Entrevista: pesquisadora da ENSP fala sobre mortalidade materna, violência obstétrica e racismo

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A violência obstétrica se restringe a uma intervenção indesejada ou abusiva contra a gestante ou vai além? O Repórter SUS entrevistou a pesquisadora Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde da ENSP/Fiocruz e uma das coordenadoras da pesquisa 'Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre parto e nascimento', Silvana Granado, para esclarecer sobre as diferentes formas de violência obstétrica a que a mulher é submetida.

Embora seja um tema que venha sendo discutido, a pesquisadora alerta que não há um consenso sobre a caracterização. "Existem representações diferentes em distintos grupos. Algumas mulheres consideram uma violência ter uma intervenção que não estava indicada ou que ela não queria que tivesse no momento do parto. Outras relacionam ao mal-trato verbal e até físico. O que a gente vê é que ainda existem muitas mulheres que não têm direito a acompanhante; isso é uma violência no momento do parto. Algumas situações desse tipo ainda são observadas no Brasil", cita.

A analgesia - anestesia para que a mulher não sofra tanto com a dor do parto - garantida no Sistema Único de Saúde, pode evitar uma cesariana desnecessária, mas muitas vezes não é ofertada à gestante, conta a pesquisadora. Ela denuncia, também, que as mulheres negras são as maiores vítimas desse tipo de violência no Brasil.

"Nós temos um estudo, que comparou brancas, pardas e pretas, e a gente observa que a preta tem muito mais pré-natal inadequado, é menos informada sobre o trabalho de parto, sobre as complicações na gravidez. A mulher preta peregrinou mais [para achar uma maternidade], teve menos acompanhante durante a hospitalização", detalha.

A mortalidade materna, que tem maior incidência entre as mulheres pretas, é outro fator que evidencia a violência pela cor da pele, mas também pela desigualdade socioeconômica, o que segundo Silvana merece atenção especial no mês que celebra a Consciência Negra.
"Para cada 100 mil nascidos vivos no município do Rio de Janeiro, entre 2010 e 2017, houve 71 mortes de mulheres brancas, 81 de mulheres pardas e 188 de mulheres pretas", descreveu.

Confira, abaixo, a entrevista de Silvana Granado na íntegra ou acesse aqui

 

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