Eventos adversos a medicamentos é foco de artigo do 'Cadernos de Saúde Pública'

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Os estudos sobre eventos adversos a medicamentos (EAMs) são importantes para não comprometer o impacto positivo da farmacoterapia. Os EAMs têm maior impacto sobre as taxas de morbidade da população e não aumentam os custos operacionais do sistema de saúde. No Brasil, foram registradas 55.604.537 internações no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS), entre 2008 e 2012, das quais 273.440 (0,49%) estavam relacionadas a EAM. Destes, 2.528 (0,92%) morreram. 
 
Esses resultados provêm de um estudo que conta com a participação da pesquisadora da ENSP, Suely Rozenfeld, e gerou o artigo Eventos adversos a medicamentos identificados em pacientes hospitalizados no Brasil de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), publicado no Cadernos de Saúde Pública de dezembro de 2018.
 
De acordo com o artigo, as mortes corresponderam a 235 códigos diferentes, mas cerca de um quarto dos casos foram concentrados nos seguintes códigos: envenenamento por outras drogas e medicamentos não especificados, medicamentos e substâncias biológicas (T509) - 234 mortes; cardiomiopatia devida a drogas e outros agentes externos (I427) - 230 óbitos; doenças de fígado (K719, K717, K710) - 296 mortes; e envenenamento por penicilinas (T360) - 77 mortes. As outras causas de morte estão espalhadas entre os códigos restantes. “Do total de admissões associadas a EAMs, 15.475 (5,7%) envolveram dois eventos diferentes e 62 (0,02%), três, elevando o total de eventos para 289.039 e resultando em uma taxa de 5,20 EAMs por 1.000 internações. Apesar das flutuações, as proporções e taxas parecem manter-se constantes durante o período de estudo. 
 
O artigo observa que tais eventos incluem, além dos erros de medicação, aqueles associados a riscos intrínsecos aos medicamentos, mesmo quando usados ​​de forma adequada. “Estudos hospitalares identificaram alta incidência de EAM, que pode afetar 1,6 a 28,3% dos pacientes internados e até 5,8% das internações.” Conforme alerta o estudo, esses eventos têm impacto substancial na morbidade da população, não apenas causando mortes, mas aumentando os custos. Esse fenômeno é um problema de saúde pública evidente, para o qual foram feitas respostas nos níveis internacional e nacional.
 
Segundo os pesquisadores, a importância de estudar os EAMs decorre da necessidade de aprender sua frequência, características e magnitude, identificar grupos vulneráveis ​​e, particularmente, tomar medidas para prevení-los. “Considerando-se apenas os eventos associados às internações hospitalares ou aqueles que levam ao atendimento do serviço de emergência, metade dos eventos são considerados evitáveis.”
 
Ainda de acordo com o artigo, no Brasil, os dados estão disponíveis no sistema nacional de notificação de vigilância em saúde e também em pesquisas ad hoc sobre EAM em hospitais. As bases de dados administrativas são uma importante fonte de informação para fins de saúde pública e para identificar os EAMs. Estes permitiram estudos de baixo custo com considerável cobertura geográfica e temporal, envolvendo um grande número de pacientes. Eles permitem que frequências de desfecho sejam calculadas com referência a populações de regiões locais, para extrair estimativas nacionais e comparar países, porque eles compartilham a mesma codificação de distúrbios e condições de saúde, a Classificação Internacional de Doenças, atualmente em sua décima versão 10).
 
No Brasil, atualmente, o cenário para estudo de eventos adversos tem sido favorável desde que o Ministério da Saúde introduziu o programa nacional de segurança do paciente. Para este estudo, o EAM foi considerado “ qualquer incidente em que o uso de uma medicação (droga ou biológica) em qualquer dose, um dispositivo médico ou um produto nutricional especial (por exemplo, suplemento dietético, fórmula infantil, comida médica) pode resultaram em um resultado adverso em um paciente ”. Essa definição foi usada para levar em eventos relacionados a medicamentos e vacinas, bem como intoxicações por medicamentos, embora o estudo não incluísse dispositivos médicos ou produtos nutricionais especiais.
 
O artigo Eventos adversos a medicamentos identificados em pacientes hospitalizados no Brasil de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) é de autoria de Ana Cristina Martins, da  Agência Nacional de Saúde Suplementar; Fabíola Giordani,  da Universidade Federal Fluminense; Lusiele Guaraldo, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz; Gianni Tognoni, do Istituto di Ricerche Farmacologiche Mario Negri, Italia; e Suely Rozenfeld, da ENSP.
 
 

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