. Sua ligação com a saúde, até então, era apenas devido aos seus pais e a irmã, que era enfermeira em um bairro do interior do Rio de Janeiro. Elaine contou que nunca teve um lugar dela, pois não tinha uma profissão. “Há sete anos, eu me separei e resolvi passar um tempo com minha irmã, lá prestei concurso e me tornei Agente Comunitária de Saúde. Descobri que para ser ACS você precisa gostar de pessoas. Passei em 1º lugar e esperei sete anos para ser convocada. Eu nunca desisti. Ser ACS é, a cada dia, assumir um papel diferente. Ser ACS é ser um agente transformador de vidas”, defendeu Elaine.

‘Uma vida inteira na saúde’, foi o tema da vivência contada pela enfermeira do Tocantins, Iane Souza Veloso Ribeiro. Ela entrou na saúde em 1985, pois, à época, morava no interior e passou num concurso público para auxiliar de serviços gerais em um hospital. “Naquela época, eu fazia a comida, mas eu queria ser mais útil na área da Saúde. Eu sentia a necessidade de ser mais útil no meu território”. Em 1996, Ione saiu dos serviços gerais e passou a atuar como auxiliar de enfermagem. Num determinado momento, ela precisou passar o diagnóstico de tuberculose para uma paciente. “Aquela mulher estava desesperada, queria se matar, e, naquele momento, eu percebi que, na prática, era tudo muito diferente do que eu tinha aprendido. Eu preciso ajudar mais as pessoas. Passei na faculdade, larguei os serviços gerais e prestei concurso para enfermeira. Hoje, eu sei que sempre posso mais. A persistência dentro do serviço público somos nos quem fazemos”, destacou Ione.

A Assistente Social Lorena Taynan Vasconcelos Queiroz, de 25 anos, moradora do Pará começou sua trajetória em 2011. Ela começou a estagiar na pediatria cardiológica, e a vida das mães começou a chamar sua atenção. “Resolvi tentar levar isso para meu projeto de finalização do curso, mas, era pouco, pois ali estavam histórias de vida. Chamamos o projeto de “Colcha de Retalhos”. e escolhemos cinco mães para contar sua história. Foram muitas histórias de amor, medo e superação. Nesse encontro. tudo foi diferente, pois ali elas não eram apenas mães.”

Em 2017, Lorena se formou e partiu para outro hospital. Dessa vez, nem tudo deu tão certo, pois a assistente social perdeu o emprego, terminou um relacionamento longo e entrou em depressão. “Naquele momento, eu me vi num buraco, minha vida não fazia mais sentido. Em 2017, eu conheci o projeto Saúde É Meu Lugar e fiquei muito feliz quando vi a minha história publicada. No final de abril desse ano, eu recebi uma ligação do projeto me convidando para ser mobilizadora em Brasília. O fracasso te leva ao sucesso. Depois de Brasília, minha vida mudou. O Saúde É Meu Lugar me salvou”, celebrou Lorena.

Depois de tantas histórias inspiradoras, a professora e pesquisadora da Fiocruz, Tânia Celeste Matos Nunes recebeu uma homenagem em nome da presidente da instituição, Nísia Trindade. Mas Tânia não ficou apenas na homenagem, sanitarista, ela também falou sobre seu lugar na saúde e sua opção pela educação. Para Tânia, a educação é democrática, se não for, ela deixa de ser educação. “O Saúde É Meu Lugar é uma face pedagógica do SUS, e eu sinto muito orgulho de estar aqui”, destacou ela.

‘Novas formas de criar novos vínculos’, foi o tema da história contada pela enfermeira Ane Joice dos Anjos, do Paraná. Ela cresceu vendo a mãe ser profissional de enfermagem e começou a trabalhar com coleta de sangue em hospital. Num determinado momento, viu a morte de um jovem e, a partir daí, teve a certeza de que precisava e podia ajudar mais as pessoas. Foi aprovada, em 1º lugar, com bolsa integral na PUC Paraná. Passou a trabalhar em UTI, passou no concurso público e entrou na área da Saúde Pública. “Quando eu entrei na saúde pública, aprendi que vínculo é o mais importante e afeto é primordial. Vínculo e afeto andam de mãos dadas. Hoje, eu estou exatamente onde eu gostaria de estar.”

A enfermeira Patrícia Saade Roco, contou sobre ‘Muito além do saber técnico’. Ela trabalha em município do interior e fez seu primeiro atendimento como enfermeira há dez anos. “Quando trabalhamos em unidades médicas do interior, a primeira coisa que precisamos saber é que é preciso adaptar o conhecimento médico o tempo todo. O povo te abraça, te acolhe, e isso não tem preço. Agradeço demais aos ACS que me ajudaram muito; tudo o que eu sei até hoje eu devo a eles e aos auxiliares. Já trabalhei em unidade sem médico, e a gente tem que fazer algo para ajudar as pessoas. Na verdade, eu mesma não fazia ideia do quanto isso tudo foi modificador na minha vida”, ressaltou Patrícia.

‘Propondo novos caminhos’, foi o tema inspirador da história contada pela auxiliar de enfermagem Giane Moeckel Caetano, do Paraná. Muito nova ainda, ela percebeu a necessidade que as pessoas idosas tinham de serem atendidas. Cursou faculdade e escreveu um projeto sobre compartilhamento de professores, crianças e adolescentes e, posteriormente, levou tudo isso para a área da Saúde. Em 2017, Giane optou por trabalhar com o cuidado de idosos, que precisavam de atenção especial. “Assim comecei o projeto, que eram reuniões no formato de Roda de Conversa”. Foi dela a ideia da indicação de lei para que todas as unidades de saúde tenham Atenção à Saúde do Idoso. “Hoje, eu vejo que as Rodas de Conversa trazem um vínculo diferente, por meio da transformação, e de forma lúdica”, comemorou ela.

Encerrando o bloco de apresentações realizadas durante a manhã, o médico Ricardo Rodrigues Teixeira, de São Paulo, contou sua trajetória profissional, como foi sua formação em medicina e seu encontro com o mar. Paulista, Ricardo cursou faculdade carioca e assim se deu seu encontro com o mar e as ondas. Atualmente, trabalha com Atenção Primária. “O que eu aprendi com surfista e gostaria de levar para a saúde são as relações variáveis do corpo e as relações de composição.”

 

 

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